Image

Onde estão os 138 cavalos do JAC T40 CVT?

07

jan
2019

Na busca por um lugar ao Sol, a chinesa JAC Motors deixou de lado os carros da linha “J” para focar nos SUVs da linha “T”. Em seu site, apenas T40, T50 e T80 estão disponíveis como automóveis de passeio. Por mais que eu lamente, a maioria dos motoristas querem ou sonham com um SUV, portanto é natural que os fabricantes foquem nessa categoria.

No caso do T40, é preciso um pouco de boa vontade para chamá-lo de SUV. Com comprimento de 4,13 metros, largura de 1,75 m, altura de 1,57 m e entre-eixos de 2,49 m, o modelo está entre um hatch pequeno e um hatch médio. Ele tem sim uma boa altura em relação ao solo, porém o antigo J3 também tinha. A diferença é que agora isso está bem harmonioso.

Com doses certas de partes sem pintura ou cromadas, o visual do T40 agrada bastante. A grade é imponente na medida certa, diferente do que acontecia com a exagerada grade do T5 (que acaba de ser reestilizado e rebatizado para T50). A lateral parece ser de um carro francês, graças ao friso cromado com formato irregular abaixo das janelas. Por fim, a bela traseira em nada nos faz lembrar do finado J3 hatch. A exceção fica por conta dos filetes cromados ao redor das luzes reflexivas nas laterais do para-choque traseiro, que ao meu ver não deveriam estar ali.

Ao entrar no carro, o sentimento que tive ao abrir e fechar as portas é de uma carroceria bem construída. O interior surpreende pelo bom gosto e qualidade do acabamento. Esse salto de qualidade deixa para o passado a imagem de fragilidade dos primeiros carros chineses que chegaram por aqui.

A lista de equipamentos é extensa, e aqui está uma das maiores vantagens do T40 em relação aos seus concorrentes. A direção tem assistência elétrica, o ar condicionado é automático e digital, os vidros têm função um toque para todas as portas, os bancos são revestidos em couro (sintético, claro), assim como laterais de porta, volante, coifa do câmbio e painel. Pois é, até o painel ganhou um caprichado acabamento em couro! Completam o pacote o computador de bordo, controles de som e velocidade no volante, iluminação nos espelhos dos para-sóis e uma curiosa câmera que fica no retrovisor interno. Ela capta imagens externas que podem ser utilizadas numa eventual defesa de um acidente de trânsito. 

Em termos de itens de segurança, o T40 tem controle de estabilidade, cintos de três pontos e apoio de cabeça para os cinco ocupantes, ancoragem Isofix e os obrigatórios airbags frontais e freios ABS (com discos também na traseira). Lamentavelmente, cortaram para o nosso mercado os airbags laterais e de cortina.

A posição de dirigir é boa e o banco bem confortável, mas é a partir daí que as coisas não andaram tão bem para o pequeno JAC. Infelizmente, o T40 1.6 com câmbio CVT não é dos carros mais prazerosos de guiar. Durante os 10 dias de empréstimo, ele se mostrou apenas correto e nada mais. A JAC divulga potência de 138 cavalos, suficientes para uma excelente relação peso/potência de apenas 8,8 kg/cv. Por ter variador de fase na admissão e no escape, era de se esperar que o T40 fosse esperto em todas as faixas de rotação, mas na prática ele só acorda nas altas mesmo. Ainda assim, na minha opinião é difícil de acreditar que o carro tem toda essa potência. Rodei mais de 800 km, sendo metade disso numa viagem de bate e volta para o litoral norte de SP. Dirigi o carro em diferentes condições e em nenhuma me surpreendi com algo.

Para piorar, o câmbio automático do tipo CVT não parece conversar bem com o motor. No anda e para do trânsito, os trancos são nítidos e incomodam bastante. Falta suavidade entre eles, que parecem inimigos brigando a todo momento. Pedi para minha esposa guiar o carro, sem que eu adiantasse nada disso para ela. A percepção que teve foi exatamente a mesma que a minha. Para quem já guiou outros carros com câmbio automático, vai perceber que tem algo errado ali. Já quem está saindo de um manual ou dos chatíssimos automatizados de mono-embreagem, vai se acostumar melhor com esse CVT.

Apesar do câmbio não ter marchas, ele pode simular seis quando é alternado para o modo manual. Ele também tem a função “S”, que mantém os giros sempre mais altos. A condução fica mais esperta, mas na prática o consumo de combustível vai para as alturas e fica impraticável a condução nesse modo por muito tempo. Nas retomadas de velocidade, a função é bem-vinda, mas ainda assim, insisto em dizer que o carro não transmite a sensação de ter os 138 cv divulgados.

Para finalizar, espero de um SUV a praticidade para carregar bastante bagagem e a mobilidade dos bancos para levar objetos mais longos. Nada disso está disponível no T40, que tem um porta-malas visivelmente pequeno e banco traseiro que só rebate por inteiro. É nessas horas que ele mostra que não passa de um hatch mais altinho.

A conclusão é de que o belo T40 surpreende em muitos aspectos, mas que ainda precisa melhorar em outros. A JAC está no caminho certo e deve ganhar participação no mercado com os novos T50 e T80. O preconceito ainda existe, mas é cada vez menor. Não tenho dúvidas que todos ainda terão um carro chinês na garagem.

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.