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Nissan aposta no Leaf para ganhar a guerra do carro que não polui

27

mai
2019

A guerra pela liderança no novo mundo de carros não poluentes começou para valer no Brasil. A Nissan aposta no líder global do mercado de elétricos, o Leaf, para tentar sair na frente dos rivais Chevrolet Bolt, Renault Zoe e JAC iEV 40.

O hatch médio da marca japonesa começará a ser entregue aos clientes somente em junho, mas o Carsale teve a oportunidade de dirigir o modelo pelas ruas de São Paulo no último sábado (25), numa carreata que marcou o Dia da Mobilidade Elétrica — a Nissan é uma das patrocinadoras.

Antes do passeio com os demais modelos, o Carsale buscou o Leaf em uma concessionária na região sul da capital paulista e o dirigiu por alguns quilômetros, sem ter de seguir as regras do evento. O pacote de equipamentos ainda é uma dúvida, mas o preço está definido: R$ 178.400.

O Leaf usa um motor elétrico com interessante potência 149 cv, mas o grande destaque é o torque. São 32,6 kgfm entregues instantaneamente, característica comum dos elétricos. Com isso, apesar de seus 1.500 kg, o hatch médio acelera de 0 a 100 km/h em apenas 7,9 segundos. A velocidade máxima, porém, é relativamente baixa: 144 km/h.

Dirigir o Leaf na estrada e/ou com acelerações frequentes leva a uma autonomia de 240 km com uma carga de bateria, mas é possível alcançar 389 km graças a algumas tecnologias embarcadas.

A primeira delas é o freio regenerativo, que recupera parte da energia dispersada na frenageme a utiliza para recarregar a bateria (por isso o carro elétrico tem autonomia maior em trajeto urbano, em que se freia mais vezes). Há ainda o e-Pedal: o motorista pressiona apenas o acelerador, e quando quiser frear tira o pé. A frenagem inicia automática e gradualmente.

Por fim, há os modos de condução: o Eco diminui a entrega de potência, altera a resposta do acelerador e gerencia o ar-condicionado; e o Battery aumenta o poder de frenagem, o que gera maior recuperação de energia.

Apesar de não ter passado por recalibração da suspensão para enfrentar as esburacadas ruas brasileiras, o Leaf se saiu bem rodando em São Paulo. É necessário um buraco considerável para chegar ao fim do curso da suspensão. Aliás, o trabalho da suspensão é muito bom em curvas, mesmo se tratando de eixo de torção na traseira.

Em termos de carregamento, o Leaf pode ser carregado em tomadas comuns, mas leva 7 horas e 30 minutos para completar a carga. Com o carregador rápido oferecido pela Nissan, são necessários apenas 40 minutos.

Mas, pensando no mercado brasileiro, será que o carro elétrico é a melhor aposta?

Esse tipo de propulsão ainda é muito caro, mesmo fora do país. A própria Nissan tem duas outras tecnologias que poderiam ser aplicadas com menor custo e maior possibilidade de sucesso: a Nissan e-power, que associa o motor a combustão com um elétrico, mas sem necessidade de tomadas; e a célula de combustível de etanol para gerar eletricidade (chamada de SOFC).

Quem ganhará a corrida do “carro verde” no Brasil? Provavelmente a marca que conseguir oferecer uma solução de propulsão eficiente, com autonomia de um carro popular flex — e preço mais realista.

Imagens: divulgação

Sobre o autor

Jornalista e palmeirense, Renan Rodrigues de Oliveira, em alusão ao colega de profissão Nelson, prefere usar o primeiro sobrenome. Versátil, Renan fotografa, filma, ilustra, edita vídeo e áudio e se arrisca nas redes sociais. Acompanha em cima os lançamentos do mundo automotivo, prefere os compactos com vocação esportiva, mas pilota até carrinho de mão, se necessário.