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Dirigimos o novo Jeep Wrangler Rubicon, que chega no segundo semestre

05

abr
2019

A Jeep aproveitou o 4 de abril, data em que é comemorada o dia do 4×4, para apresentar o novo Wrangler à imprensa e convidados em um evento em São Paulo. Mostrada na última edição do Salão do Automóvel, a quarta geração do modelo mais icônico da marca já está em pré-venda nas versões de duas portas Sahara (R$ 259.990) e quatro portas Sahara Overland (R$ 274.990). O Carsale teve a oportunidade de dar uma volta na variante Rubicon, confirmada para desembarcar pela primeira vez por aqui, importada dos Estados Unidos, somente no segundo semestre.

Diferentemente da pegada mais urbana da versão Sahara, o Wrangler Rubicon conta com uma série de recursos para enfrentar os obstáculos mais severos no off-road. As rodas de liga leve de 18 polegadas calçadas em pneus para asfalto dão lugar a um conjunto aro 17” com pneus todo-terreno BFGoodrich Mud Terrain de 33”, enquanto os eixos reforçados Dana comportam os bloqueios dos diferenciais dianteiro e traseiro (na Sahara é apenas traseiro) e a barra estabilizadora pode ser desacoplada ao toque de um botão no console central.

O sistema de tração 4×4 Rock Track do Wrangler Rubicon também é diferente (no Sahara é chamado de Command Track), mas todas as versões possuem o até então inédito diferencial central, uma das principais novidades da nova geração do jipe.

Outra inovação é a troca do motor Pentastar 3.6 V6 aspirado (285 cv a 6.350 rpm e 35,4 kgfm a 4.300 rpm) pelo 2.0 turbo de quatro cilindros, também movido a gasolina. O novo propulsor entrega 271 cv de potência a 5.250 rpm e 40,7 kgfm de torque a 3.000 rpm, combinado ao câmbio automático de oito marchas que substitui a antiga caixa automática de cinco velocidades.

Por fora, o Wrangler manteve o visual retilíneo inspirado no antigo Willys MA, criado em 1941 para servir o Exército Americano na Segunda Guerra (1939-1945) – caracterizado pelos faróis redondos (agora de LED), grade frontal com sete fendas e para-lamas dianteiros salientes.

Mas onde não se vê, o Wrangler foi completamente reformulado, apostando no uso de alumínio na carroceria para reduzir o peso em cerca de 100 kg, apesar do ganho de equipamentos e de reforços estruturais no chassi de longarinas de aço.

A possibilidade de retirar o teto e as portas e rebater o para-brisa sobre o capô foi mantida nesta geração. O Wrangler pode ser “despido” para deixar o uso recreativo ainda mais radical. Se molhar o interior ao atravessar um alagamento, basta escoar a água abrindo os drenos no assoalho.

Mesmo com tantas mudanças, o Wrangler manteve a valentia de sempre. A eletrônica atuando na tração e nos recursos off-road tornaram a tarefa de subir pirambeiras e atravessar um pequeno trecho enlameado em um agradável passeio até mesmo para os motoristas menos familiarizados com trilhas. Basta acionar os modos de tração na pesada alavanca no console central para transformar o Wrangler em uma máquina capaz de superar praticamente qualquer desafio

Nesta geração, o Wrangler pode rodar no asfalto com o 4×4 (4H Auto) acionado graças ao diferencial central, que varia a entrega de torque para os eixos conforme a demanda. Nas gerações anteriores isso não era possível pelo risco de danos ao sistema de tração, uma vez que as rodas giravam na mesma velocidade em curvas.

O jipão ainda pode rodar somente com tração traseira (2H), com o diferencial central bloqueado para dividir em igualmente a força do motor para cada eixo (4H part-time), neutro (N) e 4×4 reduzida (4L).

Outra novidade bastante interessante é o sistema que desconecta a barra estabilizadora e aumenta a articulação e o curso da suspensão nos obstáculos. É notório como o Wrangler fica mais ágil e confortável para vencer erosões com o recurso ativado.

Já o motor turbo é outra inovação que fez bem ao jipe, disponibilizando bastante torque com pouca aceleração. Diferentemente do antigo V6, que entregava força a rotações mais altas, o novo propulsor deixou a condução mais agradável. Basta relar no pedal do acelerador para o Wrangler “escalar” os obstáculos.

O consumo médio de gasolina do Wrangler Rubicon divulgado nos Estados Unidos é de 7,2 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada.

Apesar do jeitão rústico, o novo Wrangler mostra algum capricho no acabamento com materiais macios ao toque nas portas e sobre o painel em posição bem vertical. Os bancos de couro são confortáveis, mas a regulagem dos encostos dianteiros, feita por uma alça de tecido, é um pouco complicada no primeiro contato com o jipe.

Outro toque de sofisticação é a tela digital com 100 modos de configuração no painel de instrumentos. A central multimídia UConnect com visor de 8,4” e câmera de ré, além de ser compatível com smartphones Android e Apple, mostra todas as funções dos sistemas off-road (tração selecionada, bloqueios de diferencial, acoplamento da barra estabilizadora, inclinação do veículo, etc).

A Jeep ainda não divulgou todas as informações e o preço estimado do Wrangler Rubicon que será vendido no Brasil, mas é praticamente certo que ele adicionará equipamentos sobre o pacote de série da versão Sahara Unlimited: ar-condicionado automático, direção eletro-hidráulica, bancos, volante e manopla do câmbio revestidos em couro, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, volante multifuncional e central multimídia UConnect.

Na parte de segurança, há airbags frontais e laterais dianteiros, freios com ABS, controles de estabilidade, tração, anticapotamento e de oscilação da carroceria, auxílio de frenagem em descida, monitor de ponto cego, sensores de estacionamento traseiros e sistema Isofix para a ancoragem de cadeirinhas infantis no banco traseiro.

Apostamos que o Wrangler Rubicon chegará custando por volta de R$ 300 mil como mais uma opção ao carro de imagem da Jeep – nos Estados Unidos ele custa o equivalente a R$ 160 mil em conversão direta. Em nosso mercado, o modelo serve para reforçar o DNA fora-de-estrada da marca, o que a ajuda a vender cada vez mais os SUVs Renegade e Compass. Em março, a Jeep foi responsável por 24,9% de participação no segmento de utilitários esportivos no Brasil (o melhor market share da marca no mundo). No primeiro trimestre de 2019, ela ficou com 23,5% das vendas de SUVs no país – à frente de Hyundai e Honda, que juntas somaram 23,2%.

Teste-drive a convite da Jeep
Fotos: Divulgação

Ficha técnica
 
CarroceriaEm aço e alumínio, cinco portas, cinco lugares, sobre chassi de longarinas de aço
MotorDianteiro, longitudinal, turbo, intercooler, injeção direta, duplo comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada, a gasolina
Número de cilindrosquatro em linha
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10:1
Cilindrada1.995 cm³
Potência 270 cv a 5.250 rpm
Torque40,7 kgfm a 3.000 rpm
TransmissãoAutomática de oito marchas
TraçãoTraseira e 4x4 com reduzida
DireçãoEletro-hidráulica
Suspensão dianteiraEixo rígido com molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo rígido com molas helicoidais
Pneus e rodas 285/70 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBD
Volume do tanque de combustível 81 litros
Volume do porta-malas498 litros
Altura1,87 m
Comprimento4,78 m
Largura1,87 m (sem espelhos)
Entre-eixos 3,00 m
Peso em ordem de marcha2.019 kg
Carga útil601 kg
Vão livre do solo24,2 cm
Ângulo de entrada36,4º
Ângulo de saída30,8º
Ângulo central22,6º
Travessia de água76,2 cm
Capacidade de reboque1.587 kg

Sobre o autor

Editor-assistente. Gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. Prefere carros compactos e práticos, mas sempre se diverte quando precisa avaliar um utilitário no fora-de-estrada ou acelerar um superesportivo num autódromo.