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Mercedes-Benz Accelo automatizado é quase tão fácil de dirigir quanto um carro

20

fev
2020

Se nos automóveis as transmissões automatizadas ainda sofrem certa rejeição, devido o desempenho inferior ao dos câmbios automáticos convencionais e históricos de defeitos em alguns modelos, nos caminhões elas são cada vez mais requisitadas por proporcionar economia de combustível e, claro, conforto aos motoristas com um custo operacional relativamente baixo.

Como nos carros de passeio, as tecnologias mais avançadas dos caminhões também são passadas dos modelos topo de linha para os mais baratos. Usando essa estratégia, a Mercedes-Benz estendeu a caixa automatizada, antes oferecida apenas em modelos pesados e extra-pesados, à linha Accelo, nas versões leves 815 e 1016 e no médio 1316 6×2.

A transmissão fornecida pela Eaton é, basicamente, o mesmo câmbio manual de seis velocidades padrão do Accelo, porém, com uma central eletrônica que gerencia e executa as trocas de marchas de acordo com a rotação do motor, entre outros parâmetros monitorados pelo sistema durante a operação do caminhão.

Segundo a Mercedes-Benz, essa transmissão reduz em até 3% o consumo de combustível e tem custo de manutenção parecido com o da caixa manual por usar os mesmos componentes. A fabricante destaca que a embreagem, feita para durar mais de 100 mil quilômetros, chegou a apresentar vida útil duas vezes maior que a da variante manual durante os testes de desenvolvimento.

No caso do Accelo 1316 6×2 que o Carsale teve a oportunidade de testar, o câmbio automatizado oferecido como opcional por R$ 8 mil nem é tão caro, considerando que esse valor é diluído nas prestações do caminhão de aproximadamente R$ 243 mil.

Em sua versão mais completa, o Accelo traz diversas comodidades encontradas em automóveis, como direção hidráulica com regulagens de altura e profundidade do volante, vidros elétricos, ar-condicionado, cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, rádio CD player com entradas auxiliar e mini USB, além de um computador de bordo bem completo. O banco do motorista com ajuste pneumático é herança dos caminhões pesados.

Além de descansar o pé esquerdo do motorista, as configurações com câmbio automatizado complementam a segurança com controle eletrônico de tração e assistente de partida em rampa.

Começamos o teste do Accelo 1316 na carona do experiente João Moita, o “Embaixador da Voz das Estradas” da Mercedes-Benz. Motorista de caminhão há 52 anos e instrutor da marca há quatro décadas, Moita conduziu o veículo nas proximidades da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) para explicar e mostrar os recursos da nova transmissão.

Pequena alavanca do câmbio é de fácil operação e tem modo de trocas manuais

Mesmo carregado com um lastro de mais de 8 toneladas, para atingir o Peso Bruto Total (PBT) de 13 mil quilos, o Accelo 1316 se desloca bem no trânsito urbano. O câmbio trabalha em boa sintonia com o motor OM 924 LA, um quatro cilindros de 4.8 litros turbodiesel também aplicado em caminhões maiores e ônibus com diferentes configurações de potência e torque.

No Accelo, os 156 cv do propulsor podem parecer insuficientes para carregar tanto peso, mas o que importa mesmo nesse tipo de uso são os 62 kgfm de torque entregues entre 1.200 e 1.600 rpm.

Com força total disponível em baixas rotações, o caminhão chega a rodar em quinta marcha dentro da cidade, uma vez que a transmissão prioriza a economia de diesel. Nas situações que exigem mais força, como subidas, o câmbio aplica a marcha ideal de acordo com os dados dos sensores de inclinação e de giro do motor.

A tecla Power no painel – equivalente ao modo esportivo dos automóveis – faz o câmbio esticar as marchas para entregar mais desempenho em ultrapassagens. O recurso é desligado automaticamente após 10 minutos para não comprometer o consumo de combustível.

Tanque auxiliar permite abastecer até 300 litros de diesel; terceiro eixo tem acionamento pneumático

Apesar da proposta mais voltada aos serviços de entrega e coleta em perímetro urbano, o Accelo não faz feio na estrada. Lógico que não dá para exigir muito desempenho de um veículo de carga com velocidade máxima pouco superior a 100 km/h, mas, nos trechos de subida da Rodovia Anchieta, o câmbio fez o motor aproveitar a faixa de torque pleno para acompanhar tranquilamente os outros caminhões que trafegavam na faixa direita.

Chegada a nossa vez de assumir a direção do “Accelão”, é preciso subir até o posto de comando. Os degraus que levam à cabine ficam cobertos pela parte inferior das portas quando fechadas, solução que favorece a aerodinâmica e ainda inibe a ação de ladrões.

O espaço é bom para os três ocupantes, uma vez que a alavanca da transmissão fica bem próxima ao banco do motorista, deixando um generoso vão para as pernas.

Os ajustes de altura e profundidade do volante ajudam o condutor a encontrar facilmente a posição ideal de guiar. Na configuração de cabine estendida, os 18 centímetros extras favorecem a regulagem de distância do banco pneumático e ainda sobra um nicho para guardar objetos. Já os passageiros se sentam em posição mais elevada, quase raspando a cabeça no teto, no caso de pessoas com mais de 1,80 m de altura.

Direção hidráulica com volante de raio reduzido facilita as manobras no uso urbano

Sair com o Accelo após dar a partida no motor é praticamente igual a dirigir um carro automático: pisar no freio, selecionar a marcha e soltar o freio de estacionamento antes de acelerar. A pequena alavanca da transmissão engata a primeira velocidade, se empurrada para frente, ou a ré, quando puxada para trás.

Com o caminhão em movimento, é possível ascender as marchas, após embalar, ou reduzi-las para ganhar força em retomadas. Mas o câmbio pode impedir uma dessas ações se detectar que o motor não está operando na faixa ideal de rotações (recurso que previne desgaste prematuro e quebra de componentes).

O ideal mesmo é deixar a transmissão fazer tudo sozinha. Diferentemente dos carros equipados com caixas automatizadas de apenas uma embreagem, no Accelo não há trancos nas trocas de marchas. O funcionamento chega a lembrar o de um câmbio com conversor de torque.

Durante o teste, o Accelo 1316 6×2 fez cerca de 6 km/l, segundo o computador de bordo. Consumo relativamente bom, considerando a inexperiência do jornalista ao volante do caminhão totalmente carregado. Equipado com dois de tanques de 150 litros (um deles é opcional), o Accelo rodaria aproximadamente 1.800 quilômetros mantendo essa média.

Espaço da cabine é bom para três ocupantes; banco do meio vira uma pequena mesa de trabalho

Mesmo quem não tem muita experiência na boleia se acostuma rápido e até se diverte no comando do Accelo. Apesar do tamanho (passa dos 9 metros na versão mais comprida com três eixos), é um caminhão dócil e confortável. Mas o que realmente impressiona é a suavidade das trocas do câmbio automatizado que em nada lembra os “soluços” das transmissões robotizadas usadas em automóveis.

Outro “feature” que facilita a tarefa do profissional que passa o dia ao volante do caminhão é o freio-motor, acionado por um botão no painel, que ajuda a segurar o veículo em descidas.

O Accelo foi o quinto caminhão médio mais vendido em janeiro com 34 emplacamentos – ainda distante das 321 unidades do líder Volkswagen 11.180. Atualmente, as versões automatizadas respondem por 10% das vendas, mas a Mercedes-Benz já prevê que esse mix pode chegar em breve a 30%.

Teste-drive a convite da Mercedes-Benz
Fotos: Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaEm aço, duas portas, três lugares, montada sobre chassi de longarinas de aço de alta resistência
MotorDianteiro, longitudinal, injeção direta com gerenciamento eletrônico, turbo, intercooler, a diesel
Número de cilindros4
Número de válvulas4 (quatro por cilindro)
Cilindrada4.800 cm³
Potência 156 cv a 2.200 rpm
Torque62 kgfm de 1.200 a 1.600 rpm
TransmissãoAutomatizada de seis marchas, embreagem monodisco
TraçãoTraseira
DireçãoHidráulica
Suspensão dianteiraMolas parabólicas com amortecedores telescópicos de dupla ação e barra estabilizadora
Suspensão traseiraBalancim com molas trapezoidais e suspensor pneumático do eixo auxiliar
Pneus e rodas215/75 R17.5, aço 17"
Freios dianteirosTambores com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 150 litros
Altura2,47 m
Comprimento9,25 m
Largura2,17 m (sem espelhos)
Entre-eixos 4,60 m + 98 cm
Peso em ordem de marcha4.380 kg
Carga útil + implemento8.620 kg
Peso bruto total (PBT)13.000 kg
Ângulo de entrada carregado24º
Ângulo de saída carregado com estepe16º
Diâmetro de giro17,9 m
Capacidade de subida com peso máximo33%
Velocidade máxima (limitada eletronicamente)109 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.