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Bicho do mato: novo Suzuki Jimny mostra evolução, mas ainda prefere rodar longe do asfalto

23

out
2019

O novo Suzuki Jimny Sierra estreia no mercado brasileiro quase um ano após ser apresentado na última edição do Salão do Automóvel de São Paulo. O jipinho japonês chega às concessionárias em meados de novembro prometendo honrar o legado de robustez e valentia das três gerações anteriores, mas trazendo evoluções e comodidades, como o câmbio automático, para ser usado também na cidade.

O modelo é oferecido nas versões 4YOU com câmbio manual de cinco marchas (R$ 103.990) ou automático de quatro velocidades (R$ 111.990) e 4STYLE (R$ 122.990), sempre automática. O único opcional é o teto pintado de preto (R$ 1.350).

A quarta geração do Jimny replica alguns elementos visuais dos antecessores. Os faróis redondos são característicos da primeira geração, lançada no Japão em 1970, enquanto as lanternas traseiras horizontais e as fendas nos para-lamas dianteiros foram inspirados na segunda (1981), conhecida como Samurai. Já a grade frontal com cinco fendas é herança da terceira geração, de 1998.

O modelo anterior, aliás, continuará sendo feito em Catalão (GO) como uma opção mais em conta (custa entre R$ 74.490 e R$ 92.990), por isso o novato foi batizado com o sobrenome Sierra.

Apesar do desenho quadradinho com toques retrô, o Jimny Sierra é feito a partir de uma arquitetura totalmente nova. O jipe manteve a proposta de carroceria montada sobre chassi de longarinas, mas adotando três travessas adicionais de aço, sendo duas em X na região dos pontos de fixação da transmissão e uma na traseira, elevando em  50% a rigidez estrutural.

Diversos aspectos foram pensados para tornar o Jimny Sierra prático e funcional tanto na cidade quanto longe dela. As portas, por exemplo, se abrem em três estágios com ângulo de 70º. O para-brisas foi posicionado verticalmente e o capô mais plano evita reflexos que possam atrapalhar a visibilidade do motorista.

As molduras das caixas de rodas foram desenhadas mais largas e com textura anti-riscos para proteger a carroceria de pedras. Os vidros laterais são mais verticais para evitar o acúmulo de água e lama nas trilhas.

Embora tenha à disposição uma motorização 1.0 turbo de 120 cv em outros países, a configuração vendida no Brasil traz sob o capô um novo 1.5 litro aspirado com comando variável de válvulas e movido apenas a gasolina, 15 kg mais leve, capaz de entregar 108 cv de potência a 6.000 rpm e 14,1 kgfm de torque a 4.000 rpm. Ganho de 23 cv e 3 kgfm em relação ao 1.3 do Jimny anterior.

Já o câmbio automático de quatro velocidades, uma das exigências dos fãs e potenciais compradores do Jimny, vai na contramão da tendência de modernas transmissões com cada vez mais marchas para não comprometer as dimensões diminutas e o baixo peso do jipinho (apenas 1.095 kg na versão mais equipada). De acordo com a Suzuki, uma caixa com mais relações exigiria uma estrutura maior e, consequentemente, deixaria o Jimny Sierra mais pesado.

BICHO DO MATO
As mudanças promovidas pela Suzuki tornaram o Jimny um jipe mais amigável no trato com o motorista e passageiros. A cabine ganhou alguns centímetros na altura, comprimento e largura, ampliando o espaço lateral e para as cabeças e pernas dos ocupantes. Ainda assim, o Jimny Sierra é indicado apenas para duas pessoas, uma vez que o apertado banco traseiro é mais útil para levar até duas crianças acomodadas em cadeirinhas presas no sistema Isofix ou quando os encostos são rebatidos para ampliar o espaço para carga. Dessa forma, o compartimento de 113 litros fica praticamente plano, chegando a acomodar 830 litros de bagagem até o teto.

A ergonomia também melhorou consideravelmente. Os bancos dianteiros estão mais confortáveis e contam com maior amplitude de regulagem de distância. Quase todos os comandos do veículo são facilmente acessados pelo motorista, embora o volante de boa empunhadura, com ajuste apenas de altura, seja do tipo que despenca ao destravar a coluna de direção.

O acabamento interno, assim como o tecido dos bancos, também evoluíram. A cabine é praticamente toda montada em plástico rígido para facilitar a limpeza após uma aventura na terra, por exemplo, mas os materiais são de boa qualidade e há até uma faixa emborrachada atravessando o painel. Se por fora o Jimny ostenta diversos traços das encarnações anteriores, por dentro, o quadro de instrumentos com iluminação alaranjada, inspirado na segunda geração, é praticamente o único toque saudosista.

Na versão topo de linha, o ar-condicionado digital e a central multimídia JBL compatível com o sistema Android Auto reforçam a sensação de estarmos em um veículo mais moderno. Volante revestido de couro e faróis de LED com lavadores e regulagem de altura também são exclusivos do Jimny Sierra 4STYLE.

Mas é em movimento que o modelo mostra que evoluiu sem abandonar as características que consagraram o Jimny nas últimas quase cinco décadas. A direção hidráulica deu lugar à assistência elétrica para tornar o jipinho mais confortável e prático no uso urbano. O Jimny Sierra cabe em praticamente qualquer vaga e o seu raio de giro de somente 8,90 metros permite manobrar em vias estreitas e garagens apertadas. Mesmo com apenas quatro marchas, o câmbio automático dá conta do recado nas tarefas da cidade.

Criado para encarar praticamente qualquer desafio em trilhas, o Jimny Sierra passa por ruas esburacadas, lombadas, valetas e qualquer outro tipo de defeito do péssimo asfalto brasileiro com uma desenvoltura que os SUVs urbanos estão longe de ter.

Contudo, a situação se inverte quando é necessário pegar uma rodovia para chegar até a trilha. Como o antecessor, o Jimny Sierra sofre um pouco para acompanhar o ritmo dos carros na estrada. O câmbio automático, combinado à carroceria com aerodinâmica de tijolo e aos pneus todo terreno, limita o desempenho do motor. A 100 km/h, o ruído do propulsor girando a quase 3.500 rpm invade a cabine e ainda é possível sentir as rodas dianteiras começando a flutuar sobre o asfalto. Mesmo assim, nas curvas, o Jimny Sierra é capaz de passar a sensação de segurança que o modelo antigo certamente não passaria.

Ainda bem que a Suzuki permitiu dirigir o Jimny Sierra em trilhas na Serra do Japi, no interior de São Paulo, habitat onde o jipinho se sente mais à vontade. Antes de começar a brincadeira, foi preciso se familiarizar com a alavanca de acionamento da tração 4×4. Segundo a Suzuki, os donos de Jimny acham esse sistema mais confiável que os botões no painel do modelo anterior.

O Jimny Sierra desbravou o percurso com tamanha facilidade que os instrutores da Suzuki tiveram de criar obstáculos no meio do caminho para mostrar a capacidade e robustez do jipe. Primeiro, subimos um pequeno barranco transversalmente para vermos o diferencial de deslizamento limitado entrar em ação e tirar o jipe da encrenca apenas no 4×2. Em seguida, ligamos a tração 4×4 reduzida para escalar um barranco maior como se fosse uma simples brincadeira. Na hora de passar por buracos e erosões, o Jimny Sierra tirou de letra graças às suspensões de eixo rígido com barra estabilizadora dianteira de maior diâmetro.

A exemplo de modelos off-road mais modernos, o Suzuki agora recorre à eletrônica para auxiliar o condutor com controles de estabilidade e tração, além da assistência que aciona os freios e limita sozinha a velocidade em descidas (10 km/h no 4×4 e 5 km/h no 4×4 com reduzida).

A exemplo do uso urbano, o câmbio automático vai bem no off-road. Para manter o motor cheio nas subidas, bastou manter a alavanca na posição que restringe as trocas até a segunda marcha, controlar a aceleração na faixa dos 3.000 rpm e ver o Jimny Sierra passear por trechos estreitos onde picapes 4×4 e jipes maiores dificilmente passariam – outra vantagem do porte compacto.

A Suzuki planejava comercializar 250 unidades por mês do Jimny Sierra, mas, até maio de 2020, terá de se contentar com apenas 110 unidades mensais enquanto a fábrica no Japão não normalizar a produção. A marca também confirma que existe a intenção de produzir o jipinho no Brasil nos próximos dois anos.

De acordo com a marca, o Jimny Sierra tem três anos de garantia e revisões com preço fixo.

Teste-drive a convite da Suzuki
Fotos: Divulgação / Cadu Rolim e Tom Papp

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaCarroceria em aço, três portas, quatro lugares, montada sobre chassi de longarinas de aço
MotorDianteiro, longitudinal, injeção multiponto, duplo comando variável de válvulas de admissão, a gasolina
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10:1
Cilindrada1.462 cm³
Potência 108 cv a 6.000 rpm
Torque14,1 kgfm a 4.000 rpm
TransmissãoAutomática de quatro marchas
Tração4x2 (traseira), 4x4 e 4x4 reduzida
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraEixo rígido com molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo rígido com molas helicoidais
Pneus e rodas195/80 R15, liga leve 15"
Freios dianteirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Freios traseirosTambores com ABS e EBD
Tanque de combustível 40 litros
Volume do porta-malas115 litros
Altura1,72 m
Comprimento3,64 m
Largura1,64 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,25 m
Peso em ordem de marcha1.095 kg
Carga útil340 kg
Capacidade de reboque (sem/com freios)350/1.300 kg
Ângulo de entrada37º
Ângulo de saída49º
Altura livre do solo210 mm
Diâmetro de giro8,90 m

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.