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Novo Kia Cerato impressiona no visual, mas não muda o suficiente para peitar concorrentes

25

set
2019

A quarta geração do Kia Cerato chega às concessionárias na primeira semana de outubro nas versões EX (R$ 94.990) e SX (R$ 104.990), apostando em bom conteúdo e na motorização mais adequada para um carro de sua categoria afim de tentar convencer potenciais compradores de Chevrolet Cruze, Honda Civic, Toyota Corolla e Volkswagen Jetta.

Apesar do novo motor, o Cerato vai na contramão das últimas gerações dos demais sedãs médios. Enquanto a concorrência aposta em motores turbinados ou aspirados com injeção direta – e até mesmo conjunto híbrido, no caso do novo Corolla – o Kia passa a oferecer o 2.0 flex aspirado de 16 válvulas, que rende 157 cv de potência e 19,2 kgfm de torque com gasolina ou 167 cv e 20,6 kgfm quando abastecido com etanol. A transmissão é sempre automática de seis velocidades.

Ainda assim, é uma motorização mais condizente que o antigo 1.6 de até 128 cv e 16,5 kgfm, que vai bem num compacto como o Hyundai HB20, porém apático para um sedã de médio.

Infelizmente o 1.6 turbo de 201 cv com câmbio de dupla embreagem da versão GT vendida no México ainda não está disponível para exportação, segundo a Kia.

As mudanças vão além do cofre do motor. O sedã é fabricado a partir de uma nova plataforma, mais rígida graças ao aumento de elementos em aço de alta resistência (de 34% para 54%). Diversos pontos de solda foram substituídos pela maior aplicação de fita adesiva estrutural, que passou de 18 metros para 105 m, ajudando a reduzir em 20 quilos o peso do carro (1.283 kg).

Em relação ao antecessor, o Cerato ganhou 8 centímetros no comprimento e 2 cm na largura (1,80 m). A altura (1,44 m) e a distância entre-eixos (2,70 m), enquanto a capacidade do porta-malas foi ampliada de 421 litros para 520 litros.

Visualmente, o Cerato chama a atenção pelo desenho mais arrojado, inspirado no Stinger GT. As novas linhas deixaram o sedã menos genérico e com uma identidade mais definida. Os faróis espichados até os para-lamas dianteiros e a grade achatada fazem o sedã parecer mais largo e baixo que o real. Na traseira, as lanternas fazem o papel apenas das luzes de posição e freio, uma vez que as setas e as lâmpadas de ré foram acomodadas no para-choque. Na versão SX, os filamentos de LED formam um desenho que lembra as lanternas de carros da Jaguar.

Lanternas em LED formam desenho que lembra a iluminação de carros da Jaguar

Entretanto, esse perfil mais esportivo termina quando observamos as rodas de 16 polegadas com acabamento diamantado, calçadas em pneus Kumho de perfil alto (205/60 R16). Um conjunto de 17 ou 18 polegadas, de fato, comprometeriam um pouco o conforto dos ocupantes, mas deixariam o Cerato ainda mais bonito.

Apesar dos pneus pouco adequados para um teste numa pista fechada, o Cerato mostrou equilíbrio, se comportando muito bem nas curvas do Autódromo Capuava, no interior de São Paulo, onde foi realizada a apresentação para a imprensa. O acerto de suspensão promovido pela filial brasileira da Kia controla com eficiência a inclinação da carroceria nas mudanças de direção e frenagens mais bruscas, combinando bem com o rodar mais voltado ao conforto, uma das exigências do público de sedãs médios.

Rodas aro 16″ são bonitas, mas parecem pequenas para o sedã

Embora as três voltas na pista não sejam condizentes com o uso real, foi possível notar que o motor 2.0 faz, sim, mais sentido para um carro do porte do Cerato. Ele responde bem em rotações elevadas, mas falta aquela força extra que os propulsores turbinados proporcionam em retomadas e saídas de curva por conta da entrega plena de torque a giros mais baixos.

A Kia não informa dados de desempenho, mas o Inmetro diz que o sedã tem consumo médio de 9,6 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada com gasolina. Abastecido com etanol, o Cerato faz 6,5 km/l e 9,3 km/l, respectivamente, de acordo com a entidade.

A transmissão automática de seis velocidades também deixa claro que não tem vocação esportiva. O câmbio trabalha suave e até permite esticar marchas no modo manual. No entanto, as trocas nos paddle shifters atrás do volante poderiam ser mais espertas.

No geral, o novo Cerato entrega o que o comprador de sedã médio procura: bom nível de equipamentos, dirigibilidade superior à dos SUVs, conforto e porta-malas espaçoso.

Interior é bem acabado e motorista encontra facilmente posição ideal de guiar

Outros aspectos que também agradam são a ergonomia e a empunhadura do volante com ajustes de altura e profundidade. O acabamento interno também merece elogios pela montagem bem feita com materiais na média ou até melhores que alguns modelos da concorrência.

Desde a versão de entrada, o sedã é equipado de série com central multimídia com tela flutuante sensível ao toque de 8 polegadas, comando de voz, Bluetooth e espelhamento de smartphones por meio dos sistemas Android Auto e Apple CarPlay. Na parte de segurança, ele traz seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois de cortina), controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, monitoramento de pressão dos pneus, Isofix para a fixação de cadeirinhas infantis no banco traseiro, freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD e luzes diurnas de LED. A lista de amenidades conta com ar-condicionado com saída para o banco traseiro, rodas de liga leve de 16 polegadas com estepe na mesma configuração e bancos revestidos de tecido.

Já os R$ 10 mil extras pedidos pela variante topo de linha SX adicionam ar-condicionado digital de duas zonas, lanternas traseiras de LED, bancos em couro com aquecimento (dianteiros), retrovisor interno antiofuscante, chave presencial com partida por botão, paddle shifters para trocas de marchas no volante, câmera de ré com gráficos dinâmicos em manobras e retrovisores externos com aquecimento, repetidores de seta em LED e rebatimento elétrico.

Motor aspirado 2.0 16V flex entrega até 167 cv de potência e 20,6 kgfm de torque 

A Kia considera as versões de entrada e intermediária do também mexicano Volkswagem Jetta como principais rivais do Cerato em termos de preço e equipamentos. Resta saber se toda essa renovação será capaz de aproximá-lo do conterrâneo, uma vez que ameaçar as vendas dos nipônicos Toyota Corolla e Honda Civic – respectivos líder e vice-líder da categoria – ainda é um objetivo muito distante.

A marca sul-coreana não tem ambições de brigar pelas primeiras posições da categoria devido as cotas de importação, mas projeta vender no Brasil cerca 1.150 unidades do novo Cerato até o final do ano.

Teste-drive a convite da Kia
Fotos: Fernanda Freixosa / Divulgação

FICHA TÉCNICA
 
CarroceriaMonobloco em aço, quatro portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, duplo comando de válvulas variável na admissão e escape acionado por corrente, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão12:1
Cilindrada1.999 cm³
Potência (gasolina/etanol)157/167 cv a 6.200 rpm
Torque (gasolina/etanol)19,2/20,6 kgfm a 4.700 rpm
TransmissãoAutomática de seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção
Pneus e rodas205/60 R16, liga leve 16"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Tanque de combustível 50 litros
Volume do porta-malas520 litros
Altura1,44 m
Comprimento4,64 m
Largura1,80 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,70 m
Peso em ordem de marcha1.283 kg
Carga útil447 kg
Altura livre do solo135 mm

Sobre o autor

Editor-assistente. Gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas sempre se diverte quando precisa avaliar um utilitário no fora-de-estrada ou acelerar um superesportivo num autódromo.