O Brasil é muito importante para qualquer fabricante de carro. É um mercado grande, dos maiores do mundo.

Entretanto, o consumidor tem forte tendência a preferir os modelos bons de mercado àqueles que podem simplesmente atender sua necessidade.

Quando olho para trás, vejo veículos e categorias interessantes que o Brasil “matou” com o tempo. Por isso, nesta coluna, listarei categorias e carros que, no meu entendimento, poderiam estar em circulação no País.

Aí vão:

CARRO DE ENTRADA COM CÂMBIO AUTOMÁTICO
Oito em cada dez clientes meus pedem carros com câmbio automático. Nosso mercado até tem uma boa oferta, mas da categoria dos médios para cima.

Falando em carros de entrada, com motor 1.0, nenhum fabricante oferece um bom automático. Quando tem, é um simples automatizado monoembreagem.

No passado, tivemos o Suzuki Swift, mas de pouca relevância.

Eu apostava minhas fichas no Kia Picanto, mas logo depois do seu lançamento houve uma mudança na política de impostos para carros importados, e ele deixou de ser um modelo de entrada.

KEI CARS
Quem acompanha o mercado mundial já deve ter ouvido falar desses carrinhos japoneses. Trata-se de uma categoria que tem isenção de impostos – e, para isso, precisa ter tamanho reduzido de carroceria e motor.

Tem tantas coisas bacanas por lá que sempre me pergunto por que não as temos aqui.

Levando em conta que boa parte das pessoas usa o carro em ciclo urbano e geralmente está sozinha, acho que os kei cars atenderiam as necessidades de um bom número de consumidores brasileiros.

Dia desses eu vi um Subaru Vivio rodando na Marginal Tietê, em São Paulo (SP). Um barato! Por que não termos mais deles em circulação no País?

PERUAS
Categoria que sempre foi forte no passado, está em extinção em todo o mundo, mas aqui o negócio é pior.

Em outros mercados, fabricantes ainda investem em novos modelos, mesmo que a preferência seja pelos SUVs. Já no Brasil, parece que as peruas morrem aos poucos.

Na Fiat, a Palio Weekend é a mesma dos últimos 20 anos. Perua média não tem mais, como teve a Tempra SW e a Marea Weekend.

Na Chevrolet e na Ford, tristeza total.

Na VW, palmas para SpaceFox, Golf Variant e Passat Variant. Mas as vendas são tão baixas que não sei até quando elas deverão ser comercializadas.

Outros fabricantes, que até já tiveram representantes, sequer querem saber das peruas.

ESPORTIVOS DE ENTRADA
Na verdade, um esportivo nunca será um carro de entrada. Mas a realidade é que já tivemos vários “esportivinhos” mais simples e acessíveis, como os Chevrolet Tigra e Calibra, o Fiat Coupé e o Mazda MX3.

Hoje, quem quer um carro com apelo esportivo, só vai encontrar veículos bem mais caros, de marcas de luxo.

CARROS DE 7 LUGARES
Como Caçador de Carros, já atendi vários clientes com essa necessidade, e sempre caí no problema de falta de variedade.

Hoje, quem quer um carro assim precisa preparar o bolso para levar um pesado e gastador SUV.

No passado, tivemos algumas peruas da Peugeot com banquinhos opcionais no porta-malas, assim como a rara Renault 21 Nevada nos anos 90.

Por que não temos mais carros assim? E a excelente Kia Carens, por que acabou?

CARROS DE LUXO COM CÂMBIO MANUAL
Assim como os pequenos de entrada que não têm câmbio automático, hoje faltam opções de câmbio manual nos segmentos mais caros.

Como já disse em colunas anteriores, aqui no Carsale, o câmbio automático é muito prático em ciclo urbano, mas tira o prazer de dirigir em outras circunstâncias.

Muitos motoristas moram longe de grandes centros e não precisam desse conforto.

Os sedãs médios, quando têm a opção do manual, são em versões de entrada. Tente comprar um Honda Civic com teto solar e câmbio manual, por exemplo.

Curioso é que, na Europa, até os SUVs e as vans oferecem o prazer de cambiar.

4 X 4 DE ENTRADA

No passado, quando poucas vias eram asfaltadas, o Jeep Willys desbravou o Brasil. Hoje, a realidade é outra, mas ainda tem muita gente que mora em ruas de terra e fica atolada com seus carros em dias de chuva.

Semana passada, mesmo, eu atendi um cliente com uma necessidade parecida. Ele trabalha em obras e passa diariamente por estradas de terra. Seu antigo Renault Fluence sofria nessas circunstâncias. Comprei para ele um Suzuki SX4.

Fora esse Suzukinho, já atendi muitos clientes que queriam um Mitsubishi TR4.

Para mim, esse mercado é bom e tem compradores. Só não entendo a baixa oferta de opções.

VARIEDADE DE CORES
E não são somente categorias específicas de carros que o mercado brasileiro “matou”.

Pegue uma foto das ruas no passado e compare com o que você vê nos dias de hoje.

Se o mercado fala que a moda é branco, todos vão de branco. Se a moda passa a ser o azul, todos começam a querer o azul. Sinceramente, sinto falta de ver mais cor em nossas ruas.

Como você vê, amigo leitor, o tema é amplo e mostra que os fabricantes já arriscaram mais em outros tempos.

Particularmente, eu defendo o maior número possível de variedade de categorias, cores e opcionais nas ruas.

Como sempre, convido você a deixar nos comentários os carros que, na sua opinião, fazem falta ao mercado brasileiro. Vale a reflexão.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.