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Coronavírus provoca queda de mais de 8% nas vendas de veículos no primeiro trimestre

02

abr
2020

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) divulgou nesta quinta-feira (2) os números dos emplacamentos de veículos em março e no acumulado do primeiro trimestre de 2020. Somente nas categorias Automóveis e Comerciais Leves, a queda foi de mais de 8% nos primeiros três meses do ano e de quase 22% na comparação com março de 2019, revertendo a curva de crescimento registrado no primeiro bimestre.

Segundo a entidade, a pandemia do coronavírus é responsável pela forte retração nas vendas em março devido aos decretos de isolamento social e da paralisação das concessionárias em todo o Brasil.

De acordo com o levantamento da Fenabrave, em março foram licenciados 249.158 veículos, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, refletindo uma retração de 15,02% na comparação com fevereiro, quando foram emplacadas 293.211 unidades. Já na comparação com os 305.510 veículos, licenciados em março do ano passado, a queda foi de 18,45%.

No acumulado do primeiro trimestre de 2020, foram emplacadas 840.800 unidades, o que representa uma queda de 7,06% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram vendidos 904.698 veículos.

Os dados da Fenabrave apontam que os licenciamentos de automóveis e comerciais leves apresentaram baixa de 19,11% em março, totalizando 155.810 unidades, contra 192.627 unidades registradas em fevereiro. Se comparado com março de 2019, este resultado também mostra uma retração de 21,91% (199.516 unidades).

No acumulado do primeiro trimestre de 2020 (532.549 unidades), as vendas desses segmentos registraram queda de 8,18%, comparadas às realizadas de janeiro a março do ano passado, quando foram vendidos 579.988 automóveis e comerciais leves.

Para o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o mês de março foi impactado, drasticamente, em função da pandemia do Coronavírus. “Nosso setor, que representa 4,5% do PIB e gera, diretamente, mais de 315 mil empregos, por meio de 7,3 mil concessionárias, está, praticamente, paralisado, em função dos decretos de quarentena. Apenas algumas concessionárias estão com as oficinas abertas, para atender caminhões, ambulâncias e outros veículos essenciais para serviços de primeira necessidade, como os ligados à saúde e alimentação”, comentou.

Segundo Assumpção Júnior, ainda não é possível revisar as projeções do Setor para o ano de 2020, em função da falta de previsibilidade de retorno do comércio e dos reais impactos ao final do período de quarentena. “Sabemos que a prioridade é a saúde da população, mas, a continuar como está, em um mês de estagnação, cerca de 20% dos empregos do nosso Setor podem ser comprometidos, pois os concessionários estão sem receita e, ao contrário, têm despesas fixas. Por enquanto, as concessionárias estão segurando a situação como podem, antecipando férias, utilizando banco de horas, mas, chegará um momento em que isso não se sustentará”, disse o executivo.

Avaliação dos Segmentos
O mercado de Caminhões emplacou 6.483 unidades em março deste ano, contra 6.507 unidades em fevereiro, o que representa retração de 0,37%. Na comparação com março de 2019, quando foram vendidos 7.628 caminhões, a queda registrada foi de 15,01%. No primeiro trimestre de 2020, este segmento retraiu 5,62%, ante o mesmo intervalo do ano passado, somando 20.175 unidades emplacadas contra as 21.376 acumuladas nos três primeiros meses de 2019.

O segmento de Ônibus teve queda de 29,66% em março (1.295 unidades), sobre fevereiro (1.841 unidades). Na comparação com março de 2019, quando foram vendidos 2.004 ônibus, a queda foi de 35,38%. No acumulado do primeiro trimestre de 2020, os emplacamentos de ônibus caíram 14,52% sobre igual período do ano passado, somando 5.294 unidades, contra as 6.193 unidades acumuladas em 2019.

As vendas de Implementos Rodoviários também tiveram queda de 6,53% em março (4.109 unidades) sobre fevereiro (4.396 unidades), e 19,19% de retração, na comparação com março do ano passado (5.085 unidades). No acumulado dos três primeiros meses de 2020, houve emplacamento de 13.142 implementos rodoviários, ficando 5,93% abaixo do resultado no mesmo período de 2019.

O cenário do segmento de Motocicletas apontou retração de 5,56% sobre fevereiro, totalizando 75.356 unidades emplacadas em março. Na comparação com março de 2019, quando foram vendidas 83.825 motos, houve queda de 10,10%. No acumulado dos três primeiros meses de 2020, as 246.832 motos emplacadas representaram retração de 4,59% sobre as vendas do mesmo período de 2019.

Segundo o levantamento da entidade, o aumento dos serviços de entrega em domicílio (delivery) tem feito a demanda por motos aumentar. No entanto, com as montadoras em férias coletivas, com a paralisação das Concessionárias e com a redução da oferta de crédito pelos bancos, a recuperação deste segmento dependerá, exclusivamente, do retorno do País às atividades normais, após o controle da pandemia do coronavírus.

Foto: Reprodução internet