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No Brasil e nos EUA, câmbio do Jetta GLI vai na contramão da preferência local

30

mai
2019

A Volkswagen está apostando alto na nova versão GLI do Jetta, seu sedã médio recentemente reformulado. As vendas começam em junho, com preço estimado em R$ 150 mil (o Jetta de entrada custa R$ 99.990).

A assessoria da montadora fez uma lista intitulada “Dez coisas que você precisa saber sobre o Jetta GLI” e a enviou aos jornalistas nesta quinta-feira (30). Entre elas, afirma que o carro faz parte da “ofensiva de sedãs” da marca no Brasil (iniciada com o Virtus e continuada pelo Voyage com câmbio automático), e é o 13º lançamento entre os 20 prometidos até 2020.

Volkswagen Jetta GLI

Volkswagen Jetta GLI

Uma “coisa” que não foi citada pela Volks é a existência de três Jetta GLI nos Estados Unidos: a edição de 35º aniversário, ou 35th Anniversary Edition, intermediária (US$ 26.995); a GLI S, de entrada (US$ 25.990); e a GLI Autobahn, cujo nome homenageia as estradas alemãs de alta velocidade e vem mais equipada — tem, por exemplo, teto panorâmico (US$ 29.195).

As três oferecem de série câmbio manual de seis marchas, coerente com a proposta mais esportiva do modelo. Caso o cliente americano prefira uma transmissão automática, a opção é o câmbio DSG automatizado de dupla embreagem e sete marchas, com trocas manuais sequenciais. Custa US$ 800 extras.

No Brasil, porém, o Jetta GLI chegará importado do México com pacote semelhante ao do 35th Anniversary americano, mas somente com o câmbio automático DSG de seis marchas. Combinada ao motor 2.0 TSI (turbo) de 230 cv, essa transmissão repete o trem-de-força utilizado no Golf GTI e completa a gama de propulsores do Jetta no país (até agora havia apenas o motor 1.4 turbo, rebatizado de 250 TSI, de 150 cv).

O propulsor, segundo dados de fábrica, leva o sedã de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos e à velocidade máxima de 250 km/h. As suspensões traseiras são independentes do tipo multibraços, em vez do sistema de eixo de torção das demais versões.

É possível que alguns consumidores brasileiros em busca de esportividade na condução fiquem decepcionados com a ausência total de câmbio manual no Jetta GLI local.

Interessante que, nos EUA, a Volks teve de abusar da criatividade para convencer os locais de que trocar marcha no muque é algo bacana — por lá, carro manual é exceção. Assim, nesses dois mercados, o sedã pegou a contramão dos gostos locais no que se refere ao câmbio.

Mas a lista de equipamentos de série é indiscutivelmente boa: Active Info Display (painel digital), volante multifuncional em couro com shift paddles, bancos de couro (dianteiros com regulagem elétrica e sistema de aquecimento, além de três memórias para o do motorista), sistema de som Beats, seleção do perfil de condução, iluminação ambiente com dez tonalidades, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem automática de emergência, Sistema de Frenagem Pós-Colisão, Função de Frenagem de Manobra (RBF) e regulagem automática do farol alto (FLA) — entre (muitos) outros itens.

Além disso, o visual é agressivo, com grade dianteira em padrão colmeia, faróis em LED, defletor de ar na tampa do porta-malas, rodas de 18 polegadas e detalhes em vermelho — cor associada às gamas esportivas da Volks.

COMO CHAMA — O mais curioso na lista a respeito do Jetta GLI enviada pela Volks, porém, são dois tópicos que tratam do nome da versão. Ei-los, na íntegra:

– A nomenclatura GLI nasceu nos anos 80, nos Estados Unidos, como parte da estratégia de esportivos da Volkswagen no mundo, e se refere aos modelos de topo de gama, trazendo todo o apelo dos modelos GTI à classe refinada dos sedãs. Daí a origem do nome Gran Luxury Injection (GLI). É a primeira vez que a Volkswagen oferece no Brasil o Jetta GLI.

– Se você é brasileiro(a) e tem mais de 30 anos, muito provavelmente já ouviu falar nas siglas GT ou GTS. O GLI tem tudo para ser a reconexão da Volkswagen com aquele consumidor brasileiro que sonhava em ter um esportivo nos anos de 1980 e 1990.

Vale um registro em relação ao primeiro ponto: o Jetta GLI é inédito no Brasil, mas já existe há 35 anos — e, como dito acima, o ano-modelo 2019 está sendo promovido nos EUA destacando a efeméride. Já quanto às siglas, basicamente usa-se o L em vez do T porque esta última é associada aos hatchbacks (via Gran Turismo).

Imagens: divulgação