Image

Obituário: os carros que deram adeus no Brasil em 2019

04

dez
2019

Este ano, o mercado automotivo brasileiro teve importantes lançamentos, como as novas gerações dos líderes de vendas Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Corolla, por exemplo. Mas 2019 também ficará marcado pelo fim de modelos consagrados, como o Ford Fiesta e o Volkswagen Golf, e até mesmo de carros que muita gente nem sabia que ainda eram vendidos. Confira abaixo:

FORD FIESTA

O Fiesta até que foi bem-sucedido durante os 24 anos em que foi comercializado no Brasil, mas não resistiu às fracas vendas provocadas pelo sucesso do novo Ka, o mal posicionamento de preços e a chegada de concorrentes mais modernos, como o novo Volkswagen Polo. Além disso, relatos de defeitos na transmissão automatizada de dupla embreagem PowerShift minaram ainda mais a reputação da última geração vendida por aqui (chamada de New Fiesta), contribuindo para o fim do hatch no país.

Nem mesmo o bom nível de equipamentos das versões mais caras e a dinâmica praticamente impecável foram suficientes para evitar o fim da produção do modelo em São Bernardo do Campo (SP). Para acabar de vez com qualquer especulação sobre a continuidade do Fiesta em nosso mercado, a fábrica da Ford no Grande ABC teve as suas atividades encerradas após 52 anos.

FORD FOCUS

Após quase duas décadas e três gerações, o Focus foi descontinuado no Brasil. O médio saiu de cena discretamente com o fim de sua produção na Argentina. Além das vendas em baixa, afetadas pelo avanço dos SUVs compactos, o Focus também foi vítima da nova estratégia global da Ford, que privilegia utilitários esportivos, picapes e veículos eletrificados.

VOLKSWAGEN SPACEFOX

A perua derivada do Fox deixou de ser produzida na Argentina no começo do ano, mas foi retirada de linha definitivamente em outubro com o fim dos estoques nas concessionárias. Desde setembro do ano passado, a SpaceFox era vendida somente na versão Trendline com motor 1.6 de até 104 cv e câmbio manual de cinco marchas, por R$ 66.190, chegando a custar R$ 66.985 com o acréscimo da caixa automatizada I-Motion.

De acordo com a Fenabrave, o modelo emplacou apenas 1.745 unidades em 2019. O melhor resultado foi em janeiro, quando vendeu 365 exemplares, mas depencou para apenas três carros em setembro, indicando o fim dos estoques. Em outubro, a perua foi “sepultada” com 9 emplacamentos.

VOLKSWAGEN GOLF VARIANT

Sempre citada por entusiastas, que geralmente torcem o nariz para os SUVs, a perua combina a dirigibilidade afiada do Golf com um porta-malas mais espaçoso (605 litros ante os 338 litros do hatch) e o eficiente motor 1.4 turbo de 150 cv. Mas esses atributos não foram suficientes para convencer um número maior de consumidores a desembolsar mais de R$ 100 mil por um carro cuja categoria que está praticamente extinta no Brasil.

A Golf Variant deixou de ser importada do México no primeiro semestre para dar lugar ao SUV compacto T-Cross, de fabricação nacional e maior valor agregado, que chegou para disputar espaço no segmento mais concorrido nos últimos anos.

HYUNDAI TUCSON

O veterano Tucson desembarcou no Brasil em 2005, foi nacionalizado pelo Grupo Caoa quatro anos depois e contribuiu bastante para que os SUVs caíssem no gosto dos brasileiros na última década. Desde que chegou ao mercado brasileiro, o Tucson mudou muito pouco. A versão nacional recebeu faróis com setas na cor âmbar, central multimídia com câmera de ré e rodas de liga leve diferentes da versão coreana. O motor 2.0 passou a ser flex em 2012. Um lote com 500 unidades saiu da fábrica de Anápolis (GO) no final de 2018 para atender as últimas encomendas no começo deste ano.

FORD RANGER FLEX

A picape média chegou à linha 2020 com o estilo da versão europeia e mais equipada. Nessa atualização, a Ranger aposta apenas nas motorizações turbodiesel, uma vez que as versões equipadas com o motor 2.5 flex de 173 cv de potência saíram de linha devido a baixa demanda.

Além disso, a Ranger flex era vendida apenas com câmbio manual e tração traseira, diferentemente das concorrentes Chevrolet S10 e Toyota Hilux, que podem combinar transmissão automática e tração 4×4 com esse tipo de motorização.

CAOA CHERY QQ

O subcompacto saiu de linha liberar espaço na fábrica da Caoa Chery em Jacareí (SP). No local, a empresa dará prioridade a modelos mais promissores em nosso mercado, como o crossover Tiggo 2 e o sedã Arrizo 5. Com o fim da produção do QQ (custava a partir de R$ 28.740), o Fiat Mobi Easy de R$ 33.490 passa a ser o carro zero quilômetro mais barato do Brasil, mesmo custando quase R$ 5 mil mais caro.

CHEVROLET TRAILBLAZER V6

Outro modelo que sai de linha por vender muito menos que a versão a diesel, o Chevrolet Trailblazer Premier equipado com o motor 3.6 V6 a gasolina de 277 cv de potência se despediu sem fazer alarde. Segundo a General Motors, a motorização 2.8 turbodiesel de 200 cv representa quase a totalidade das vendas do SUV.

AUDI Q3 NACIONAL

A primeira geração teve a produção em São José dos Pinhais (PR) encerrada no final do ano passado, mas ainda há unidades do SUV em estoques de concessionárias. A segunda geração, lançada recentemente no Brasil, tem chances de ser feita na fábrica paranaense a partir de 2021, segundo a marca alemã.

PEUGEOT 208 GT

Outro modelo tirado de linha por vender quase nada, o 208 GT emplacou menos de 20 unidades no ano todo. O hatch esportivo, equipado com o motor 1.6 THP de até 173 cv de potência e câmbio manual de seis marchas, era vendido por R$ 87.990 – valor bem superior aos R$ 69.690 pedidos pelo Renault Sandero RS.

DEIXARÁ SAUDADES: VOLKSWAGEN GOLF

Após 20 anos, o Golf deixou de ser fabricado no Brasil. O hatch começou a ser feito em São José dos Pinhais (PR) ainda na quarta geração, mantida até 2014 enquanto a Volkswagen o atualizava periodicamente na Europa. Defasado perante a concorrência, o hatch deu um salto de modernidade ao lançar a sétima geração no mercado brasileiro praticamente na mesma época da estreia na Europa, há cinco anos.

Totalmente renovado, o Golf surpreendeu o mercado ao chegar da Alemanha com uma qualidade de construção acima da média, novas tecnologias e com o competente motor 1.4 TSI de 140 cv, acoplado à caixa automatizada de dupla embreagem DSG, sob o capô. A desejada versão esportiva GTI trazia o elogiado 2.0 TSI de 220 cv.

Após o lançamento, o Golf de sétima geração passou a ser importado do México, menos refinado e sem alguns equipamentos, como o freio de estacionamento eletrônico, Auto Hold e assistente de luz dinâmico.

Em 2016, o Golf passou a ser feito em São José dos Pinhais com o motor 1.4 TSI atualizado para rodar com etanol e 10 cv a mais. Ainda mais “depenado” que o mexicano, o Golf nacional trocava o câmbio DSG pelo Tiptronic automático com conversor de torque. A suspensão traseira multilink era substituída pelo sistema de eixo de torção.

Mesmo assim, o Golf continuava um carro bem construído e equipado, porém, ainda caro. O hatch ganharia por aqui versões movidas pelo motor aspirado 1.6 16V de 120 cv (fraco para o porte do carro) e estrearia o 1.0 TSI de 128 cv (este apenas com câmbio manual de seis marchas), mais tarde estendido ao Polo.

As vendas do Golf, entre outros hatches médios, despencou com os preços cada vez mais altos e o avanço dos SUVs. A Volkswagen até tentou dar uma sobrevida ao modelo no ano passado, lançando um facelift com novos equipamentos e a oferta de transmissão automática para o motor 1.0 TSI. A produção no Paraná foi encerrada este ano para dar espaço ao SUV T-Cross.

Apesar de ter tirado o Golf nacional de linha, a Volkswagen iniciou a sua estratégia de veículos eletrificados no Brasil importando da Alemanha 100 unidades do híbrido plug-in Golf GTE. Custando R$ 199.990, o modelo será vendido apenas em três concessionárias em Curitiba (PR), Brasília (DF) e São Paulo, como uma espécie de vitrine tecnológica da marca.

KIA PICANTO

O carismático Picanto chegou a ser considerado uma opção de compra por oferecer um bom custo-benefício. Mas o compacto foi prejudicado pelo avanço de concorrentes mais competitivos e, principalmente, pelas cotas de importação do programa Inovar Auto de 2012. A Kia até trouxe da Coreia do Sul, em 2018, um lote de 100 unidades da nova geração, mas o carrinho chegou por aqui custando quase R$ 60 mil com motor 1.0 de 80 cv e câmbio automático de quatro velocidades.

CITROËN C4 PICASSO E C4 GRAND PICASSO

As modernas minivans também não tiveram sorte no Brasil. Apesar do bom nível de conforto e equipamentos, elas não resistiram aos SUVs. Eram equipadas com o motor 1.6 THP a gasolina de 165 cv e câmbio automático de seis marchas. A Grand C4 Picasso ainda levava sete ocupantes.

PEUGEOT 308/408

A dupla de médios nunca vendeu bem por aqui, mas ofereciam um custo-benefício interessante junto com a valente motorização 1.6 THP de 173 cv e câmbio automático de seis marchas. Com menos de mil unidades comercializadas no país em 2018, hatch e sedã deixaram de ser fabricados na Argentina, onde a Peugeot investirá na produção da nova geração do compacto 208.

MERCEDES-BENZ VITO

O Vito foi lançado há três anos com qualidades tanto nas versões de carga, com motor turbodiesel de 114 cv, quanto na configuração de passageiros, equipada com o 2.0 flex de 184 cv compartilhado com o sedã Classe C. As vendas fracas, provocadas pelos altos preços, decretaram o fim da produção da van na Argentina.

BMW SÉRIE 2 ACTIVE TOURER

A BMW diz que não investirá em outra geração da minivan, que nem aparece mais no site da marca no Brasil. A Série 2 Active Tourer era equipada com o motor 2.0 turbo de 230 cv de potência combinado ao câmbio automático de oito velocidades. Entretanto, ia contra a tradição da BMW ao usar tração dianteira no lugar da traseira.

BMW SÉRIE 3 GT

O esquisitão Série 3 GT é mais um modelo da marca alemã que não terá nova geração. A BMW diz que o novo Série 4 Gran Coupé ocupará o seu lugar na gama como opção a quem deseja um sedã com visual de cupê.

Fotos: Divulgação

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.