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Primeiras impressões: novo Chevrolet Tracker tem potencial para repetir o sucesso do Onix

22

mar
2020

Um dos principais lançamentos do ano, o novo Chevrolet Tracker não poderia estrear em momento mais desfavorável. As restrições provocadas pela pandemia do coronavírus obrigaram a GM a apresentar o SUV pela internet e a substituir o teste-drive da imprensa pelo revezamento do empréstimo do carro a grupos de jornalistas.

Nesta primeira avaliação, publicaremos as primeiras impressões do novo Tracker com medições instrumentadas de consumo e desempenho aferidos apenas com a gasolina comum que veio no tanque do carro cedido pela GM.

Os tradicionais teste feitos em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliam o rendimento dos carros flex tanto com etanol quanto com gasolina, estão suspensos até abril ou enquanto durarem as restrições de circulação para evitar a propagação da Covid-19.

Como esperado, a GM apresentou à imprensa o novo Tracker na versão topo de linha Premier para mostrar todos os atributos que o SUV pode oferecer em sua configuração mais completa (veja aqui os preços e equipamentos de todas as versões).

Custando a partir de R$ 112 mil (sem contar os R$ 750 da pintura sólida branco Summit ou R$ 1.600 das tonalidades metálicas ou perolizadas), ele conta com alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, faróis dianteiros do tipo projetor; lanternas traseiras de LED, friso cromado ao redor dos vidros laterais; ar-condicionado digital; maçanetas internas cromadas; carregador de smartphones sem fio; assistente de estacionamento (Easy Park); espelho retrovisor interno antiofuscante e teto solar elétrico panorâmico.

Os seis airbags, mais controles de estabilidade e tração, central multimídia MyLink com tela de 8 polegadas, compatibilidade com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay e internet sem fio para até sete dispositivos, além do serviço OnStar de rastreamento e concierge, são itens de série desde a versão de entrada 1.0 turbo com câmbio manual de seis marchas (R$ 82 mil).

Alerta de ponto cego, rodas de liga leve de 17 polegadas, faróis com acendimento automático, sensor de chuva, chave presencial, volante e bancos revestidos de couro já estão disponíveis na configuração LTZ 1.2 turbo automática (R$ 99.900).

Cresceu, mas perdeu peso
O novo Tracker é fabricado em São Caetano do Sul (SP) usando como base a plataforma GEM, desenvolvida em parceria com a chinesa SAIC e compartilhada com os novos Onix e Onix Plus. Além de permitir a inclusão de tecnologias mais recentes, a nova arquitetura reduziu o peso do Tracker em cerca de 142 kg, apesar do ganho de alguns centímetros em quase todas as medidas quando comparado com a geração anterior.

Agora, o SUV mede 4,27 metros de comprimento (ganho de 2 centímetros), 1,79 m de largura (+2 cm) e 2,57 m de distância entre-eixos (+ 2 cm). Somente a altura de 1,62 m foi reduzida em 5 cm.

Já o porta-malas ganhou significativos 87 litros para chegar a 393 litros, contando o compartimento de 36 litros abaixo da tampa do assoalho. Com o banco traseiro rebatido, a capacidade chega a 1.287 litros.

O bagageiro do novo Tracker é menor que os porta-malas do Honda HR-V (437 litros) e Nissan Kicks (432 litros), porém, maior que os do Jeep Renegade e (320 litros) e Volkswagen T-Cross (373 litros).

Motorizações
Por questões de custo e logística, o novo Tracker trocou o quatro-cilindros 1.4 turbo com injeção direta (153 cv e 24,5 kgfm) da geração anterior importada do México por unidades de três cilindros turbinadas fabricadas no Brasil, mas com injeção convencional.

O motor 1.0 turbo flex das versões de entrada é o mesmo do novo Onix. O propulsor rende de 116 cv de potência (5.500 rpm) e 16,5/16,8 kgfm de torque (gasolina/etanol) a 2.000 rpm. Na versão de entrada, ele é combinado ao câmbio manual de seis marchas, enquanto na LT é oferecido apenas com a transmissão automática, também de seis velocidades.

Com esse motor, o Tracker automático faz 14,8 km/l com gasolina na estrada, segundo a GM. Já os dados do Inmetro informam consumo de 9,6 km/l na cidade e 13,7 km/l em rodovia. Usando etanol, os números caem para 8,2 km/l e 11,9 km/l, respectivamente.

Nas versões LTZ e Premier, o 1.2 turbo de três cilindros rende 132 cv (5.500 rpm) e 19,4 kgfm (2.000 rpm) quando abastecido com gasolina ou 133 cv e 21,4 kgfm com etanol, sempre atrelado à caixa automática de seis marchas.

Segundo o Inmetro, o rendimento desse motor com gasolina é de 11,2 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada. Abastecido com etanol, ele faz 7,7 km/l em trecho urbano e 9,4 km/l em percurso rodoviário.

Impressões
Embora compartilhe a estrutura e diversos componentes com o Onix, o Tracker é um carro visivelmente mais caprichado que o hatch. Os bancos dianteiros são mais anatômicos e encorpados para apoiar melhor o corpo e as pernas dos ocupantes, e ainda contam com apoios de cabeça ajustáveis.

O acabamento interno também é melhor. No Tracker Premier, o material imitação de couro azulado dos bancos também reveste boa parte das portas dianteiras e a faixa central do painel, passando a sensação de material macio ao toque.

Os instrumentos são idênticos aos do Onix, mas a parte central do painel é ligeiramente voltada ao motorista e o MyLink de 8 polegadas é um pouco maior que o de 7″ que equipa o compacto. Na versão Premier, a tela do computador de bordo tem gráficos coloridos.

Comparando com o antigo Tracker, o novato é mais espaçoso – sensação reforçada quando o teto solar panorâmico está aberto. Dois adultos na faixa de 1,80 m viajam confortavelmente no banco traseiro e ainda têm duas portas USB para a recarga de smartphones.

Ao volante do novo Tracker, o motorista não tem mais aquela sensação de sobra de desempenho do 1.4 turbo, mas o 1.2 turbo de até 133 cv e 21,4 kgfm dá conta do recado na hora de empurrar o SUV de 1.271 kg. A dieta de mais de 140 kg atingida na nova geração permitiu ao novato andar bem próximo do antecessor sem comprometer demais o consumo de combustível.

Desempenho e consumo
Segundo as nossas medições preliminares, o Tracker Premier cravou 10 segundos na prova de aceleração de 0 a 100 km/h – ante os 9,62 segundos do modelo antigo.

A retomada de 80 km/h a 120 km/h foi feita em 6,8 segundos, tempo bem próximo dos 6,74 segundos do Tracker 1.4 turbo.

O consumo de gasolina foi de 11 km/l na cidade e 15,9 km/l na estrada (a 100 km/h constantes), enquanto o modelo antigo fez 11,2 km/l e 16,1 km/l, respectivamente.

A carroceria mais leve também fez a diferença na prova de frenagem a 100 km/h. O novato precisou de 41,5 metros contra os 52,9 metros registrados pela geração anterior.

No comando da novidade, o condutor encontra uma posição de guiar mais ergonômica, sem parecer que está sentado demasiadamente nas alturas. Outra melhora é a direção mais precisa e firme em velocidades mais altas.

Na estrada, o motor 1.2 turbo mostrou boa elasticidade ao responder aos estímulos do acelerador sem apelar para frequentes reduções de marcha para manter o ritmo (cerca de 2.100 rpm a 120 km/h). O câmbio automático aproveita bem a força do motor e não hesita reduzir marchas para retomar velocidade. Durante a nossa avaliação, notamos que o Tracker é mais disposto que os SUV com motores aspirados de maior cilindrada.

A condução ficaria mais agradável e divertida, ao menos na estrada, se fosse possível trocar as marchas em borboletas no volante. O pouco intuitivo botão na alavanca do câmbio automático desestimula essa ação por parte do motorista.

Já a suspensão parece estar mais acertada para as nossas condições de rodagem que a do carro que vinha do México. O conjunto confere boa estabilidade em curvas com a vantagem de absorver melhor os impactos dos buracos sem as batidas secas do amortecedores de menor curso do antigo Tracker.

Além do novo subchassi dianteiro, o controle de vetorização de torque também favorece a boa dinâmica do SUV, atuando eletronicamente nos freios para corrigir a trajetória no limite da aderência das rodas e até mesmo antecipar a ação do controle de estabilidade.

No geral, o Tracker evoluiu em geração ao modelo anterior, chegando ao mercado com claras condições de incomodar a concorrência. Durante a apresentação de lançamento, a GM chegou a dizer que pretende ficar entre os líderes com cerca de 5 mil a 6 mil emplacamentos por mês do SUV, com as versões LTZ e Premier respondendo por 40% a 45% desse volume.

É provável que essa projeção seja impactada pelas paralisação das fábricas da GM devido a pandemia do coronavírus, mas o novo Tracker mostra que agora tem condições de deixar de ser coadjuvante da categoria e repetir entre os SUVs o mesmo sucesso que o Onix faz entre os compactos.

Fotos: Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, turbo, duplo comando variável na admissão e escape, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros3 em linha
Número de válvulas12 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,5:1
Cilindrada1.199 cm³
Potência 132/133 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)
Torque19,4/21,4 kgfm a 2.000 rpm (gasolina/etanol)
TransmissãoAutomática de seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção
Pneus e rodas215/55 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 44 litros
Volume do porta-malas393 litros
Altura1,62 m (com rack)
Comprimento4,27 m
Largura1,79 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,57 m
Peso em ordem de marcha1.271 kg
Carga útil410 kg
Ângulo de entrada17º
Ângulo de saída28º
Altura livre do solo15,7 cm
Aceleração 0 a 100 km/h (dado de fábrica)9,4 segundos
Velocidade máxima (dado de fábrica)198 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.