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Coronavírus obriga turista argentino a gastar R$ 1.800 de Uber para sair do Brasil

25

mar
2020

Um turista argentino que estava de férias no Brasil gastou mais de R$ 1.800 de Uber para voltar ao seu país de origem em meio às restrições de circulação da pandemia do novo coronavírus. O caso aconteceu na última sexta-feira (20), um dia após o governo brasileiro decretar o fechamento de suas fronteiras terrestres.

Segundo o site Infobae, Juan García, de 35 anos, não conseguiu antecipar o voo de volta à capital argentina Buenos Aires e teve de desembolsar 22.667 pesos (equivalente a R$ 1.821 na cotação atual) para chegar até a fronteira mais próxima.

Com estadia em Bombinhas até ontem (24), o turista tinha passagem de volta marcada para a mesma data, partindo do Aeroporto de Navegantes, também em Santa Catarina.

Após o cancelamento do seu voo, García entrou em contato com a companhia aérea Gol, que não deu um retorno sobre uma antecipação da viagem. Contrariando a orientação do consulado argentino, que o aconselhou a permanecer em Bombinhas por razões de isolamento, o turista ainda foi até o aeroporto para tentar conseguir uma passagem de emergência.

Com a ajuda do consulado de seu país e de amigos que vivem no Brasil e lhe emprestaram dinheiro, García pegou um Uber de Bombinhas até Puerto Iguazu, a única cidade fronteiriça autorizada a receber cidadãos argentinos com intenção de retorno.

A distância entre as duas cidade varia entre 900 km e pouco mais de mil quilômetros, dependendo do trajeto. A viagem durou cerca de 12 horas.

Ao chegar na fronteira de seu país, García ainda foi examinado por funcionários da Saúde Pública, que usaram termômetros de raio infravermelhos para medir a sua temperatura corporal e examinaram a sua garganta para verificar a presença de algum vestígio de infecção da Covid-19.  Na alfândega, o turista e outros argentinos ainda foram informados pela polícia sobre a obrigação do isolamento de duas semanas em suas casas.

As pessoas que tinham passagens aéreas ou de ônibus para diferentes regiões da Argentina foram transferidas do local. García, junto com outros turistas, passou a noite do lado de fora da alfândega devido à falta de espaço, além do risco de contágio com o vírus.

“Não nos deixaram entrar e recebemos tratamento deplorável. Tivemos de dormir no chão, com temperaturas muito baixas e todo mundo junto para nos aquecermos. Havia apenas alguns colchões, mas estava molhados e sujos. Não havia água, muito menos comida. Encontrei algumas garrafas de água, mas não disseram se era potável”, relatou García em suas redes sociais.

Após esperar durante 12 horas, um parente conseguiu para García uma passagem de ônibus até Buenos Aires. De lá, o turista ainda teve de seguir até Vicente López, sua cidade natal na região metropolitana da capital argentina.

Em suas redes sociais, o argentino fez questão de agradecer o motorista do Uber que o levou de Santa Catarina até Puerto Iguazu, mas deixou claro que pretende não pretende sair de casa enquanto durar a quarentena.

Fotos: Reprodução internet