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Chevrolet Tracker 1.0 ou 1.2? Como andam e quanto bebem os motores turbo

04

nov
2020

A nova geração do Chevrolet Tracker estreou no Brasil às vésperas da pandemia do coronavírus, mas conseguiu se impor a ponto de superar rivais já consolidados no mercado. O SUV já é o quarto modelo mais vendido do segmento, segundo os dados registrados pela Fenabrave (associação de concessionários) entre janeiro e setembro.

Atrás apenas de Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta, o Chevrolet Tracker somou 29.603 unidades vendidas desde a sua estreia, em março – número que o deixou à frente de Nissan Kicks (25.905 unidades) e Honda HR-V (21.536).

Um dos chamarizes do SUV na época do seu lançamento, era a oferta de duas motorizações turbo: 1.0 de 116 cv e 1.2 de 133 cv. A mais potente, aliás, estava disponível tanto nas versões de entrada (sem nome) e intermediária (LTZ) quanto na topo de linha Premier.

No entanto, um reposicionamento de versões (acompanhado de um reajuste de preços), aplicado em outubro, restringiu a motorização 1.2 turbo à configuração mais cara do SUV.

Os dois motores do Tracker são bastante semelhantes, compartilhando diversos componentes e sendo oferecidos com o mesmo câmbio automático de seis velocidades (a caixa manual, também de seis marchas, é oferecida apenas com o 1.0 turbo). Mas será que entregam consumo e desempenho muito diferentes?

Desempenho
O 1.0 turbo flex de três cilindros é o mesmo do novo Onix. O propulsor entrega de 116 cv de potência (5.500 rpm) e 16,5/16,8 kgfm de torque (gasolina/etanol) a 2.000 rpm.

Segundo os testes instrumentados do Instituto Mauá de Tecnologia, o Tracker 1.0 turbo com câmbio automático precisa de 10,86 segundos para atingir os 100 km/h quando abastecido com etanol. Com gasolina, o tempo é de 11,22 segundos.

Já o 1.2 turbo, também de três cilindros, desenvolve 132 cv (5.500 rpm) e 19,4 kgfm (2.000 rpm) quando abastecido com gasolina ou 133 cv e 21,4 kgfm com etanol. Números que o levam da imobilidade aos 100 km/h em 9,51 segundos (etanol)/9,79 segundos (gasolina).

Tracker Premier tem rodas aro 17″, lanternas de LED e frisos cromados nas janelas

Na prática, a potência extra do motor 1.2 turbo é mais sentida em arrancadas e retomadas, mas a diferença é mínima. Para ir de 80 a 120 km/h, por exemplo, o Tracker 1.0 turbo precisou de 7,54 segundos (com gasolina) ante os 7,36 segundos do propulsor mais potente. Obviamente que os 17 cv e quase 3 kgfm a mais do 1.2 turbo fazem a diferença na hora de ultrapassar um veículo mais lento numa estrada de pista simples, por exemplo. Entretanto, os desempenhos de ambos os motores são muito parecidos no uso urbano ou viajando em velocidade de cruzeiro.

Embora as fichas técnicas dessas motorizações não impressionem, tanto o Tracker 1.0 turbo quanto o 1.2 turbo são carros mais ágeis e instigantes que os SUVs equipados com motores aspirados.

Consumo
Além de fornecerem desempenho bastante satisfatório para a proposta de um SUV, os pequenos motores turbinados também fazem bonito no que diz respeito ao consumo. As medições do Instituto Mauá de Tecnologia mostram que os propulsores do Tracker têm rendimento bem parecido nesse quesito.

Com câmbio automático, o 1.0 turbo abastecido com etanol fez 9 km/l na cidade e 13 km/l na estrada. Rodando com gasolina, as marcas subiram para respectivos 11,2 km/l e ótimos 18,8 km/l.

O 1.2 turbo teve rendimento muito parecido com etanol: 8,9 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada. Abastecido com gasolina, ele foi mais econômico no trânsito urbano (12,8 km/l) e praticamente empatou no uso rodoviário (18,6 km/l).

Equipamentos
Desde a versão de entrada, a 1.0 turbo manual (R$ 88.790), o Chevrolet Tracker é equipado de série com seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois de cortina); freios com ABS; assistente de partida em rampa; controles de estabilidade e tração; Isofix; luz de condução diurna de LED; regulagem de altura dos faróis, maçanetas externas pretas; maçanetas internas na cor prata; rack de teto na cor preta, rodas de liga leve aro 16 polegadas; ar-condicionado; direção elétrica com ajuste de altura e profundidade, computador de bordo; retrovisores externos elétricos pretos, central multimídia MyLink de 8 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay, três portas USB, sistema de som com 6 alto-falantes; sistema start-stop; entre outros.

Cabine do Tracker Premier 1.2 tem forração imitando couro sobre o painel e assistências de condução

A LT 1.0 turbo (R$ 97.290) acrescenta grade frontal com acabamento cromado, espelhos retrovisores externos elétricos e maçanetas na cor do carro; rack de teto na cor prata; câmera de ré; controle de cruzeiro e chave presencial.

Na LTZ 1.0 turbo (R$ 105.490) são adicionados o alerta de ponto cego, rodas de liga leve de 17 polegadas, faróis com acendimento automático; sensor de chuva; bancos e volante revestidos de couro e tecido; sensor de estacionamento e entrada USB para o banco traseiro.

Já a Premier 1.0 turbo (R$ 114.590) completa o pacote com alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência; sensor de chuva; faróis do tipo projetor com acendimento automático; lanternas traseiras de LED; ar-condicionado digital; bancos e volante revestidos de couro; carregador de smartphones sem fio; assistente de estacionamento (Easy Park); espelho retrovisor interno eletrocrômico; bancos de couro; rodas de liga leve de 17 polegadas; acabamento cromado nas maçanetas internas e nos frisos das janelas laterais.

O teto solar panorâmico passa a ser exclusivo da Premier 1.2 turbo (R$ 121.290).

Tracker LT 1.0 turbo tem rodas menores (16 polegadas) e não possui setas nos retrovisores 

Veredicto
As diferenças de consumo e desempenho são irrelevantes no uso cotidiano. O motorista sentirá alguma vantagem do 1.2 turbo em situações que exigem um pouco mais de força do motor na estrada, como ultrapassagens e retomadas com o carro cheio, por exemplo.

Se o desempenho um pouco superior do motor mais potente e o teto solar panorâmico não forem primordiais, as demais versões atendem bem quem está pensando em colocar um Tracker na garagem.

Fotos: Divulgação e Guilherme Silva

FICHA TÉCNICA

 
Tracker Premier 1.2 turbo
Tracker LT 1.0 turbo
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugaresMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, turbo, duplo comando variável na admissão e escape, a gasolina e/ou etanolDianteiro, transversal, injeção multiponto, turbo, duplo comando variável na admissão e escape, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros3 em linha3 em linha
Número de válvulas12 (quatro por cilindro)12 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,5:110,5:1
Cilindrada1.199 cm³999 cm³
Potência 132/133 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)116 cv a 5.500 rpm
Torque19,4/21,4 kgfm a 2.000 rpm (gasolina/etanol)16,3/16,8 kgfm a 2.000 rpm (gasolina/etanol)
TransmissãoAutomática de seis marchasAutomática de seis marchas
TraçãoDianteiraDianteira
DireçãoElétricaElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPhersonIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torçãoEixo de torção
Pneus e rodas215/55 R17, liga leve 17"215/60 R16, liga leve de 16"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBDTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 44 litros44 litros
Volume do porta-malas393 litros393 litros
Altura1,62 m (com rack)1,62 m (com rack)
Comprimento4,27 m4,27 m
Largura1,79 m (sem espelhos)1,79 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,57 m2,57 m
Peso em ordem de marcha1.271 kg1.228 kg
Carga útil410 kg410 kg
Ângulo de entrada17º17º
Ângulo de saída28º28º
Altura livre do solo15,7 cm15,7 cm
Aceleração 0 a 100 km/h (dado de fábrica)9,4 segundos10,9 segundos
Velocidade máxima (dado de fábrica)198 km/h177 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.