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Porsche faz nova manobra radical e mostra o Taycan, sedã 100% elétrico

04

set
2019

A Porsche quebrou a tradição de fabricar somente cupês e conversíveis esportivos e lançou, em 2002, o seu primeiro SUV, o Cayenne, que — após a esperada resistência por parte dos puristas — acabou virando o segundo modelo mais vendido da grife de Stuttgart, atrás apenas do 911 (cuja 8ª geração acaba de ganhar versão de entrada no Brasil).

Outras tradições foram dinamitadas desde então. Houve, por exemplo, o lançamento de um quatro-portas voltado ao público urbano, o Panamera; e a adoção de propulsão híbrida justamente por esses dois pontos fora da curva, o Cayenne e o Panamera.

Mas o carro que a Porsche mostrou ao mundo nesta quarta-feira (4), em Neuhardenberger, cerca de 70 km de Berlim (Alemanha), 17 anos depois de revelar o seu primeiro SUV, marca o início de uma mudança muito mais radical — e, parece, irreversível: trata-se do Taycan, o primeiro EV (veículo 100% elétrico, na sigla em inglês) da marca alemã, e pioneiro de um programa de substituição energética que, até 2025, deve compor metade de sua gama com elétricos e híbridos.

Por enquanto, cerca de 700 milhões de euros foram investidos na fábrica da Porsche em Stuttgart apenas para acomodar a linha de produção do Taycan, que foi esboçado pelo conceito Mission E no Salão de Frankfurt de 2015. Seu principal concorrente é o Tesla Model S Performance, versão mais agressiva do elétrico da fábrica californiana de Elon Musk.

As vendas do Taycan começam no final deste ano, e por ora (inclusive nesta quarta) só foram exibidas (e, em alguns casos, dirigidas) unidades pré-série. Serão duas versões: Turbo, com 680 cv e preço sugerido de 152.136 mil euros (R$ 694,2 mil na conversão direta), e Turbo S, com 761 cv e preço de 185.456 mil euros (R$ 842, 3 mil na mesma conversão). Nos Estados Unidos os preços serão US$ 153 mil e US$ 187 mil, respectivamente.

Vale notar que a palavra “Turbo” é usada nos nomes das versões do Taycan apenas para manter a tradição da marca. Motores elétricos não precisam de ar para gerar energia, e portanto jamais usariam turbocompressores.

O Taycan ainda não tem preço definido no Brasil, mas a pré-venda começará no primeiro semestre de 2020 com entregas programadas para a segunda metade do ano. A Porsche adiantou que o estreante será posicionado entre o Cayenne e o Panamera, nas respectivas configurações Turbo e Turbo S. Outra informação confirmada é a chegada do terceiro integrante da gama, o Taycan Cross, a ser lançado no final do ano que vem.

POWERTRAIN — O novo Porsche tem um irmão dentro do Grupo Volkswagen: o Audi e-tron GT, que utiliza a mesma plataforma e já foi completamente mostrado pela marca (que, inclusive, já tem hotsite nos Estados Unidos), embora sua produção deva começar somente em 2020. Não é à toa que ambos possuem silhuetas parecidas: são sedãs, mas com traseira ao estilo quase-cupê dos Audi A5 e A7.

A base dos dois EVs foi desenvolvida para abrigar um sistema elétrico de 800 volts, com bateria de 96 kWh e dois motores, um em cada eixo. Segundo a fabricante, o Taycan Turbo S pode rodar até 450  quilômetros com uma carga da bateria. Uma carga rápida de 5 minutos em estações de alta voltagem fornece energia para rodar 100 km. Para chegar a 80% da bateria são necessários 22,5 minutos.

Taycan no lançamento mundial nesta quarta-feira (4), na Alemanha

Acima e abaixo, o Taycan no lançamento mundial nesta quarta (4), na Alemanha (fotos: Larissa Florencio)

Porsche Mission E, conceito de 2015, originou o Taycan

Porsche Mission E, conceito de 2015, originou o Taycan (foto: reprodução)

O esportivo elétrico conta com 761 cv de potência e 107 kgfm de torque na versão Turbo S, o que garante aceleração até os 100 km/h em 2,8 segundos, além de chegar aos 200 km/h em 9,8 s. Já a variante Turbo com 680 cv e 86,7 kgfm leva 3,2 segundos para sair da imobilidade e atingir a mesma marca. Nas duas versões, a velocidade máxima é de 260 km/h (possivelmente limitada, devido a um acordo do governo alemão com as montadoras locais. Esses números também são possíveis graças ao melhor coeficiente aerodinâmico de todos os Porsche (Cx 0,22).

O fato de ser um carro 100% elétrico não impede o Taycan de oferecer alguns itens presentes na gama Porsche movida a gasolina. O controle de largada, por exemplo: o motorista crava os pés no acelerador e no freio, até o fim — e depois solta o freio sem tirar o outro pé. A “colada” no banco, segundo quem pilotou o protótipo, é igual à sentida nas arrancadas dos Porsche à combustão.

O Taycan é o primeiro EV com câmbio de duas marchas à frente — o normal é apenas uma, já que o torque máximo está disponível imediatamente.

DETALHES ÚNICOS — No interior se destacam o painel de instrumentos totalmente digital e levemente curvo, além de duas telas de 10,9 polegadas sensíveis ao toque, sendo uma para o condutor e outra para o passageiro. O console central, que abriga os comandos do ar-condicionado e outras funções, também é composto por uma tela digital. Não há botões físicos no interior do Taycan.

Outras peculiaridades: a Porsche garante que o Taycan não perderá desempenho (pelo menos não significativamente) quando a carga da bateria for menor que 50%; e o modelo precisa ser dirigido obrigatoriamente usando os dois pedais. Isso porque, ao contrário de outros carros elétricos, tirar o pé do acelerador do Taycan não o fará perder velocidade até parar — efeito que, em geral, permite dirigir os EVs usando um único pedal. É preciso pisar no freio.

Para facilitar a vida do motorista na hora de abastecer, o Taycan traz tomadas de força nos dois lados; no do passageiro há entradas para duas voltagens (AC e DC, esta para cargas rápidas), e no do motorista, um plugue AC. Ao menos nos EUA, mercado crucial para a Porsche, o motorista do Taycan contará com centenas estações de carga que vêm sendo instaladas pelo grupo Volkswagen, como compensação pelo escândalo do diesel.

As dimensões do Taycan impressionam: são 4,96 metros de comprimento, pouco menos de 2 metros de largura, e um confortável entre-eixos de 2,9 metros. O peso fica em torno de 2,3 toneladas. Quem quiser viajar com esse EV disporá de 447 litros de capacidade — é a soma dos porta-malas dianteiro (maior) e traseiro.

A jornalista viajou a convite da Porsche do Brasil

Sobre o autor

Editora, jornalista por profissão, fotógrafa por paixão e aspirante a piloto por diversão. Adora estar ao volante de qualquer coisa que tenha quatro rodas.