Image

500 não repete o Fusca, e futuro da Fiat nos Estados Unidos é incerto

07

ago
2019

A viabilidade da Fiat nos Estados Unidos está em xeque pouco menos de uma década depois de sua volta ao mercado daquele país, dizem especialistas. Alguns já falam abertamente sobre o provável encerramento das operações da marca italiana nos EUA.

A Fiat voltou a operar no mercado americano em 2010, e atualmente controla o portfólio de Jeep, Chrysler, Dodge e Ram por meio da FCA (Fiat Chrysler Automobiles). Nenhuma dessas marcas está sob risco — na verdade, Jeep e Ram vêm obtendo excelentes resultados. O problema é a Fiat em si.

As vendas da marca italiana em 2018 ficaram em torno de 15 mil unidades, uma queda brutal na comparação com o pico de emplacamentos obtido em 2014, de 46 mil carros (que, convenhamos, já não foi grande coisa). Os produtos oferecidos nos EUA são a gama do 500 (três modelos), o roadster 124 Spider (variação do Mazda MX-5 Miata) e as versões esportivas Abarth. Todos possuem motores turbo e prometem alta eficiência energética.

Sergio Marchionne, CEO da FCA morto em 2018, esperava que o pequenino 500 tivesse um impacto no mercado dos EUA comparável ao do Volkswagen Beetle (o antigo) no século passado — não em quantidade de vendas, mas em termos de posicionamento de produto. Seria um modelo supercompacto, charmoso e “de imagem”, como se diz no Brasil. Sua viabilidade comercial seria obtida criando um nicho do mercado.

Não deu certo.

Analistas da indústria automotiva consultados pela rede CNBC concordam que nem mesmo uma retomada das vendas para algo em torno de 25 mil emplacamentos anuais deve ser suficiente para salvar a Fiat nos EUA.

Anúncio americano do Fiat Rally: "Italiano não faz carro chato"

Anúncio americano do Fiat Rally: “Italiano não faz carro chato”

A cartada final, dizem, seria dedicar-se 100% aos carros elétricos (a Fiat já oferece o 500e, variação eletrificada do carrinho que você vê na foto do alto desta página, por impensáveis US$ 33.460). Mas isso é otimismo demais, especialmente num mercado em que a procura por crossovers e SUVs já ameaça até os intocáveis sedãs.

A talvez iminente implosão da Fiat nos EUA (repetimos: não se trata da FCA, e sim da marca italiana) faz com que o argumento de um executivo ouvido pela CNBC soe quase patético: em busca do mercado perdido, ele citou o recente lançamento do 500X — variação crossover do 500L, por sua vez uma variação aumentada do 500 — como uma oportunidade de crescimento no segmento mais quente nos EUA atualmente.

Acredite, se quiser.

Claudio de Souza é jornalista desde 1994 e atua no setor automotivo desde 2007. Ex-editor de UOL Carros e Carro Online, ele recebeu o prêmio SAE de jornalismo online em 2011. Em sua visão, carro tem de ser bom, e não apaixonante. Baseado nos Estados Unidos, discute nesta coluna os assuntos globais da indústria e do mercado.
Contato: 
claudio.souza@carsale.com.br

Tags