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Suzuki Jimny Sierra melhora com câmbio automático sem perder a essência de jipe raiz

22

jan
2020

A nova geração do Suzuki Jimny está à venda no mercado brasileiro desde novembro com uma proposta mais urbana, porém, honrando o legado de valentia das gerações anteriores. Nesta “reencarnação”, o jipinho aposta em comodidades como o câmbio automático para atrair também o público que quer um veículo, digamos, mais parrudo (e carismático) que os SUVs para enfrentar a buraqueira das cidades.

Agora chamado de Jimny Sierra, o modelo replica alguns elementos visuais dos antecessores. Os faróis redondos são característicos da primeira geração (1970), enquanto as lanternas traseiras horizontais e as aberturas nos para-lamas dianteiros foram inspirados na segunda (1981), conhecida como Samurai. A grade frontal com cinco fendas é herança da terceira geração (1998).

Apesar do desenho retilíneo com elementos retrô, o Jimny Sierra é feito a partir de uma estrutura totalmente nova. O jipinho manteve a carroceria montada sobre chassi de longarinas, mas adotando três travessas adicionais de aço para aumentar em 50% a rigidez estrutural, principalmente na parte da transmissão.

O Jimny Sierra foi pensado para ser funcional tanto no uso urbano quanto no fora-de-estrada. As portas, por exemplo, se abrem em três estágios com ângulo de 70º. O para-brisas foi posicionado verticalmente e o capô mais plano evita reflexos que possam atrapalhar a visibilidade do motorista.

As molduras das caixas de rodas são mais largas e com textura anti-riscos para proteger a carroceria de galhos e pedras. Já os vidros laterais ficaram mais verticais para evitar o acúmulo de água e lama nas trilhas.

A única motorização disponível no Brasil é a inédita 1.5 aspirada, com comando variável de válvulas e movida apenas a gasolina. Cerca de 15 kg mais leve que o antigo 1.3 da geração anterior, o propulsor entrega 108 cv de potência a 6.000 rpm e 14,1 kgfm de torque a 4.000 rpm (ganho de 23 cv e 3 kgfm).

Uma das exigências dos fãs do Jimny, o câmbio automático de quatro velocidades pode não ser um expoente em tecnologia diante das transmissões usadas por outras marcas. No entanto, essa caixa não exige grandes reforços estruturais e ocupa pouco espaço no chassi, contribuindo para as dimensões diminutas e o baixo peso do jipinho (apenas 1.095 kg na versão mais equipada).

O Jimny Sierra é consideravelmente mais confortável que o antecessor. A cabine ganhou alguns centímetros na altura, comprimento e largura, ampliando o espaço lateral e para as cabeças e pernas dos ocupantes. Mas ele continua sendo indicado apenas para duas pessoas, uma vez que o apertado banco traseiro é mais útil para levar, no máximo, duas crianças acomodadas em cadeirinhas presas no sistema Isofix ou para ampliar o espaço do porta-malas com os encostos rebatidos. Dessa forma, o compartimento de 113 litros fica praticamente plano, chegando a acomodar 830 litros de bagagem até o teto.

A ergonomia também melhorou bastante. Os bancos dianteiros estão mais confortáveis e contam com maior amplitude de regulagem de distância. Quase todos os comandos do veículo são facilmente acessados pelo motorista, embora o volante de boa empunhadura, com ajuste apenas de altura, despenque no colo do condutor ao destravar a coluna de direção.

O acabamento interno, assim como o tecido dos bancos, também evoluíram. A cabine é praticamente toda montada em plástico rígido para facilitar a limpeza, mas os materiais são de boa qualidade e há até uma faixa emborrachada atravessando o painel. Se por fora o Jimny Sierra carrega diversos traços das gerações anteriores, por dentro, o quadro de instrumentos com iluminação alaranjada, inspirado na segunda geração, é praticamente o único toque saudosista.

Na versão topo de linha, o ar-condicionado digital e a central multimídia JBL compatível com o sistema Android Auto reforçam a sensação de estarmos em um veículo mais moderno. Volante revestido de couro e faróis de LED com lavadores e regulagem de altura também são exclusivos do Jimny Sierra 4STYLE.

Mas é em movimento que o jipe mostra que evoluiu sem abandonar as características que consagraram o Jimny nos seus quase 50 anos de vida. A direção hidráulica deu lugar à assistência elétrica para tornar o jipinho mais confortável e prático no uso urbano. O Jimny Sierra cabe em praticamente qualquer vaga e o seu raio de giro de somente 8,90 metros permite manobrar em vias estreitas e garagens apertadas. Mesmo com apenas quatro marchas, o câmbio automático dá conta do recado nas tarefas da cidade, onde o Sierra fez 9,7 km/l, de acordo com as medições do Instituto Mauá de Tecnologia.

Criado para encarar praticamente qualquer desafio em trilhas, o Jimny Sierra passa por ruas esburacadas, lombadas, valetas, entre outras imperfeições do asfalto, com uma desenvoltura que os SUVs urbanos derivados de carros de passeio estão longe de ter.

Mas a situação se inverte quando é necessário pegar uma estrada. Como no antigo Jimny, o Sierra sofre um pouco para acompanhar o ritmo dos carros em rodovias. O câmbio automático, os pneus de uso misto e a aerodinâmica de caixote limitam o desempenho do motor. Segundo os testes do Instituto Mauá de Tecnologia, o jipe levou 14,60 segundos para atingir os 100 km/h, velocidade em que o ruído do propulsor girando a quase 3.500 rpm fica bem evidente na cabine e o motorista começa a sentir o eixo dianteiro flutuando sobre o asfalto. Ainda assim, o Jimny Sierra passa uma sensação de segurança maior que no modelo antigo nessa condição de uso.

Mas é longe do asfalto que o jipinho se sente à vontade. Basta acionar a tração 4×4 na rústica alavanca posicionada no assoalho – um pedido dos donos do modelo antigo, que consideram o acionamento por botões menos confiável – para o Jimny Sierra desbravar praticamente qualquer terreno sem dificuldades.

Outra novidade nessa geração, o diferencial com deslizamento limitado entra em ação e até permite passar por erosões e valetas profundas usando apenas o 4×2 (tração somente traseira).

Na hora de enfrentar “encrencas” maiores, a tração 4×4 reduzida ajuda o Jimny Sierra a escalar barrancos e passar por lamaçais como se estivesse passeando no estacionamento do shopping. As suspensões de eixo rígido com barra estabilizadora dianteira de maior diâmetro também contribuem para o bom comportamento do jipe em situações mais complicadas.

A exemplo de modelos off-road mais modernos, o Suzuki agora recorre à eletrônica para auxiliar o condutor com controles de estabilidade e tração, além da assistência que aciona os freios e limita sozinha a velocidade em descidas (10 km/h no 4×4 e 5 km/h no 4×4 com reduzida).

O câmbio automático também funciona direitinho no off-road. Para manter o motor cheio nas subidas, basta manter a alavanca na posição que restringe as trocas até a segunda marcha, controlar a aceleração na faixa dos 3.000 rpm e ver o Jimny Sierra passear por trechos estreitos onde picapes 4×4 e jipes maiores dificilmente passariam – outra vantagem do porte compacto.

Carismático, robusto e divertido, o Jimny Sierra, infelizmente, é um brinquedo para gente grande por conta do preço. Ele pode não ter o conforto de um SUV, mas compensa a falta de espaço e o desempenho limitado no asfalto com muita disposição na lama, terra ou praticamente qualquer outro lugar onde seu dono queira ir.

QUANTO CUSTA?
O Jimny Sierra é oferecido nas versões 4YOU com câmbio manual de cinco marchas (R$ 104.990) ou automático de quatro velocidades (R$ 112.990) e 4STYLE (R$ 123.990), sempre automática. O único opcional é o teto pintado de preto (R$ 1.350).

O modelo anterior, chamado apenas de Jimny, continua sendo feito em Catalão (GO) como uma opção mais em conta (custa entre R$ 74.490 e R$ 92.990).

De acordo com a Suzuki, o Jimny Sierra tem três anos de garantia e revisões com preço fixo.

Fotos: Divulgação e Guilherme Silva

TESTE CARSALE-MAUÁ
 
0 a 60 km/h5,90 segundos
0 a 100 km/h14,60 segundos
0 a 120 km/h21,43 segundos
Aceleração em 5 segundos45,20 metros/54,25 km/h
Aceleração em 400 metros19,29 segundos/114,21 km/h
Aceleração em 1000 metros36,11 segundos/135,95 km/h
Retomada 40 a 100 km/h12,01 segundos
Retomada 80 a 120 km/h13,54 segundos
Frenagem 100 a 0 km/h57,9 metros
Consumo cidade9,7 km/l
Consumo estrada13,4 km/l

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaCarroceria em aço, três portas, quatro lugares, montada sobre chassi de longarinas de aço
MotorDianteiro, longitudinal, injeção multiponto, duplo comando variável de válvulas de admissão, a gasolina
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10:1
Cilindrada1.462 cm³
Potência 108 cv a 6.000 rpm
Torque14,1 kgfm a 4.000 rpm
TransmissãoAutomática de quatro marchas
Tração4x2 (traseira), 4x4 e 4x4 reduzida
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraEixo rígido com molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo rígido com molas helicoidais
Pneus e rodas195/80 R15, liga leve 15"
Freios dianteirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 40 litros
Volume do porta-malas115 litros
Altura1,72 m
Comprimento3,64 m
Largura1,64 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,25 m
Peso em ordem de marcha1.095 kg
Carga útil340 kg
Capacidade de reboque (sem/com freios)350/1.300 kg
Ângulo de entrada37º
Ângulo de saída49º
Altura livre do solo210 mm
Diâmetro de giro8,90 m

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.