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Controle de estabilidade foi lançado há 25 anos, mas só agora é obrigatório no Brasil

22

mai
2020

Criado pela Bosch em parceria com a Mercedes-Benz, o controle eletrônico de estabilidade está completando 25 anos. O primeiro carro a ser fabricado em série com o sistema de segurança foi o luxuoso Mercedes S 600 Coupé, em maio de 1995.

A tecnologia foi registrada pela Bosch com a sigla ESP (programa eletrônico de estabilidade, em inglês), mas o código pode variar de acordo com a fabricante do veículo. AFU, DSC, ESC, VDC, VSA, VSC e VSE são algumas das abreviações que batizam o sistema.

Segundo a Bosch, cerca de 82% dos carros de passeio e picapes novos fabricados mundialmente são equipados com o ESP.

No Brasil, o controle de estabilidade passou a ser obrigatório nos carros zero quilômetro somente a partir deste ano. Em 2022, nenhum automóvel novo poderá ser vendido no país sem o sistema de segurança.

Fotos: Divulgação

Como funciona
O ESP é controlado por sensores que detectam se o carro está seguindo a mesma direção na qual o volante está esterçado. O sistema entra em ação quando verifica uma diferença nesses vetores. De acordo com a Bosch, esses parâmetros são comparados 25 vezes por segundo.

Quando entra em ação, o ESP reduz o torque do motor por meio da central eletrônica (ECU) e aplica frenagem individual nas rodas, trazendo o veículo de volta à trajetória correta e, consequentemente, evitando acidente.

Entrar muito rápido em curvas, mudar bruscamente a trajetória do veículo ou simplesmente rodar sobre pisos de baixa aderência são situações que acionam o ESP sem qualquer intervenção do motorista.

A maioria dos carros tem um botão que permite desativar o ESP em situações específicas. Caso seja necessário rodar sobre pisos escorregadios, como cascalho, lama ou neve, o condutor pode desligar o sistema para permitir que as rodas patinem um pouco até os pneus tracionarem novamente. No entanto, o ESP volta a funcionar ao detectar que as rodas estão girando acima de determinada velocidade.

Nos carros esportivos, o ESP pode ser desligado para permitir manobras de drift e de contra-esterço para corrigir a trajetória da traseira em pistas fechadas.

História
O controle de estabilidade começou a ser idealizado bem antes de ser introduzido no Mercedes-Benz S 600 Coupé. Os primeiros testes do sistema começaram em 1983, depois que os engenheiros da Bosch, analisando o sistema ABS (antitravamento dos freios), pensaram em soluções que evitassem o escorregamento das rodas.

A partir de 1984, a empresa destacou uma equipe de engenheiros para desenvolver uma tecnologia que usasse o ABS como base para um sistema que proporcionasse maior controle do carro em condições de perda de estabilidade.

Já em 1992, um acordo com a Daimler garantiu à Mercedes-Benz a primazia do uso do ESP em seus veículos num prazo de três anos.

A exemplo das novas tecnologias, que são lançadas primeiro em modelos mais caros, o controle de estabilidade foi introduzido no Mercedes-Benz Classe S cupê e sedã com motor V12 – era opcional nas versões V8.

No entanto, foi numa situação constrangedora que o ESP ficou conhecido. Em 1997, a revista sueca Teknikens Värld submeteu o recém-lançado Mercedes Classe A ao “teste do alce” – manobra que muda bruscamente a trajetória do veículo como se estivesse desviando de um animal na estrada.

O primeiro carro compacto da Mercedes-Benz capotou com facilidade e expôs a marca a um vexame. A solução foi incorporar o ESP como item de série no Classe A.