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Super Bowl: Aerosmith, Fittipaldi e Pantera Negra promovem carros

Uma das coisas mais chatas de morar nos Estados Unidos – e, em certa medida, de ser americano – é ter de aguentar o tal football e, de vez em quando, fingir que gosta só para não passar por chato numa conversa entre amigos (vale o mesmo também para o basquete e, menos, para o beisebol, este oficialmente o esporte mais insuportável do mundo).

Verdade que algumas partidas são até interessantes, e o Super Bowl – finalíssima da NFL, a liga nacional do esporte – é um daqueles espetáculos midiáticos que os americanos sabem fazer como ninguém. O dia do jogo só não é feriado nacional porque é sempre domingo. E o deste ano será agora, dia 4 de fevereiro.

Além do jogo em si, o Super Bowl oferece pelo menos mais três atrações:

1) A malandragem dos americanos sem grana que, uns dias antes, compram TVs de tela gigante, reúnem os amigos para assistir ao jogo e se entupir de Bud Light e churras, e a partir de segunda-feira vão às lojas para devolver as TVs e receber o dinheiro de volta, “no questions asked”, como é normal no comércio daqui;

2) O mega-show do intervalo, geralmente uma superprodução musical armada no meio do campo com uma estrela do momento (tipo Coldplay, Lady Gaga, Beyoncé e, domingo agora, infelizmente, Justin Timberlake);

3) Os comerciais de TV exibidos durante a transmissão – são os intervalos mais caros do mundo. Boa parte deles é de automóveis, cada um tentando ser mais memorável que o outro, geralmente usando de humor, emoção e celebridades.

Para este domingo, apenas montadoras asiáticas (Lexus, Kia, Hyundai e Toyota) confirmaram a torrefação de cerca de US$ 72 milhões para aparecer nas pausas do Super Bowl.

A coluna separou para os leitores os quatro filmetes que – provavelmente – serão tão comentados depois do jogo quanto os touchdowns que darão a vitória ao New England Patriots ou ao Philadelphia Eagles. Divirta-se:

LEXUS LS 500 F SPORT
A variação esportiva (motor V6 de 422 cv) do sedã da marca de luxo da Toyota é promovida com algumas cenas de ação estreladas pelo super-herói Pantera Negra, da Marvel, cujo primeiro longa-metragem estreia nos EUA duas semanas depois do Super Bowl. O carro é bacana, o filmete é meio chato – mas vale prestar atenção num detalhe: há uma longa sequência em que ele é dirigido remotamente (pela irmã do herói). É um claro aceno à condução autônoma, área em que a Lexus mal é lembrada. De resto, quem não conhece o personagem da Marvel não vai entender nada.

KIA STINGER
Outro esportivo de rua com DNA asiático, o sedã-acupezado Stinger (2.0 turbo de 258 cv, com opção de tração traseira ou integral, partindo de US$ 31.000) é pilotado de ré num circuito oval pelo cantor Steven Tyler, do Aerosmith, ao som do clássico Dream On; após o trajeto reverso e um cavalo de pau na linha de chegada, quem desce do Kia é uma versão rejuvenescida de Tyler, para loucura das fãs que o aguardam atrás de um cordão de policiais. O toque de nostalgia é completado pela participação especial de Emerson Fittipaldi – mas o slogan que a Kia escolheu para o Stinger, “Feel something again” (literalmente, “sinta algo novamente”), apesar de ser um tapa na cara da tecnologia (especialmente a que faz dos carros uma coisa “sem graça”), soa como propaganda de viagra.

HYUNDAI KONA
O ainda inédito SUV compacto da marca sul-coreana, futuro concorrente de Toyota C-HR e Nissan Juke, é mostrado num comercial para ser apreciado só por americanos: um juiz chega dirigindo o carro para apitar uma partida infantil de futebol (do tipo normal) disputada quase no horário do Super Bowl; para encerrar logo o jogo, ele distribui cartões vermelhos para toda a criançada e vai embora no Kona assistir ao football no bar. O carro em si é pouco exibido: nem a traseira aparece, embora o importante seja mesmo a dianteira, que traz a “nova” identidade visual (copiada do recém-atualizado Jeep Cherokee).

TOYOTA
A gigante japonesa optou por uma campanha institucional exaltando a “liberdade de movimento” e usando como metáfora, em um dos três comerciais que exibirá durante o Super Bowl, vida e carreira de Lauren Woolstencroft, atleta paralímpica multimedalhista, contadas desde o nascimento sem parte das duas pernas até sua maior conquista esportiva. Nenhum modelo específico é mostrado. Parece uma prévia do que a Toyota vai fazer na Olimpíada de Tóquio, em 2020, cuja logística promete ser uma vitrine tecnológica da autocondução.

Em tempo: para quem vai assistir ao Super Bowl neste domingo, vale lembrar que a transmissão ao vivo para o Brasil geralmente não inclui os comerciais exibidos nos três intervalos da partida. Mas o show do Timberlake vai passar.

Claudio de Souza é jornalista desde 1994 e atua no setor automotivo há mais de dez anos. Ex-editor de UOL Carros e Carro Online, ele recebeu o prêmio SAE de jornalismo online em 2011.
Em sua visão, carro tem de ser bom, e não apaixonante. Nesta coluna, discute semanalmente assuntos globais do setor automotivo.
claudiodesouza.colunista@gmail.com

Imagens: Divulgação

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