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Volkswagen Jetta 1.4 pode ser caro saindo da fábrica, mas usado é bom negócio

19

jul
2019

Em abril deste ano, usei por uma semana o novo Volkswagen Jetta em sua versão de entrada, a 250 TSI. Demorei tanto tempo para escrever sobre o carro, que de lá para cá muitas outras coisas aconteceram. Por exemplo, até aquele momento, somente o motor 1.4 estava disponível para o modelo. Agora temos também um “super” Jetta com motor 2.0, apresentado no mês passado e atual queridinho de todos da imprensa.

Outro ponto é que eu não conhecia muito bem o Chevrolet Cruze 1.4, um de seus principais concorrentes. Mas, também no mês passado, tive a oportunidade de avaliar um Cruze na versão LTZ, para um cliente de Brasilia (DF), e isso foi fundamental para enriquecer ainda mais as percepções que eu tive do Jetta em abril.

Por fim, o motivo que fez eu segurar mais um pouco para falar do carro foi que, quando eu estava prestes a escrever essa coluna, em maio, meus amigos do Carsale soltaram um comparativo desse Jetta com o Honda Civic. Decidi segurar um pouco, e valeu a pena. Hoje, depois de tudo o que aconteceu, sou ainda mais fã desse Jetta de entrada.

Vale dizer que eu estava ansioso para testar o carro, assim como estava para testar o Cruze. Ambos possuem um conjunto de motor e câmbio que tenho apreciado bastante, a ponto de considerar como uma futura compra pessoal.

Logo que peguei o Jetta 250 TSI, fiquei bem decepcionado com a simplicidade do carro. Foi difícil enxergar o valor de R$ 100 mil num sedã médio com bancos de tecido similares ao de um up! ou Gol, e a falta de inúmeros mimos disponíveis em outros carros da categoria. Mas precisei de poucos minutos para perceber que o Jetta é mais que isso.

Ele me “vestiu bem” com sua posição de dirigir perfeita, e aos poucos foi me ganhando. Nas acelerações e retomadas, ficou claro que esses pequenos motores turbos são os melhores. É covardia compará-los com os 2 litros aspirados de Civic, Corolla, Sentra e afins. Não me importam os números de desempenho que as fichas técnicas apresentam. Estou falando da sensação que ele passa e do sorriso que brotava em meu rosto cada vez que eu sentia meu corpo sendo empurrado para o banco.

Esse cara está falando de uma Ferrari?
É o que você deve estar pensando — mas não, meu caro amigo. Sei que é um simples Jetta de 150 cv, porém garanto que o desempenho dele é perfeito para qualquer situação, inclusive com um porta malas de 510 litros para viajar com a família no final de semana, coisa que a Ferrari não consegue.

Já guiei carros bem mais rápidos e divertidos, mas que no mundo real (esse das ruas, avenidas e estradas, e não o dos autódromos) nunca são explorados ao máximo. Já esse pequeno motor turbinado entrega todo seu generoso torque de 25,5 kgfm em baixas 1.400 rpm, ou seja, anda-se quase que todo o tempo com o torque máximo, seja para comprar pão na padaria ou no pesado trânsito das grandes cidades.

Na hora de abastecer, outra alegria para o bolso, já que essa família de motores TSI da VW é bem eficiente. Comigo, nem tanto: confesso que acelerei mais do que deveria nos 7 dias que fiquei com o carro, mas tenho certeza de que, se guiasse de forma mais tranquila (como geralmente faço no meu carro), o consumo teria sido bem melhor. A suspensão eu achei dura demais, não tanto como a do meu Nissan Sentra 2008 — mas mais do que eu gostaria.

Esse carro ficou bonito
Gosto do design dos sedãs, já falei disso várias vezes. E o do Jetta me agradou bastante. Sempre que descia para a garagem de casa, admirava sua beleza. Incrível como ele parece com o Virtus, principalmente visto por trás. Cansei de confundi-los nas ruas. Mas enquanto no Virtus falta harmonia nas linhas, no Jetta tudo está como deve ser.

Claro que não é nenhum Alfa Romeo 164, sedã hors concours no quesito beleza, mas por vezes eu desejei ser o dono dele. Por dentro… bem, por dentro ele fica no zero a zero. Tolerável, já que, no dia que a VW fizer algo diferente nos interiores dos seus carros, é porque foi comprada pela Citroën.

Tem tudo que eu preciso
Tem ar condicionado de duas zonas para não ter mais briga com a esposa, tem controlador de velocidade que evita que eu leve multa, tem multimídia com espelhamento do celular com controles no volante, e pneus com perfil alto para encarar melhor a buraqueira. Pneus com perfil alto? É, acho que estou ficando velho… Daqui a pouco vou dizer que freio a tambor na traseira é melhor porque a manutenção é barata.

Como ainda não cheguei nesse nível, ponto para o Jetta, que tem disco nas quatro rodas. Quanto à segurança, andam dizendo que essa plataforma MQB é das melhores. Eu acredito. Além disso, estão lá os vários airbags espalhados pelo carro e controles de estabilidade e tração.

Pechincha por R$ 100 mil?
Não! Eu não comprei o Jetta, a VW que emprestou. Não posso esquecer disso. Pensando como o comprador que precisou descapitalizar R$ 100 mil na compra, tinha de ter mais capricho e refinamento nesse VW. O pobre tecido poderia ser substituído por um agradável veludo, tal como era no saudoso Santana GLS. O volante sem revestimento de couro é inaceitável, já que até o up! tem.

A ausência de luzes nos espelhos de cortesia faz eu pensar que estou num Voyage, mas aí eu lembro que o Voyage tem essas luzes e fico sem entender a coerência da VW. Também senti falta da câmera de ré e do rebatimento elétrico dos retrovisores, útil nesses sedãs médios. 

E as outras versões?
Rodas maiores, revestimento que imita couro, câmera de ré, retrovisor interno fotocrômico, faróis de neblina, GPS e chave de presença são os itens da versão Comfortline. Pouca coisa pelos R$ 10 mil a mais. Esses itens, mais controlador de velocidade adaptativo, painel digital, bloqueio eletrônico do diferencial, farol com regulagem de luz alta e sistema de monitoramento frontal são os itens adicionais da versão R-Line. Equipamentos bacanas, mas que eu não enxergo custarem mais R$ 20 mil. 

Tudo isso, mais bancos dianteiros com aquecimento e climatização, sendo o do motorista com ajuste elétrico e memória, aquecimento e memória nos retrovisores elétricos, rodas maiores, sistema de som premium da Beats, motor 2.0 com 230 cv, câmbio automatizado de dupla embreagem e suspensão traseira multilink são acrescentados na versão GLI. Woow, até parece outro carro, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Eu quero! Mas aí eu vejo que são R$ 45 mil extras — e desisto.

Pois bem: você pode até achar caro os R$ 100 mil da versão de entrada do Jetta, mas me parece ser a mais racional.

Vai ser meu próximo carro?
Só se for usado. Aliás, vamos deixar a formalidade de lado. Esses R$ 100 mil pedidos pelo Jetta 250 TSI no site da Volkswagen é só um valor sugerido. Cansei de receber propagandas de concessionárias vendendo esse mesmo carro por valores abaixo de R$ 90 mil.

Isso impacta diretamente no mercado de usados, que puxa os valores dos usados ainda mais para baixo. É possível levar para casa um Comfortline 2016 por menos de R$ 70 mil. É da geração anterior, mas dependendo do ponto de vista é até melhor: a suspensão traseira é multilink, tem saída de ar condicionado para o banco traseiro e, com sorte, dá para levar um mais completo, com couro e teto solar.

O motor e câmbio são os mesmos, só não é flex, o que não é um problema para mim. Temos um forte candidato para morar na Garagem do Caçador.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página do Felipe no Facebook.