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Mesmo com motor antigo, novo Audi Q3 é candidato a liderar entre SUVs premium

06

fev
2020

Em novembro do ano passado, a Audi antecipou o lançamento do novo Q3 ao trazer da Alemanha algumas unidades do SUV para apresentar a clientes, concessionários e imprensa, uma vez que a configuração destinada ao Brasil ainda não estava disponível para teste. Além de acabamento e equipamentos específicos para a Europa, os carros ainda levavam sob o capô o novo motor 1.5 turbo a gasolina – ainda sem previsão de chegar por aqui – no lugar do conhecido 1.4 turbo reservado ao nosso mercado.

Desta vez, rodamos cerca de 200 km com o Q3 “brasileiro”, que chega importado da Hungria custando a partir de R$ 179.990 na versão Prestige, trazendo de série seletor de modos de condução Audi Drive Select, banco do motorista com ajustes elétricos, revestimento interno em couro, banco traseiro com encosto reclinável, controle de cruzeiro, faróis com acendimento automático, sensor de chuva, volante com aletas para trocas de marcha, central multimídia, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, controles eletrônicos de estabilidade e tração, entre outros.

Na intermediária Prestige Plus de R$ 189.990, o SUV recebe o painel de instrumentos digital Virtual Cockpit, chave presencial, faróis full LED, ar-condicionado automático de duas zonas, luz ambiente, tampa do porta-malas com abertura e fechamento por gestos, retrovisores com rebatimento elétrico e acabamento externo cromado. O teto solar panorâmico é oferecido como opcional por R$ 8 mil.

Já a topo de linha Black (R$ 209.990) acrescenta bancos dianteiros esportivos com regulagem elétrica, teto solar panorâmico, volante esportivo com aletas para troca de marchas, assistente de estacionamento automático e acabamento externo em preto brilhante. Os opcionais disponíveis para a versão são as luzes ambientes personalizáveis (R$ 3.500), acabamento interno em Alcantara cinza, laranja ou marrom (R$ 4 mil) e controle de cruzeiro adaptativo (R$ 8 mil).

Antes de contar como anda o novo Q3, vale relembrar que ele é o último modelo da Audi a adotar a plataforma modular MQB do Grupo Volkswagen. Com isso, o SUV está maior que a geração anterior para se igualar, também, em tamanho aos rivais.

A nova estrutura permitiu “esticar” o comprimento em 9,7 centímetros (4,49 metros), a largura em 2 cm (1,85 m) e o entre-eixos em 7,8 cm (2,68 m). A altura de 1,59 m, entretanto, foi mantida (o Q3 Black chega a 1,61 m com as rodas aro 19″).

Grade frontal e frisos na cor preta são exclusivos da versão Black

Assim como o espaço para os passageiros, a capacidade do porta-malas também foi beneficiada em 70 litros, passando a acomodar bons 530 litros de bagagem – apenas 20 litros a menos que no irmão maior Q5. Com o banco traseiro corrediço na posição mais avançada, o compartimento chega a 675 litros (ou 1.525 litros com os encostos rebatidos).

Principal mudança em relação ao carro vendido na Europa, o motor 1.4 TFSI (turbo e injeção direta) substitui o 1.5 TFSI, que entrega os mesmos 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque.

O câmbio automatizado de dupla embreagem banhada a óleo também é diferente: seis velocidades ante a caixa de sete marchas disponível aos europeus.

Motor 1.4 turbo a gasolina de 150 cv é o mesmo da geração anterior

No percurso, que combinou rodovias, estradinhas sinuosas e trechos sem pavimentação, o Q3 configurado para o nosso mercado apresentou mais melhorias do que retrocessos em comparação ao modelo feito para a Europa.

A evolução mais notável está no acerto de suspensão, bem mais eficiente na absorção de impactos, mesmo rodando na terra e calçando grandes rodas de 19 polegadas. Se no primeiro contato o Q3 sofreu um pouco com as condições de rodagem da região da Chapada dos Guimarães (Mato Grosso), desta vez o SUV até que se saiu bem nas estradinhas rurais da Serra da Mantiqueira (Minas Gerais e São Paulo), considerando que se trata de um carro voltado para o uso mais urbano.

Para dar uma ajudinha em situações fora de estrada, o Q3 conta até com o modo de condução Offroad, específico para facilitar a vida do motorista, por exemplo, no trajeto de terra que leva até uma casa de campo ou na estradinha de areia batida que dá acesso a uma praia mais afastada. A eletrônica desliga o controle de tração (dianteira) e prioriza as duas primeiras marchas para aproveitar melhor a força do motor em pisos de baixa aderência que não demandam pneus de uso misto e tração 4×4.

Ainda assim, a calibração feita para suportar as nossas condições de rodagem não comprometeram o bom comportamento do carro no asfalto. Apesar de altinho, o Q3 até que é preciso nas curvas, sem inclinar exageradamente.

Já o maior nível de ruído do motor em acelerações mais fortes e a ausência de uma marcha extra para reduzir o esforço do propulsor em velocidades de cruzeiro foram as principais desvantagens notadas em relação ao Q3 1.5 TFSI testado anteriormente. Apesar de entregar um desempenho condizente para a proposta do carro, o 1.4 TFSI é menos elástico, obrigando o câmbio (programado para priorizar marchas altas para economizar combustível) a fazer reduções mais frequentes em retomadas e ultrapassagens.

Mesmo não contando com o sistema de desativação de dois dos quatro cilindros presente no 1.5 TFSI, para beber menos gasolina, o Q3 chegou a fazer 15,5 km/l no trajeto rodoviário de volta a São Paulo, respeitando o limite de 120 km/h.

De acordo com a Audi, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e atinge a velocidade máxima de 207 km/h (0,1 segundo a mais e 4 km/h a menos que o Q3 1.5 TFSI).

Acabamento interno na cor laranja é uma das opções disponíveis

De resto, foram mantidos o bom nível de acabamento com detalhes em metal acetinado e uma elegante faixa de Alcantara (camurça sintética) atravessando o painel e nas portas. O carro testado ainda contava com as luzes ambientes configuráveis, que dão à cabine um toque aconchegante e sofisticado por permitir escolher diferentes cores para a iluminação interna.

Os bancos esportivos da versão topo de linha apoiam bem o corpo e possuem ajustes elétricos, inclusive para a região lombar. Já o assento traseiro é mais indicado para apenas dois adultos por conta do elevado túnel central (estrutura feita para acomodar a tração integral nas versões equipadas com o sistema) que ocupa boa parte do espaço para as pernas do terceiro passageiro.

O visual externo também deixou o Q3 mais atraente. A silhueta perdeu o aspecto arredondado para ganhar linhas mais agressivas. Os faróis angulosos e a grade frontal com frisos verticais e contornos pretos, na versão Black, transmitem certa esportividade. Mais discreta, a traseira manteve as lanternas horizontais, combinando com os para-lamas mais salientes e bem definidos por um vinco que começa na metade das portas de trás.

Desenho externo menos arredondado sugere esportividade

Em resumo, o Q3 pouco lembra o modelo anterior em praticamente todos os quesitos. Mais bonito, dinâmico e sofisticado, o menor SUV da Audi volta a ter condições de brigar em pé de igualdade com BMW X1 e Volvo XC40 (líder e vice-líder do segmento em 2019, respectivamente), os principais concorrentes de marcas premium.

Com essa evolução, o Q3 tem condições de se manter como o Audi mais vendido no Brasil. Foram cerca de 25 mil unidades comercializadas desde 2012, considerando os carros feitos em São José dos Pinhais (PR) entre 2016 e 2018. A marca vem negociando com a matriz na Alemanha para retomar a produção nacional com a nova geração.

Ainda sem data de estreia por aqui, as variantes Sportback (cupê) e equipadas com o motor 2.0 TFSI de 230 cv e tração integral quattro também estão nos planos da Audi para o Brasil.

O jornalista viajou a convite da Audi
Fotos: Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção direta, turbo, duplo comando de válvulas na admissão e escape, a gasolina
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,5:1
Cilindrada1.395 cm³
Potência 150 cv de 5.000 a 6.000 rpm
Torque25,5 kgfm de 1.500 a 3.500 rpm
TransmissãoAutomatizada de dupla embreagem e seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraIndependente multilink
Pneus e rodas235/50 R19, liga leve 19"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Tanque de combustível 58 litros
Volume do porta-malas 530 litros
Altura1,61 m
Comprimento4,49 m
Largura1,85 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,68 m
Peso em ordem de marcha1.580 kg
Aceleração 0 a 100 km/h (dado de fábrica)9,7 segundos
Velocidade máxima (dado de fábrica)207 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.