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Teste: Ford Territory aposta em conteúdo para encarar Jeep Compass e VW Tiguan

07

ago
2020

Enfrentando dificuldades em nosso mercado há alguns anos, a Ford aposta no concorrido segmento de SUVs para tentar reverter a situação. Em vez de desenvolver um novo produto no Brasil ou importar algum modelo já existente na Europa ou Estados Unidos, a marca recorreu à parceria com a JMC (Jiangling Motors Corporation) para trazer da China o SUV médio Territory.

Baseado no JMC Yusheng S330, o Territory é feito na fábrica de Xiaolan para abastecer mercados emergentes. O SUV chega para preencher o espaço que havia entre o EcoSport e o Edge ST na gama da Ford brasileira, mirando a clientela que atualmente desembolsa mais de R$ 150 mil pelas configurações mais equipadas de Jeep Compass e Volkswagen Tiguan – ambos com motorização flex.

O Territory desembarca nas concessionárias em setembro em duas versões equipadas com motor 1.5 turbo a gasolina, câmbio automático CVT e tração dianteira.

Sem opcionais, a configuração de entrada SEL (R$ 165.900) é equipada de série com seis airbags; controles de estabilidade e tração; assistente de partida em rampas; sensor de pressão dos pneus; espelho interno antiofuscante; Isofix para a ancoragem de até duas cadeirinhas infantis; sensor de estacionamento traseiro; câmera de ré; controle de cruzeiro; chave presencial; teto solar panorâmico; faróis, luzes diurnas e lanternas de LED; chave presencial; ar-condicionado automático digital com saídas para o banco traseiro e rodas de liga leve de 17 polegadas.

A central multimídia SYNC Touch com tela de 10,1” tem comandos por voz, duas entradas USB dianteiras e uma traseira, Bluetooth e conectividade por cabo com smartphones por meio dos sistemas Android Auto e Apple CarPlay – aparelhos iPhone podem ser pareados sem fio.

Para a Ford, o Territory SEL tem condições de tomar clientes do Jeep Compass Limited 2.0 flex (chega a custar R$ 168.990 com todos os opcionais) e do Volkswagen Tiguan Comfortline 250 TSI (completo custa R$ 177.160).

Já o Territory Titanium (R$ 187.900) cobra R$ 22 mil a mais pelo teto pintado de preto; maçanetas cromadas; rodas de liga leve aro 18”; retrovisores com rebatimento automático e luzes de aproximação; bancos revestidos de couro bege, regulagem elétrica para o do motorista, aquecimento e ventilação para os dianteiros; sensor de chuva; acendimento automático dos faróis; sistema de estacionamento automático; painel de instrumentos com tela digital de 10” e carregador de celular por indução.

A versão mais cara ainda acrescenta alertas de mudança involuntária de faixa e de colisão com frenagem autônoma; sensores de estacionamento dianteiros e de ponto cego, além de controle de cruzeiro adaptativo.

Neste caso, o alvo são os compradores do Tiguan R-Line 350 TSI (parte de R$ 208.590), mesmo o rival oferecendo sete lugares e uma motorização consideravelmente mais forte (2.0 turbo de 230 cv).

Visualmente, o novato combina elementos visuais inspirados no “primo” norte-americano Explorer na dianteira com detalhes laterais e na traseira que remetem vagamente ao Range Rover Evoque.

Por dentro, o bom acabamento da versão topo de linha comprova a evolução pela qual os carros chineses vêm passando nos últimos anos. A cabine é bem montada e usa materiais de boa qualidade, com direito a apliques imitando madeira e revestimento macio ao toque no painel e nas portas. Uma profusão de plástico preto brilhante e teclas imitando alumínio destacam ainda mais o console central avantajado.

Medindo 4,58 metros de comprimento por 1,93 m de largura, 1,67 m de altura e 2,71 m de distância entre-eixos, o Territory acomoda muito bem quatro adultos e uma criança. Mesmo com os bancos dianteiros totalmente recuados, sobra espaço para as pernas dos passageiros de pouco mais de 1,80 m de altura que viajam atrás. O porta-malas de 420 litros acomoda 10 litros a mais que o do Compass, mas fica bem abaixo dos 710 litros do compartimento do Tiguan.

Durante a semana em que convivemos com o Territory Titanium, podemos resumir que o arsenal tecnológico é o que mais chama a atenção no SUV. O painel digital, com três modos de visualização, impressiona pela quantidade de informação projetada.

Já a central multimídia com tela de alta definição tem interface um pouco diferente da usada no SYNC 3 dos outros carros da Ford. Mesmo assim, é fácil parear o celular para fazer ligações e reproduzir listas de músicas ou até mexer nos comandos do ar-condicionado de duas zonas, da ventilação dos bancos dianteiros e mudar a cor da iluminação da cabine.

Ao volante da versão Titanium, o motorista estará quase sempre amparado pelas tecnologias de condução. Nas manobras, sensores apitam e câmeras reproduzem na tela o que se passa ao redor do carro. Luzes nos retrovisores indicam a presença de outros veículos no ponto cego, enquanto outra tecnologia dispara alertas sonoros e vibra a direção se o motorista invadir ou mudar de faixa sem usar a seta.

Na estrada, o controle de cruzeiro adaptativo faz sozinho o trabalho de acelerar e frear o carro para manter a distância pré-definida em relação ao veículo que segue à frente. Caso o trânsito fique lento ao ponto de parar por causa de um congestionamento, o recurso freia totalmente e retoma a aceleração do SUV sem a intervenção do motorista.

Embora a Ford o classifique como EcoBoost, o motor 1.5 turbo com injeção direta é uma versão melhorada de um propulsor lançado pela Mitsubishi no final da década de 1970. Movido apenas a gasolina (a Ford diz a tecnologia flex não é tão relevante nessa categoria), ele entrega 150 cv de potência e 22,9 kgfm de torque.

Combinado a um câmbio automático CVT, com simulação de oito marchas no modo sequencial, o motor entrega desempenho apenas suficiente para empurrar o SUV de 1.632 kg. Nos testes do Instituto Mauá de Tecnologia, o Territory precisou de 11,25 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h.

No entanto, a marca foi melhor que a do Compass 2.0 flex aspirado, que desenvolve 159 cv e 19,9 kgfm quando abastecido com gasolina (12,73 segundos). Usando o mesmo combustível, o Volkswagen Tiguan 1.4 turbo (150 cv e 25,5 kgfm) precisou de 10,56 segundos para cumprir a prova de aceleração.

Os mais de 1.600 kg do Territory também influenciaram no consumo de combustível. Mesmo funcionando em ciclo Miller, para ser mais eficiente, o motor turbo teve rendimento mediano, fazendo 8,7 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada.

Como comparação, o Compass flex fez 8,1 km/l em ciclo urbano e 12,1 km/l em percurso rodoviário. Já o Tiguan registrou 10,2 km/l na cidade e 14,4 km/l em trecho de estrada.

No geral, o Territory é um SUV que agrada pelo bom isolamento acústico e conforto a bordo. As suspensões independentes nas quatro rodas, recalibradas para suportar as nossas condições de rodagem, são firmes ao ponto de controlarem bem a inclinação da carroceria em curvas, porém, sem castigar os ocupantes ao rodar em ruas esburacadas. Segundo a Ford, os pneus Dunlop do modelo vendido na China foram trocados por um conjunto Goodyear de perfil mais alto justamente para suportar o péssimo asfalto brasileiro.

Apesar do bom nível de tecnologia embarcada e da cabine espaçosa, o Territory não terá vida fácil no mercado brasileiro. Além de o Jeep Compass ser mais barato e ter produção nacional, o líder do segmento está prestes a ganhar uma motorização 1.3 turbo flex.

Manutenção

Os 250 primeiros compradores do Territory não pagarão pelas três primeiras revisões (anuais ou a cada 10.000 km), que somam R$ 1.382. A Ford ainda dá uma condição especial de lançamento no valor do seguro, cotado a 1,9% do valor do carro (cerca de R$ 3.570).

A marca também tem uma parceria com a Leandrini Blindagens para fornecer a proteção balística Nível III-A sem interferir na garantia de fábrica do veículo.

TESTE CARSALE-MAUÁ
 
0 a 60 km/h5,07 segundos
0 a 100 km/h11,25 segundos
0 a 120 km/h16,12 segundos
Aceleração em 5 segundos46,93 metros/59,33 km/h
Aceleração em 400 metros17,93 segundos/125,99 km/h
Aceleração em 1000 metros32,93 segundos/158,29 km/h
Frenagem 100 a 0 km/h58,4 metros
Consumo cidade8,7 km/l
Consumo estrada13,4 km/l

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção direta, turbo, a gasolina
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão11,42:1
Cilindrada1.490 cm³
Potência 150 cv a 5.300 rpm
Torque22,9 kgfm entre 1.500 e 4.000 rpm
TransmissãoAutomática CVT com simulação de 8 marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraIndependente multilink
Pneus e rodas235/50 R18, liga leve 18"
Freios dianteirosDiscos ventilados de 292 mm com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos ventilados de 301 mm com ABS e EBD
Tanque de combustível 52 litros
Volume do porta-malas420 litros
Altura1,67 m
Comprimento4,58 m
Largura1,93 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,71 m
Peso em ordem de marcha1.632 kg
Carga útil418/388 kg (SEL/Titanium)
Aceleração 0 a 100 km/h (dado de fábrica)11,8 segundos
Velocidade máxima (dado de fábrica)180 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.