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Primeiras impressões: Citroën C4 Cactus Shine Pack 1.6 THP

Lançado na última terça-feira (28) em regime de pré-venda, o Citroën C4 Cactus chega às lojas em outubro com a ambiciosa missão de dobrar as vendas da marca francesa no país a partir de 2019. Para vender cerca de 25 mil unidades por ano, o crossover aposta em design e na oferta de assistências de condução e do motor THP 1.6 turbo por preços mais baixos que os da concorrência (veja a tabela abaixo).

Para encarar rivais consolidados, o C4 Cactus passou por uma reformulação que consumiu boa parte dos R$ 580 milhões investidos pelo Grupo PSA na América Latina nos últimos dois anos. Segundo a Citroën, cerca de 165 protótipos rodaram mais de um milhão de quilômetros para adequar o modelo às condições de rodagem da região.

Apesar do desenho idêntico ao do C4 Cactus vendido na Europa, somente o modelo brasileiro conta com as barras no teto que reforçam o visual aventureiro. Já as controversas proteções de ar presentes nas laterais do C4 Cactus europeu, os Airbumps, foram substituídas por apliques plásticos de caráter estético.

Por dentro, o modelo nacional recebeu um painel redesenhado, com acabamento em material macio ao toque e o quadro de instrumentos digital recém-aplicado no sedã C4 Lounge. A tela de 7 polegadas da central multimídia, compatível com os sistemas Android Auto e Apple Car Play, foi reposicionada abaixo das saídas centrais do ar-condicionado, abrigando os comandos do climatizador e das assistências de segurança.

A cabine acomoda bem quatro adultos, com bom espaço vertical e para as pernas dos passageiros do banco traseiro. Em contrapartida, o porta-malas acomoda apenas 320 litros de bagagem, uma desvantagem de cerca de 100 litros em relação aos concorrentes.

Mas o C4 Cactus agrada mesmo é ao volante. O condutor encontra com facilidade a posição ideal de dirigir graças às regulagens de altura e profundidade da direção e da boa amplitude de ajustes do banco. Apesar da proposta de carro altinho (são 22,5 centímetros de altura livre do solo), o crossover tem uma pegada bem parecida com a de um hatch médio. O volante ovalado de boa empunhadura reforça essa impressão, principalmente nas versões Shine e Shine Pack equipadas com o valente motor 1.6 turbo, que rende 166 cv de potência com gasolina ou 173 cv quando abastecido com etanol.

Durante o nosso primeiro contato com a versão topo de linha Shine Pack foi possível submeter o carro a variadas condições de rodagem, como estradas sinuosas com asfalto de boa qualidade e um percurso de terra. Como esperado, o motor turbinado garante um desempenho muito bom para a proposta do C4 Cactus, entregando boa parte dos 24,5 kgfm de torque a baixas rotações e proporcionando respostas ágeis em ultrapassagens e retomadas. O câmbio automático de seis marchas aproveita bem a força do propulsor nessas situações e ainda torna a condução mais prazerosa permitindo trocas manuais na alavanca. De acordo com os dados de fábrica, o C4 Cactus equipado com a motorização THP atinge os 100 km/h em 7,3 segundos com etanol.

As suspensões desenvolvidas para suportar as más condições das ruas e estradas brasileiras são outros destaques positivos do crossover. Embora o conjunto seja 3,4 centímetros mais alto que o do C4 Cactus europeu, a engenharia da Citroën brasileira conseguiu aliar muito bem o característico rodar macio dos carros da marca com um comportamento exemplar em altas velocidades. No trecho de terra, por exemplo, o crossover se mostrou tão confortável quanto um Jeep Renegade, cuja marca tem forte apelo fora-de-estrada.

Pensando num eventual uso longe do asfalto, a Citroën adotou o Grip Control, sistema lançado no Peugeot 2008 que adapta os parâmetros do motor, câmbio e controles de tração e estabilidade para favorecer a rodagem em pisos de baixa aderência. Por meio de um botão giratório no painel, o motorista pode escolher um dos quatro modos de condução (asfalto, areia, lama e terra).

Um dos chamarizes do C4 Cactus é o pacote de assistências de segurança da versão Shine Pack. O crossover é equipado com uma pequena câmera no para-brisa, que monitora o trânsito e identifica veículos parados ou em movimento e pedestres para acionar o alerta de colisão e a frenagem automática. O sistema atua sozinho nos freios entre 5 km/h e 85 km/h quando detecta o risco de acidente. O carro precisa estar a até 60 km/h para evitar o atropelamento de um pedestre ou abaixo de 80 km/h ao detectar um veículo parado à frente.

A mesma câmera ainda reconhece a saída involuntária de faixas de trânsito quando o motorista muda de direção sem acionar as setas acima de 60 km/h. Há também o alerta que monitora sinais de sonolência ou falta de atenção do condutor, sugerindo uma pausa para descanso após uma viagem de mais duas horas com velocidade média acima de 70 km/h.

Mesmo chegando ao Brasil com um atraso de quatro anos em relação ao mercado europeu, o C4 Cactus mostra qualidades diante da concorrência. O conjunto mecânico bem ajustado, as tecnologias de segurança e a eficiente motorização compensam, de certo modo, o porta-malas relativamente pequeno.

C4 Cactus Live 1.6 MT5: R$ 68.990 – motor 1.6 16V de até 122 cv de potência, câmbio manual de cinco marchas, direção elétrica, ar-condicionado manual digital e integrado à central multimídia, assinatura luminosa com luzes diurnas em LED, barras de teto, rodas de aço de 16 polegadas com pneus 205/60 R16 e calotas, painel de instrumentos 100% digital, computador de bordo, volante de espuma com regulagem de altura e profundidade com comandos integrados, Citroën Connect Radio com tela touch de 7’’, Bluetooth, 6 auto-falantes, portas USB e 12V, comandos dos vidros e retrovisor elétricos, travamento centralizado das portas e porta-malas com travamento do carro ao andar, abertura da porta do tanque de e combustível sem chave, assentos dianteiros reguláveis em altura, console alto com porta-objetos fechada, porta-copos, assentos traseiros com três apoios de cabeça e ISOFIX, cintos de segurança traseiro traseiros de três pontos, airbags frontais duplos, barras de proteção laterais, freios ABS, entre outros.

C4 Cactus Feel 1.6 MT5: R$ 73.490 – itens da Live, mais faróis de neblina, câmera de ré, rodas de alumínio de 17” e pneus 205/55 R17, Eco-coaching, alarme perimétrico, abertura e fechamento dos quatro vidros com função um toque, controle de cruzeiro, limitador de velocidade.

C4 Cactus Feel 1.6 AT6: R$ 79.990 – conta com o mesmo pacote da Feel manual, mais transmissão automática de seis marchas, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampas e sensor de pressão dos pneus.

C4 Cactus Feel Pack 1.6 AT6: R$ 84.990 – agrega airbags laterais, abertura das portas e partida sem a necessidade de chave nas mãos, sensores de luz e chuva, volante revestido em couro, alarme volumétrico, barras de teto funcionais e painel com acabamento em material mais macio.

C4 Cactus Shine 1.6 THP AT6: R$ 94.990 – itens da Feel, mais o motor 1.6 turbo de até 173 cv, bancos de couro, painel revestido com material macio ao toque, ar-condicionado digital automático e sistema Grip Control (tecnologia que distribui melhor o torque nas rodas dianteiras de acordo com o terreno) e barras de teto tipo “flutuante”.

C4 Cactus Shine Pack 1.6 AT6 (R$ 98.990): acrescenta airbags de cortina, retrovisor interno antiofuscante, alertas de saída de faixa, de fadiga e de colisão frontal, além de frenagem automática de emergência.

Opcionais
C4 Cactus Live: 
Pack Tech (R$ 835): sensor de estacionamento traseiro e rebatimento dos espelho retrovisores; Pack Style (R$ 9.072): barras no teto modelo “futuante”, rodas de liga leve de 17” modelo Roby One, pneus Pirelli 205/55 R17 e frisos laterais; Pack Plus (R$ 904,07): frisos laterais, tapetes de capete personalizados e protetor de cárter; Pack Voyage (R$ 3.260,95): barras transversais de teto, engate removível, porta-bicicleta em aço e barras longitudinais de teto; Pack Securité (R$ 1.140): módulo de subida dos vidros e alarme volumétrico.

C4 Cactus Feel, Feel Pack e Shine: Pack Tech (R$ 835), Pack Plus (R$ 904,27) e Pack Voyage (R$ 2.556,65).

Ficha técnica
 
CarroceriaMonobloco em aço, cinco portas, cinco lugares
MotorDianteiro, transversal, turbo, injeção direta, duplo comando variável de válvulas na admissão e escape com comando por corrente no cabeçote, a gasolina e/ou etanol
Número de cilindros4 em linha
Número de válvulas16 (quatro por cilindro)
Taxa de compressão10,2:1
Cilindrada1.598 cm³
Potência (gasolina/etanol)166/173 cv a 6.000 rpm
Torque 24,5 kgfm a 1.400 rpm
TransmissãoAutomática de seis marchas
TraçãoDianteira
DireçãoElétrica
Suspensão dianteiraIndependente McPherson com amortecedores pressurizados e molas helicoidais
Suspensão traseiraEixo de torção com amortecedores pressurizados e molas helicoidais
Pneus e rodas 205/55 R17, liga leve 17"
Freios dianteirosDiscos ventilados
Freios traseirosDiscos sólidos
Volume do tanque de combustível 55 litros
Volume do porta-malas320 litros
Altura1,56 m
Comprimento4,17 m
Largura1,71 m (sem espelhos)
Entre-eixos 2,60 m
Peso em ordem de marcha1.214 kg
Vão livre do solo22,5 cm
Ângulo de ataque22º
Ângulo de saída32º
0 a 100 km/h7,3 segundos
Velocidade máxima212 km/h

Teste-drive a convite da Citroën
Fotos: Guilherme Silva (carro vermelho) e Divulgação
Guilherme Silva: Editor-assistente. Gosta e acompanha o universo automotivo desde que se conhece por gente. É fã de carros compactos e práticos, mas sempre se diverte quando precisa avaliar um utilitário no fora-de-estrada ou acelerar um superesportivo num autódromo.