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Fiat Chrysler propõe fusão com a Renault; governo da França já deu OK

27

mai
2019

A montadora Renault disse nesta segunda-feira (27) que está analisando uma proposta de fusão feita pela FCA (Fiat Chrysler Automobiles). A empresa resultante, cujo valor de mercado já é estimado em US$ 39 bilhões, teria o controle acionário repartido exatamente ao meio: 50% para o grupo francês, 50% para o ítalo-americano.

Caso a fusão ocorra, estará criado o terceiro maior grupo automotivo do planeta, atrás de Volkswagen e Toyota e desbancando a General Motors. A soma das vendas globais de Renault e FCA, atualmente, chega a 8,7 milhões de veículos por ano.

A proposta da FCA tem relação direta com a transição tecnológica do motor a combustão ao motor elétrico. A Fiat e as marcas ligadas à Chrysler (Jeep, Dodge, Ram) estão relativamente atrasadas na corrida pela propulsão elétrica, enquanto a Renault — e sua parceira Nissan — têm produtos já consolidados, como Zoe, Twizy e Leaf.

Não está claro como a fusão com a FCA afetaria a aliança da Renault com a Nissan e a Mitsubishi, mas o governo da França, que detém 15% das ações da montadora, já deu sinal verde para a fusão.

Uma eventual fusão da FCA com a Renault daria razão (ainda que de forma póstuma) a Sergio Marchionne, o ex-CEO que morreu em 2018. Ele sempre defendeu a necessidade de união da ítalo-americana com alguma concorrente — inclusive para enfrentar a provável entrada de gigantes da tecnologia, como Google e Uber, no mercado automotivo. Marchionne chegou a iniciar uma conversa com a GM, sem sucesso.

A fusão também ajudaria a minorar a crise causada pela queda e prisão de Carlos Ghosn, ex-líder da aliança Renault-Nissan. Nesta segunda, as ações de Renault e FCA dispararam 15% e 11%, respectivamente, na bolsa europeia. E há ainda o lado político: partidos nacionalistas e antieuropeus (no sentido de serem contra a União Europeia) venceram as eleições para o parlamento continental na França e na Itália; por isso, o governo francês (que defende a UE, ao contrário do italiano) tem todo interesse em criar um gigante industrial de nacionalidade difusa.