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Impressões: novo Toyota Corolla “mexe no time” para continuar ganhando

04

set
2019

Em time que está ganhando não se mexe. A Toyota citou o popular chavão futebolístico durante a apresentação do novo Corolla para enfatizar que não bastava apenas continuar liderando com folga o segmento de sedãs médios no mercado brasileiro. A marca fez questão de afirmar que, a partir de agora, pretende ampliar essa vantagem perante os rivais com um produto capaz de se isolar na ponta da tabela como referência em diversos quesitos – e não apenas pela confiabilidade mecânica e boa reputação no pós-venda.

A moderna plataforma modular TNGA foi o pontapé inicial dessa nova fase do Corolla. A estrutura compartilhada com o Prius e o SUV RAV4 permitiu ao sedã adotar o sistema de propulsão híbrida sem comprometer o espaço dos passageiros e das bagagens. Por conta das baterias instaladas sob o banco traseiro, somente o tanque de combustível foi comprometido, perdendo sete dos 50 litros de capacidade do reservatório da versão movida apenas a combustão.

Fora esse detalhe, o Corolla só ganhou com a nova arquitetura. Segundo a Toyota, a carroceria está 60% mais rígida. A suspensão traseira de eixo de torção deu lugar ao sistema independente multilink e algumas medidas foram ligeiramente ampliadas: mais 2 centímetros no comprimento (4,63 metros) e 1 cm na largura. Os 2 centímetros a menos na altura (1,45 m) ajudaram a baixar em 1 cm o centro de gravidade do carro a favor do comportamento dinâmico. No entanto, o entre-eixos de 2,70 metros e o porta-malas de 470 litros foram mantidos no novo projeto.

Como na geração anterior, o Corolla segue o estilo mais conservador da geração europeia. O visual inspirado no irmão maior Camry não é arrojado como o das versões chinesa e norte-americana (e do arquirrival Honda Civic), mas já ganha alguns pontos por ser menos sisudo que o do antecessor.

Apesar de toda evolução estrutural, as principais novidades do novo Corolla estão sob o capô. A primeira delas é a inédita motorização híbrida flex, que combina o 1.8 16V de ciclo Atkinson do Prius a dois motores elétricos. O propulsor a combustão gera 98 cv de potência com gasolina ou 101 cv quando abastecida com etanol. O torque máximo é de 14,5 kgfm com qualquer combustível. Já os motores movidos a bateria desenvolvem 72 cv e 16,6 kgfm. De acordo com a Toyota, a potência e torque combinados são de 123 cv e cerca de 20 kgfm.

O conjunto é acoplado à transmissão automática de variação contínua (CVT) por engrenagens planetárias.

No teste-drive de aproximadamente 15 quilômetros pelas ruas e estradas da região de Guarujá, no litoral paulista, o Corolla híbrido se mostrou um pouco mais ágil que o Prius. O desempenho, no geral, é bastante satisfatório, mas longe de empolgar. Com uma proposta focada em eficiência, o sedã pode rodar até 2 km usando apenas eletricidade, uma vez que o sistema alterna a fonte de energia durante o percurso, principalmente o urbano. O motor a combustão funciona tanto como um alternador, entrando em ação para recarregar as baterias, quanto para mover o carro. Os freios regenerativos também “devolvem” a eletricidade ao aproveitar a energia cinética das frenagens. A função B (Break) do câmbio CVT é outra forma de recarga ao priorizar o freio-motor nas desacelerações. Já o modo EV (Electric Vehicle), acionado por uma tecla no console central, permite rodar apenas com eletricidade em curtas distâncias a baixas velocidades, servindo mais para manobras em garagens, por exemplo.

De acordo com as medições do Inmetro, o Corolla híbrido tem consumo médio de 16,3 km/l. Já na avaliação do Instituto Mauá de Tecnologia, parceiro de testes do Carsale, essa marca chegou a 20,7 km/l.

No caso das versões movidas somente a combustão, o novo motor aspirado Dynamic Flex 2.0 16V promete novo fôlego e menor consumo de combustível. Dotado de sistemas de injeção direta e indireta, o propulsor, também de ciclo Atkinson e taxa de compressão elevada (13:1), entrega 169 cv com gasolina ou 177 cv quando abastecido com etanol e gera 21,4 kgfm de torque com qualquer um dos combustíveis.

A transmissão automática CVT das versões 2.0 flex também é inédita em nosso mercado. Atrelada ao motor por um conversor de torque, a nova caixa conta com engrenagens físicas na primeira marcha, solução adotada para reduzir ruídos e proporcionar maior agilidade em arrancadas. O sistema de polias ligadas por uma correia metálica simula outras nove marchas, totalizando 10 velocidades.

Se perde para o híbrido em consumo, o Corolla 2.0 compensa com uma tocada mais interessante. Ele ainda não tem a mesma pegada do Civic, mas é consideravelmente mais dinâmico que a geração anterior. Mesmo com firmes suspensões independentes nas quatro rodas (de 17 polegadas) e pneus de perfil baixo, o Toyota é confortável. O conjunto com calibração própria para as nossas condições de rodagem absorve bem as irregularidades do asfalto e apresenta comportamento elogiável em curvas mais abusadas. A direção elétrica ganhou precisão, mas poderia ser mais firme em velocidades de estrada.

O novo conjunto mecânico não entrega desempenho muito superior em comparação com o modelo anterior. O câmbio CVT com engrenagens físicas é sutilmente mais ágil em arrancadas e até passa a sensação de estarmos no comando de um carro com caixa automática convencional. Mesmo aspirado, o Corolla deve entregar números de desempenho próximos dos rivais turbinados, embora a sua proposta ainda priorize o conforto.

O consumo com etanol indicado pelo Inmetro é de 8 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada. Na gasolina, o Corolla faz, respectivamente, 11,6 km/l e 13,9 km/l.

A cabine manteve o acabamento sem grandes refinamentos, mas muito bem montada. Há material macio ao toque nas portas e no painel. As variantes Altis com o pacote Premium até conferem bancos revestidos de couro bege e preto. Mas há também alguns vacilos e pequenas economias que não condizem com um carro que chega a custar R$ 131 mil: as maçanetas internas têm aparência frágil e são simplórias demais nas versões GLi e XEi (na Altis elas imitam alumínio) e os botões de acionamento dos vidros elétricos poderiam ser iluminados.

Além dos comandos mais intuitivos e dos bancos mais dianteiros mais envolventes, outra evolução interna muito bem-vinda é a nova central multimídia compatível com smartphones Android e Apple. Diferentemente do equipamento de interface lenta e defasada do modelo anterior, agora é possível espelhar os aplicativos de navegação Google Maps e Waze.

Em termos de equipamentos, o Corolla passa a oferecer teto solar elétrico e as assistências de condução Toyota Safety Sense nas versões Altis. Nesta configuração, o sedã sai de fábrica com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de saída de faixa, frenagem automática de emergência e farol alto automático. Considerando os principais concorrentes, todos esses itens são oferecidos apenas no Volkswagen Jetta R-Line 1.4 TSI (R$ 119.990).

Embora ainda não tenha se rendido aos motores turbo, o novo Corolla chega equiparado aos rivais em itens de série, assistências de condução e motorizações competentes, sendo uma delas a única híbrida da categoria. Tudo isso, somado à reputação do modelo no mercado e o índice de satisfação do pós-venda da marca, forma um conjunto entrosado para o sedã médio manter a hegemonia do segmento. Ciente que a concorrência focará na briga pela vice-liderança das vendas, a Toyota já projeta comercializar cerca de 4.500 unidades do novo Corolla por mês (3 mil 2.0 flex e 1.500 híbridas).

Veja abaixo os preços e principais equipamentos de série do Toyota Corolla 2020:

Corolla GLi 2.0 flex CVT (R$ 99.990): sete airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, Isofix, direção elétrica, ar-condicionado, volante multifuncional com ajustes de altura e profundidade, central multimídia compatível com Apple CarPlay e Android Auto, computador de bordo com tela TFT de 4,2 polegadas, retrovisores com rebatimento elétrico, faróis com luzes diurnas de LED e acendimento automático, rodas de liga leve de 16 polegadas, entre outros.

Corolla XEi 2.0 flex CVT (R$ 110.990): itens do GLi, mais paddle shift, modo Sport, espelho interno eletrocrômico, chave presencial, botão de partida do motor, faróis de neblina em LED, controle de cruzeiro, ar-condicionado digital e rodas aro 17”.

Corolla Altis Premium 2.0 flex CVT (R$ 124.990): equipamentos do XEi, rodas de 17 polegadas com acabamento diamantado, faróis e lanternas traseiras em LED com acendimento automático, assistências de condução Toyota Safety Sense e Pacote Premium (ar-condicionado digital de duas zonas, bancos revestidos de couro bege e preto, teto solar elétrico e sensor de chuva).

Corolla Altis Hybrid 1.8 flex CVT (R$ 124.990): itens da Altis 2.0 flex, com exceção do Pacote Premium.

Corolla Altis Hybrid Premium 1.8 flex CVT (R$ 130.990): equipamentos da versão Altis 2.0 flex Premium.

FICHA TÉCNICA

 
Corolla XEi 2.0
Corolla Altis Hybrid
CarroceriaMonobloco em aço, quatro portas, cinco lugaresMonobloco em aço, quatro portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção direta e indireta de combustível, duplo comando variável de válvulas na admissão e escape acionado por corrente, a gasolina e/ou etanol Dianteiro, transversal, injeção multiponto, duplo comando variável de válvulas na admissão acionado por corrente, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4 em linha4 em linha
Número de válvulas1616
Taxa de compressão13:113:1
Cilindrada1.986 cm³1.798 cm³
Potência (gasolina/etanol)169/177 cv a 6.600 rpm 98/101 cv a 5.200 rpm
Torque21,4 kgfm a 4.400 rpm14,5 kgfm a 3.600 rpm
Motores elétricosn/d72 cv e 16,6 kgfm
Potência combinadan/d123 cv
Torque combinadon/dAprox. 20 kgfm
TransmissãoAutomática CVT com simulação de 10 marchas acoplada por conversor de torqueAutomática CVT acoplada por planetária
TraçãoDianteiraDianteira
DireçãoElétricaElétrica
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBDDiscos sólidos com ABS e EBD
Suspensão dianteiraIndependente McPhersonIndependente McPherson
Rodas e pneusLiga leve de 17 polegadas/225/45 R17Liga leve de 17 polegadas/225/45 R17
Altura1,45 m1,45 m
Comprimento4,63 m4,63 m
Largura (com espelhos)1,78 m (2,07 m)1,78 m (2,07 m)
Entre-eixos 2,70 m2,70 m
Vão livre do solo14,8 cm14,8 cm
Volume do porta-malas470 litros470 litros
Tanque de combustível50 litros43 litros
Peso em ordem de marcha1.405 kg1.440 kg
Aceleração de 0 a 100 km/h 9,6 segundos11 segundos
Velocidade máxima199 km/h180 km/h

Viagem e teste-drive a convite da Toyota
Fotos: Divulgação

Sobre o autor

Editor. Começou a trabalhar no Carsale em 2012, mas gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas se diverte da mesma forma quando avalia um utilitário no fora-de-estrada ou acelera um superesportivo num autódromo.