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Jeep Renegade e Honda HR-V ficam frente a frente pra ver quem mudou menos

07

dez
2018

A dupla Jeep Renegade e Honda HR-V estrearam no Brasil em 2015, revolucionando o segmento de utilitários esportivos compactos e pulverizando a hegemonia de mais de uma década do Ford EcoSport. Três anos depois do lançamento, ambos sofreram as primeiras mudanças estéticas e de conteúdo para continuarem competitivos na categoria que vem ficando mais disputada a cada ano.

Começando pelo até então líder do segmento, o HR-V ganhou mudanças visuais mais contundentes em relação ao rival Renegade. Os para-choques foram redesenhados, os faróis ganharam projetores e luzes diurnas em LED em todas as configurações, a grade frontal cromada ficou maior e os faróis de neblina ovais foram substituídos por um par arredondado. As rodas de liga leve de 17 polegadas também são novas. A traseira agora conta com as lanternas de LED da versão Touring (esta voltará à gama ano que vem com o motor 1.5 turbo do Civic).

O Renegade foi mais discreto nos retoques. As únicas mudanças universais para todas as versões são a adoção do para-choque dianteiro igual ao das versões a diesel em todas as configurações (com o objetivo de reduzir os custos de produção e proporcionar maior ângulo de ataque), além da nova maçaneta para a abertura da tampa do porta-malas. Nas versões Limited e Trailhawk, o SUV conta com conjunto óptico, faróis de neblina e luzes de rodagem diurna em LED.

Mesmo com as atualizações, o Renegade é mais “acessível” que o HR-V, que parte de R$ 92.500 sempre com transmissão automática CVT. O Jeep com câmbio automático tem preço inicial de R$ 83.990, mas ainda possui a versão Sport 1.8 flex manual de R$ 78.490. Com essa política de preços, o HR-V não possui uma variante específica para pessoas com deficiência, enquanto o Renegade disponibiliza uma configuração específica para esse público.

Chama a atenção a mudança de posicionamento no caso do HR-V, em 2015, quando comparamos os dois modelos, o Honda custava a partir de R$ 71.900 com câmbio manual e R$ 77.400 com a caixa CVT, chegando a R$ 90.700 na versão topo de linha EXL, que hoje custa R$ 108.500. Já o Renegade partia de R$ 71.900 com câmbio manual ou R$ 76.900 com transmissão automática. Considerando a motorização turbodiesel, mais cara, o Renegade Trailhawk, saltou dos R$ 119.900 cobrados em 2015 para salgados R$ 136.990.

VERSÕES E PREÇOS

Honda HR-V
Jeep Renegade
LX 1.8 flex CVT – R$ 92.5001.8 flex AT6 (PCD) - R$ 69.990
EX 1.8 flex CVT – R$ 98.700Sport 1.8 flex MT5 - R$ 78.490
Sport 1.8 flex AT6 - R$ 83.990
EXL 1.8 flex CVT – R$ 108.500Longitude 1.8 flex AT6 - R$ 96.990
Limited 1.8 flex AT6 - R$ 103.490

De lá pra cá, o HR-V seguiu surfando na onda de ser basicamente o único SUV da Honda com volume, uma vez que o WR-V cumpre um papel de entrada nesse segmento e o CR-V, o irmão maior, custa muito e vende pouco. Já o Renegade viu o Compass chegar e dominar a categoria em geral e tomando parte das suas vendas. A categoria ainda recebeu outros concorrentes de peso, como Hyundai Creta e Nissan Kicks – e a tendência é a disputa ficar ainda mais acirrada com a chegada do Volkswagen T-Cross no ano que vem.

Em termos de propostas, ambos continuam procurando clientes com gostos diferentes. O HR-V tem uma pegada mais esportiva, enquanto o Renegade se inspira no DNA off-road da Jeep.

A linha 2019 também colocou o Jeep em destaque por conta de sua central multimídia. Com 8,3 polegadas, o equipamento (disponível de série desde a versão Longitude) tem a maior tela da categoria, contando com as conexões Android Auto e Apple CarPlay. O HR-V ganhou uma nova central de 7 polegadas, mas apenas na versão topo de linha, com interface ultrapassada em comparação com a do rival. As variantes de entrada e intermediária do Honda são equipadas com uma central com tela de 5 polegadas.

O nível de equipamento, olhando para esse segmento específico, fica na média. Como alcançaram um status relevante no mercado, os SUVs poderiam oferecer maior gama de tecnologia, especialmente de assistências de condução.

Em termos de motorização, ambos praticamente não mudaram. O motor 1.8 flex do Renegade ganhou o variador de fase, que elevou a potência até 139 cv para dar um pouco de ânimo, além do sistema start-stop para conter o consumo de combustível do SUV. Essa melhoria, aliada à recalibração do câmbio automático de seis marchas, deixou o Renegade ligeiramente mais esperto no uso cotidiano.

O HR-V também manteve a motorização 1.8 flex de até 140 cv. No entanto, houve uma melhoria significativa na linha 2019. O câmbio automático do tipo CVT foi recalibrado para uma condução mais confortável no uso urbano. A transmissão não “segura” mais o giro do motor em altas rotações sem necessidade, garantindo uma condução mais eficiente e confortável. Outra melhoria é o uso de amortecedores com válvulas hidráulicas internas, bem mais eficientes na hora de absorver os impactos das rodas contra o solo. Na buraqueira da cidade, as suspensões não sofrem mais com as batidas secas de fim de curso e na estrada a inclinação da carroceria em curvas é mais progressiva. O comportamento do conjunto melhorou consideravelmente, mas ainda não atingiu o acerto impecável das suspensões do Renegade.

Mas ambos devem receber modificações no futuro. O Honda dará o primeiro passo já no próximo ano, uma vez que a marca confirmou a chegada do motor 1.5 turbo a gasolina de 173 cv na configuração topo de linha Touring. Já Renegade vai demorar um pouco mais para receber o 1.3 turbo da família Firefly, cuja potência poderá chegar a 180 cv.

O Jeep segue como a referência da categoria na hora de conciliar um rodar mais confortável em pisos acidentados e ao mesmo tempo controlar o balanço da carroceria em situações mais exigentes, como velocidades de estrada e frenagens mais fortes. O HR-V se sobressai nos espaços interno e de porta-malas mais generosos. Como de costume, ambos seguem bem construídos e com acabamento acima da média.

Por fim, a dupla segue sendo boas opções dentro do mercado de SUVs compactos. Mas com a chegada iminente de novos concorrentes, Honda e Jeep poderiam ter ousado um pouco mais nessa renovação dos modelos. Com a nova oferta de preços, o HR-V tende a perder um pouco de público, uma vez que todos os concorrentes trabalham abaixo da casa dos R$ 90 mil com versões automáticas.

TESTE CARSALE-MAUÁ

 
Renegade 1.8 AT
HR-V CVT
0-60 km/h5,67 e 5,79 segundos (e/g)5,61 e 5,81 segundos (e/g)
0-100 km/h13,22 e 13,77 segundos (e/g) 11,13 e 11,46 segundos (e/g)
0-120 km/h18,46 e 19,55 segundos (e/g)15,34 e 15,70 segundos (e/g)
Aceleração em 5 segundos 44,76 metros e 55,44 km/h / 43,98 metros e 54,74 km/h (e/g)40,50 metros e 53,98 km/h / 39,22 metros e 52,25 km/h (e/g)
Aceleração em 400 metros 18,79 segundos e 121,04 km/h / 19,05 segundos e 118,58 km/h (e/g)18,07 segundos e 130,52 km/h / 18,28 segundos e 129,26 km/h (e/g)
Aceleração em 1000 metros 34,54 segundos e 151,37 km/h / 35,17 segundos e 146,45 km/h (e/g)32,44 segundos e 166,68 km/h / 32,68 segundos e 165,67 km/h (e/g)
Retomada 40 a 100 km/h 10,63 e 10,90 segundos (e/g)9,44 e 9,62 segundos (e/g)
Retomada 80 a 120 km/h 9,98 e 10,68 segundos (e/g)7,74 e 7,93 segundos (e/g)
Frenagem 100 a 0 km/h 51,6 metros49,7 metros
Consumo cidade6,5 e 8,3 km/l (e/g)7,9 e 10,7 km/l (e/g)
Consumo estrada11,4 e 14,7 km/l (e/g)12,4 e 15,3 (e/g)

Ficha Técnica

 
Honda HR-V
Jeep Renegade 1.8 Flex
CarroceriaMonobloco em aço, quatro portas, cinco lugaresMonobloco em aço, quatro portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, injeção multiponto, comando simples de válvulas na admissão no bloco acionado por corrente, flexívelDianteiro, transversal, injeção multiponto, comando simples de válvulas na admissão no bloco acionado por corrente, flexível
Número de cilindros4 em linha4 em linha
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,6:112,5:1
Cilindrada1.799 cm³1.749 cm³
Potência 139 cv (e) e 140 (g) a 6.300 rpm139 cv (e) e 135 (g) a 5.750 rpm
Torque17,4 kgfm (e) e 17,3 kgfm (g) a 5.000 rpm19,3 kgfm (e) e 18,8 kgfm (g) a 3.750 rpm
TransmissãoAutomática do tipo CVT com simulação de sete marchasAutomática com conversor de torque e seis marchas
TraçãoDianteiraDianteira
DireçãoElétricaElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson Independente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torçãoIndependente multibraço
Pneus e rodas dianteiros215/55 R17, liga leve 17"255/55 R18, liga leve 18"
Freios dianteirosDiscos ventilados com ABS e EBDDiscos ventilados com ABS e EBD
Freios traseirosDiscos sólidos com ABS e EBDDiscos sólidos com ABS e EBD
Tanque de combustível 51 litros60 litros
Volume do porta-malas 465 litros320 litros
Altura1,58 m 1,66 m
Comprimento4,29 m 4,23 m
Largura1,77 m1,79 m
Entre-eixos 2,65 m2,57 m
Peso em ordem de marcha1.276 kg1.440 kg

Sobre o autor

Jornalista e palmeirense, Renan Rodrigues de Oliveira, em alusão ao colega de profissão Nelson, prefere usar o primeiro sobrenome. Versátil, Renan fotografa, filma, ilustra, edita vídeo e áudio e se arrisca nas redes sociais. Acompanha em cima os lançamentos do mundo automotivo, prefere os compactos com vocação esportiva, mas pilota até carrinho de mão, se necessário.