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Novo Renault Duster Iconic é refinado, mas tem menos airbags que o Kwid

04

mar
2020

Muita coisa mudou desde que o Renault Duster foi lançado no Brasil, no final de 2011. Se na época já não era fácil tentar acabar com a hegemonia do Ford EcoSport, hoje a missão é ainda mais complicada quando se tem de enfrentar 12 concorrentes diretos.

Mesmo estreando por aqui com um atraso de três anos em relação ao mercado europeu (onde é vendida pela marca romena Dacia), a nova geração do Duster chega bastante renovada para aumentar a participação da Renault no segmento mais movimentado dos últimos anos.

As semelhanças visuais com a geração anterior são propositais, uma vez que o Duster mantém a proposta mais aventureira, apostando na robustez e deixando para o Captur (que será atualizado até 2021) o papel de SUV mais urbano e focado em design.

O Duster seguiu com o estilo caracterizado pela “musculatura” dos para-lamas salientes, mas agora combinado às linhas mais modernas da dianteira com faróis alongados. Na traseira, as lanternas quadradas com iluminação em LED destacam-se pela semelhança com às do Jeep Renegade.

Para brigar em pé de igualdade com os rivais mais recentes, o Duster sofreu profundas mudanças na plataforma B0 para receber a eletrônica das novas tecnologias e melhorar seu desempenho nos testes de impacto. A estrutura está 12% mais rígida que a do antecessor, segundo a Renault.

O SUV cresceu um pouco, ganhando cerca de 4 centímetros no comprimento (4,37 metros) e apenas 1 cm na altura (1,69 m) e na largura (1,83 m). O entre-eixos de 2,67 m foi mantido, assim como os 475 litros de capacidade do porta-malas (perde apenas para o compartimento de 600 litros do JAC T50).

No primeiro contato que tivemos com o novo Duster, notamos que o bom espaço da cabine não foi comprometido. Até dois passageiros na faixa de 1,80 m de altura viajam no banco traseiro com certa folga para as pernas.

Já o motorista percebe que o para-brisa está mais inclinado, solução adotada pela Renault para melhorar o coeficiente aerodinâmico do SUV. O posicionamento dos instrumentos também foi revisto, corrigindo um dos principais do antigo Duster.

Acabamento usa materiais de melhor qualidade, como tecido nas portas e metal

A Renault diz que o acabamento interno recebeu atenção especial. De fato, é notável a melhora na montagem da cabine ao utilizar peças bem encaixadas e plásticos sem rebarbas.

Na versão topo de linha Iconic (R$), as maçanetas e molduras das saídas do ar-condicionado são feitas de metal esmaltado, conferindo uma sofisticação nunca vista antes no Duster. Os comandos do sistema de climatização, com visores digitais integrados, também dão um sofisticado ar de carro de categoria superior.

Já as portas dianteiras contam com uma bonita faixa de tecido, enquanto os bancos revestidos de couro estão mais ergonômicos e confortáveis – todos os ocupantes traseiros contam com apoio de cabeça e cinto de três pontos.

Embora o Duster tenha melhorado em todos os aspectos, o desempenho deixa claro que um novo motor turbo cairia melhor que o atual SCe 1.6 16V, compartilhado com Captur, Logan e Sandero – o 1.3 turbo que estreará no Captur ano que vem será estendido ao Duster logo depois.

Primeira e segunda gerações do Duster lado a lado

O propulsor aspirado, capaz de render 118 cv de potência com gasolina ou 120 cv quando abastecido com etanol e 16,2 kgfm de torque com qualquer um dos combustíveis, parece não lidar muito bem com o porte do Duster.

Ele até que vai bem numa condução mais tranquila no trânsito urbano, mas sofre um pouco para empurrar o peso do SUV em ladeiras ou manter o embalo na estrada. Durante a rápida avaliação na Rodovia Raposo Tavares, na Grande São Paulo, optamos por trocar as marchas simuladas na alavanca do câmbio automático CVT. Dessa forma, o Duster fica mais esperto do que deixar a transmissão decidir por conta própria a relação ideal.

Apesar disso, o Duster manteve a característica robustez ao encarar a buraqueira do asfalto com suspensões bem calibradas. Possivelmente por conta das rodas de 17 polegadas da versão Iconic, o SUV se mostrou um pouco mais durinho ao passar sobre imperfeições, porém, sem comprometer o conforto dos passageiros.

A Renault até permitiu colocar o Duster em uma pequena trilha onde veículos 4×4 passariam sem esforço, mas a lama formada pelas chuvas dos dias anteriores, e os pneus para asfalto, tornaram a tarefa um pouco mais desafiadora. Graças à boa altura livre do solo (237 mm), foi possível passar pelo obstáculo sem correr o risco de atolar ou bater o assoalho do carro em pedras no piso.

No geral, o SUV trata bem o motorista com uma ergonomia tão boa quanto a de alguns concorrentes. A direção elétrica não é excessivamente leve e o volante, com regulagem de altura e profundidade, tem boa pegada – ainda sem os comandos do som, mantidos na coluna. O painel, apesar do grafismo simples e da ausência de telas coloridas de alta definição, tem boa iluminação e fácil leitura dos instrumentos e computador de bordo.

Outra melhora considerável a bordo é a central multimídia EasyLink, herdada do novo Clio europeu. O equipamento conta com tela tátil flutuante de 7 polegadas e compatibilidade com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay, podendo ainda ser pareada a seis dispositivos via Bluetooth.

Na hora de estacionar, o conjunto de quatro câmeras (uma dianteira, uma traseira e uma em cada retrovisor) facilita a manobra ao reproduzir na tela multimídia uma imagem em 360º do que acontece ao redor do veículo. O alerta de ponto cego, até então inédito no Duster, incrementa as assistências de condução.

O Duster evoluiu em qualidade construtiva e tecnológica, ficando em condições de aumentar a sua participação no segmento de SUVs. No entanto, a Renault vacila em não lançar o SUV com pelo menos mais dois airbags de série – como já faz com os compactos Kwid e Sandero.

Preços e equipamentos de série do novo Renault Duster

Zen 1.6 manual (R$ 71.790): barras de teto na cor preta​, direção elétrica, ar-condicionado manual, faróis com assinatura em LED​, airbags dianteiros​, freios com ABS, controles de estabilidade e tração​, cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes​, dois pontos de ancoragem de cadeirinhas infantis Isofix no banco traseiro, vidro elétrico nas quatro portas​, trava elétrica com fechamento automático​, banco do motorista com regulagem de altura​, luz de cortesia traseira​, banco traseiro rebatível bipartido, alarme perimétrico​, tomada 12V traseira​, rodas de aço 16”​, rádio 2DIN​, quatro alto-falantes​, chave canivete e sistema Start-Stop​. Opcionais: Multimídia EasyLink​, faróis de neblina​ e rodas de liga leve de 16 polegadas (R$ 3 mil).

Zen 1.6 CVT (R$ 77.790): itens da versão Zenmais câmbio automático CVT e ponteira do escapamento cromada. Opcionais: Multimídia EasyLink, faróis de neblina, rodas de liga-leve 16” (R$ 3 mil).

Intense 1.6 CVT (R$ 83.490): equipamentos da Zen CVTgrade dianteira cromada​, maçanetas na cor da carroceria​, barras de teto cromadas​, aplique prateado nos para-choques​, faróis de neblina​, retrovisor externo elétrico cromado, rodas de liga leve 16”​, vidros elétricos com função um toque​, indicador de temperatura externa, luz de cortesia no porta-luvas e porta-malas, espelhos nos dois para-sóis​, volante revestido de couro​, sistema multimídia EasyLink, sensor de estacionamento traseiro​ com câmera, ar-condicionado automático​ digital e controlador e limitador de velocidade. Opcional: bancos de couro (R$ 1.700) e central multimídia Easylink, faróis de neblina, piloto automático com limitador de velocidade e rodas de liga leve de 16 polegadas. Opcionais: bancos de couro (R$ 1.700) e pacote de acessórios Outsider (R$ 2.300) que adiciona faróis de longo alcance, alargadores de para-lamas, protetores laterais e retrovisores e barras de teto na cor preta.

Iconic 1.6 CVT (R$ 87.490): todos os itens da versão Intense CVT com o acréscimo do sistema Multiview com quatro câmeras, alerta de ponto cego, sensor de luminosidade, chave presencial tipo cartão, rodas de liga leve aro 17” com acabamento diamantado e apoio de braço. Opcionais: bancos de couro (R$ 1.700) e pacote Outsider (R$ 2.300).

Viagem e teste-drive a convite da Renault
Fotos: Guilherme Silva e Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaCarroceria monobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, duplo comando de válvulas variável na admissão acionado por corrente, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,7:1
Cilindrada1.597 cm³
Potência 118/120 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)
Torque16,2 kgfm a 4.000 rpm
TransmissãoAutomática CVT com simulação de seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente tipo McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção
Pneus e rodas215/60 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 50 litros
Volume do porta-malas475 litros
Altura1,69 m (com barras longitudinais)
Comprimento4,37 m
Largura1,83 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,67 m
Peso em ordem de marcha1.279 kg
Carga útil500 kg
Ângulo de entrada30º
Ângulo de saída34,5º
Ângulo de transposição13º
Altura livre do solo237 mm
Aceleração de 0 a 100 km/h12,3/12,4 segundos (gasolina/etanol)
Velocidade máxima172/173 km/h (gasolina/etanol)
Consumo urbano (Inmetro)10,7/7,2 km/l (gasolina/etanol)
Consumo estrada (Inmetro)11,1/7,8 km/l (gasolina/etanol)

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.