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Honda HR-V Touring 1.5 turbo anda bem, mas será que vale R$ 140 mil?

30

mai
2019

Lançada no começo do mês, a linha 2020 do Honda HR-V adicionou alguns equipamentos de série às versões já existentes do SUV e ressuscitou a configuração topo de linha Touring, agora equipada com o aguardado motor 1.5 turbo já usado no Civic. A novidade conta também com itens exclusivos na gama, mas será que isso é suficiente para convencer alguém a desembolsar R$ 139.900 por um HR-V? Na ponta do lápis, ele é R$ 28 mil mais caro que o HR-V EXL 1.8.

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Baseado na plataforma do Fit, o HR-V estreou no Brasil em 2015 e liderou o segmento de SUVs compactos em 2016 e 2017, porém, ainda figura entre os modelos mais vendidos da categoria. Segundo a Honda, cerca de 218 mil unidades do HR-V foram comercializadas no país desde o lançamento, colocando-o como o carro mais vendido da marca nos últimos quatro anos.

Já a versão Touring retorna com uma proposta mais sofisticada, oferecendo alguns equipamentos até então inéditos no HR-V brasileiro, como o teto solar panorâmico e a câmera instalada no retrovisor do lado direito (LaneWatch), que mostra na tela da central multimídia se há algum veículo na área de ponto cego do espelho. Além dos faróis com acendimento automático, o HR-V Touring adota a tecnologia full LED nas luzes de neblina e na iluminação da cabine.

O acabamento interno também é diferente das demais versões, ganhando refinamento ao lançar mão do revestimento de couro cinza com costuras duplas nos bancos e na faixa central do painel.

O sistema AHA de vetorização de torque também vem do Civic Touring. O recurso de segurança mantém o carro na trajetória atuando na frenagem da roda dianteira do lado interno da curva ao detectar uma saída de frente.

Sem opcionais, o pacote de série conta ainda com seis airbags, controles de estabilidade e tração, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, central multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas compatível com os sistemas Android Auto e Apple CarPlay, câmera de ré, chave presencial, espelho interno antiofuscante, sensor de chuva, além do conhecido sistema Magic Seat de rebatimento do banco traseiro.

Cabine do Honda HR-V Touring pode receber revestimento em couro cinza

Esteticamente, o HR-V Touring muda bem pouco. Tirando as ponteiras duplas de escape, o emblema “Turbo” na tampa traseira e a antena modelo barbatana de tubarão, o modelo é praticamente idêntico às outras configurações. Bem que a Honda poderia seguir o exemplo do HR-V europeu e adotar um jogo de rodas exclusivo, preferencialmente de 18 polegadas, para dar um toque a mais de exclusividade à versão.

Entretanto, o que interessa mesmo no HR-V Touring é o que ele leva sob o capô. Para adotar a motorização turbo, não bastou para Honda apenas pegar o que estava na prateleira e instalar no SUV. Algumas modificações tiveram de ser feitas para administrar o ganho de potência sem interferir no conforto e na versatilidade.

Motor 1.5 turbo a gasolina entrega 173 cv de potência e 22,4 kgfm de torque

Enquanto o motor 1.5 turbo do Civic Touring vem dos Estados Unidos, a unidade que equipa o HR-V Touring é importada do Japão por conta das peculiaridades dos projetos de cada modelo. Rodrigo Leite, assessor de imprensa da Honda, explica que o coletor de admissão do propulsor usado no HR-V possui caixas de ressonância maiores devido à sobra de espaço no compartimento do motor. A frente mais baixa e comprida do Civic exige um componente com desenho específico.

Movido apenas a gasolina e capaz de render 173 cv de potência a 5.500 rpm e 22,4 kgfm de torque entre 1.700 e 5.500 rpm, o motor turbo utiliza um escapamento próprio feito em aço inoxidável para maior eficiência térmica. O sistema com duas saídas e um abafador redimensionado exigiu uma adaptação no assoalho do porta-malas, que ficou mais raso e teve a capacidade reduzida de 437 litros para 393 litros.

Abafador do escape com saída dupla reduziu o espaço do porta-malas em 44 litros

A Honda não divulga dados de desempenho, mas o HR-V Touring é consideravelmente mais ágil que os irmãos com motor 1.8 aspirado. As acelerações são mais progressivas graças ao torque máximo presente em uma faixa de rotações ampla para o uso cotidiano, conferindo boa elasticidade em praticamente qualquer circunstância. A maior parte do teste foi feita em rodovias, onde foi possível submeter o SUV a diversas retomadas de velocidade. Nessa condição, o câmbio CVT – herdado do Civic Touring para suportar a potência maior – trabalha prontamente para reduzir as marchas virtuais e aproveitar a força do motor até o carro embalar novamente.

Ainda não levamos o SUV para os testes de consumo e desempenho aferidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, mas estimamos que o HR-V Touring cumpra a prova de aceleração até os 100 km/h na casa dos 8 segundos. O consumo médio de gasolina declarado pela Honda é de 13 km/l, considerando os dados do Inmetro.

Na prática, o funcionamento dessa transmissão é mais linear que o da caixa das versões aspiradas, e a simulação das sete marchas é bem parecida com as trocas de um câmbio automático com conversor de torque. Comparando com o Civic, a calibração usada no HR-V Touring parece mais “amarrada” pela frequente atuação do freio-motor, justamente para poupar os freios em descidas e desacelerações devido os 54 quilos extras do SUV em relação ao sedã.

Ao contrário do que uma motorização turbo pode sugerir, o HR-V Touring não é um carro de pegada esportiva. Apesar da suspensão recalibrada com amortecedores e molas mais firmes e barra estabilizadora dianteira reforçada, o SUV tem um comportamento que prioriza o conforto. E essa sensação fica mais nítida com as melhorias acústicas, que filtram praticamente todo o barulho do motor, mesmo quando ele é mais exigido. Rodando na estrada, por exemplo, ouve-se apenas os ruídos do vento e da rolagem dos pneus sobre o asfalto.

Teto solar panorâmico é exclusivo da versão Touring

A chegada de novos concorrentes provavelmente serviu de estímulo para a Honda oferecer um motor mais moderno e eficiente, entre outros equipamentos, em seu modelo mais vendido no país. No entanto, a fabricante vacila no posicionamento de preço, colocando o HR-V Touring em uma margem muito próxima a de SUVs de categorias superiores, como Jeep Compass, Volkswagen Tiguan, Peugeot 3008 e até mesmo Chevrolet Equinox. Já que é para cobrar tão caro, a marca japonesa poderia adicionar as assistências de condução do pacote Honda Sensing, que estrearam por aqui no Accord e estão presentes no HR-V vendido nos Estados Unidos, Europa e Japão. O painel com visor digital, também disponível no exterior, e uma central multimídia com interface mais moderna também seriam bem-vindos.

A Honda já trabalha prevendo uma participação pequena da versão Touring no mix de vendas do HR-V. Tanto que preferiu não adaptar o motor turbo para rodar com etanol por considerar que o investimento seria alto demais para a baixa demanda.

Teste-drive a convite da Honda
Fotos: Caio Mattos (Divulgação)

Ficha técnica
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, turbocompressor, injeção direta de combustível, duplo comando variável de válvulas na admissão e escape acionado por corrente, a gasolina
Número de cilindros4 em linha
Número de válvulas16
Taxa de compressão10,6:1
Cilindrada1.498 cm³
Potência 173 cv a 5.500 rpm
Torque22,4 kgfm entre 1.700 e 5.500 rpm
TransmissãoAutomática CVT com simulação de sete marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson com molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo de torção com molas helicoidais
Pneus e rodas215/55 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados de 293 mm com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos de 282 mm com ABS e EBD
Tanque de combustível 51 litros
Volume do porta-malas 393 litros
Altura1,65 m
Comprimento4,32 m
Largura1,77 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,61 m
Altura livre do solo17,7 cm
Peso em ordem de marcha1.380 kg
Garantia de fábrica3 anos sem limite de quilometragem
RevisõesCada 10.000 km ou 1 ano (o que ocorrer primeiro)

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Sobre o autor

Editor-assistente. Gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas sempre se diverte quando precisa avaliar um utilitário no fora-de-estrada ou acelerar um superesportivo num autódromo.