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Kia Rio é bem construído, mas chega atrasado e sem novidades

28

jan
2020

O Kia Rio finalmente estreia no mercado brasileiro após ser atração das duas últimas edições do Salão do Automóvel de São Paulo, em 2016 e 2018. Segundo a marca coreana, só com a recente estabilização do dólar foi possível importar o modelo do México, país que tem acordo de livre comércio com o Brasil.

Mas esse atraso fez o Rio desembarcar por aqui em uma condição complicada: brigar contra as versões mais caras dos novos Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Volkswagen Polo. Além da produção nacional, os três evoluíram a ponto de terem tecnologias impensáveis em hatches compactos há alguns anos.

A Kia aposta em duas versões do Rio para ficar com 2% do segmento, almejando vender cerca de 2.400 unidades do hatch por ano.

A configuração LX (R$ 69.990) responderá por 20% do mix, trazendo de série os obrigatórios airbags frontais e freios com ABS, além de controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, central multimídia com tela de 7 polegadas, Bluetooth e comando de voz (compatível com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay), câmera de ré, volante multifuncional com ajuste de altura, retrovisores elétricos, monitoramento de pressão dos pneus, rodas de liga leve de 15”, faróis de neblina, banco do motorista com regulagem de altura, ar-condicionado manual e acionamento elétrico dos vidros e travas das quatro portas.

A variante EX (R$ 78.990), responsável por 80% das vendas previstas pela Kia, adiciona ar digital, revestimento de couro nos bancos, volante e alavanca de câmbio, retrovisores com aquecimento, rebatimento e setas integradas, controle de cruzeiro, faróis com luzes de assistência de manobra e filamento de LED para rodagem diurna, lanternas de LED, porta USB para o banco traseiro, descansa-braço central, revestimento macio ao toque nas portas, grade frontal com acabamento black piano (preto brilhante).

Pinturas metálicas (R$ 1.600) e perolizadas (R$ 2.300) são cobradas à parte.

Ambas são equipadas com o motor aspirado 1.6 16V flex, que rende até 130 cv de potência e 16,5 kgfm de torque, sempre combinada ao câmbio automático de seis marchas. O conjunto mecânico é o mesmo das versões intermediárias do “primo” Hyundai HB20.

No breve contato que tivemos com o Rio, foi possível notar que se trata de um carro bem construído. A Kia diz que 51% da carroceria são feitos em aço ultraresistente com partes fixadas por 97 metros de adesivo estrutural, um tipo de cola que substitui os pontos de solda e, consequentemente, reduz o peso do carro.

O acabamento interno também é elogiável, apesar de não ter refinamentos, como materiais emborrachados ou apliques metálicos. A montagem da cabine é correta, sem peças mal encaixadas ou com rebarbas.

Medindo 4,07 metros de comprimento por 1,73 m de largura, 1,45 m de altura e 2,58 m de distância entre-eixos, o Rio tem porte idêntico ao do Polo. O espaço interno pareceu suficiente para quatro adultos na faixa de 1,80 m de estatura, enquanto o porta-malas de 325 litros supera a média (300 litros) dos rivais.

No curto teste-drive promovido pela Kia na Rodovia Hélio Smidt, às margens do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), as impressões ficaram restritas ao comportamento do carro, uma vez que o trânsito carregado não permitiu explorar o desempenho do motor. Nessa impressão inicial, o hatch agradou pela direção mais precisa e o rodar mais postado que o do HB20. O isolamento acústico da cabine também é digno de elogios.

A Kia diz que não foi necessário ajustar a suspensão pelo fato de as condições de rodagem mexicanas serem muito parecidas com as do Brasil. A escolha das rodas de 15 polegadas pareceu acertada por suportar melhor os impactos dos buracos, embora o conjunto aro 17” vendido no México deixe o visual mais interessante.

A posição ideal de dirigir é fácil de ser ajustada, apesar de o volante de boa empunhadura contar apenas com regulagem de altura. Mas alguns detalhes podem jogar contra o Rio se o motorista tem algum dos principais rivais como referência.

O computador de bordo, por exemplo, tem grafismo antigo e informa apenas as quilometragens parciais e médias de velocidade dos percursos. Segundo a Kia, somente os carros com motores flex vendidos no Brasil não contam com medições de consumo de combustível por uma decisão da matriz.

Falando em consumo, o Rio tem classificação D na categoria, segundo o Inmetro, com médias de 7,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com etanol. Abastecido com gasolina, o Rio faz 9,3 km/l e 13,4 km/l, respectivamente.

No geral, o Rio é um bom produto, porém, pouco competitivo diante de rivais equipados com pelo menos quatro airbags, motorizações 1.0 turbo mais eficientes, entre outras tecnologias ausentes no hatch da marca coreana, considerando as versões topo de linha.

Enquanto o Volkswagen Polo Highline chega a custar R$ 81.940 com o acréscimo do painel digital Virtual Cockpit, chave presencial e rodas aro 17”, entre outros itens, o Hyundai HB20 Diamond Plus (R$ 77.990) conta com frenagem automática de emergência e assistente de permanência em faixa.

Já o Onix Premier não passa de R$ 76.380 mesmo contando com airbags de cortina, faróis com acendimento automático, internet sem fio a bordo, serviço OnStar de rastreamento e concierge, carregador de celular por indução, rodas de 16 polegadas e sistema de estacionamento automático.

Assim como o HB20, o Rio tem garantia de fábrica de cinco anos (ou 100 mil km). Onix e Polo são cobertos por três anos. Os preços das revisões anuais (ou a cada 10 mil km rodados) serão informados no site da Kia nos próximos dias.

Veredicto
O Kia Rio seria competitivo no segmento se tivesse chegado ao nosso mercado há uns cinco anos.

Teste-drive a convite da Kia Motors do Brasil
Fotos: Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaMonobloco em aço e alumínio, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, aspirado, injeção multiponto, duplo comando de válvulas acionado por corrente com variação na admissão e escape, a etanol e/ou gasolina
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão11:1
Cilindrada1.591 cm³
Potência (etanol/gasolina)123/130 cv a 6.000 rpm
Torque (etanol/gasolina)16/16,5 kgfm a 4.500 rpm
TransmissãoAutomática de seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção com molas helicoidais
Pneus e rodas185/65 R15, liga leve 15"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 45 litros
Volume do porta-malas325 litros
Altura1,45 m
Comprimento4,07 m
Largura1,72 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,58 m
Peso em ordem de marcha1.141 kg
Carga útil469 kg
Altura livre do solo140 mm
Diâmetro de giro10,2 m
Aceleração 0 a 100 km/h (dado de fábrica)10,5 segundos
Velocidade máxima (dado de fábrica)191 km/h

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.