Basta observar as ruas para nos depararmos com uma imagem cinzenta, sem cor, sem graça. Não, não falo do asfalto, tampouco dos imóveis. Refiro-me aos carros, mesmo. É tanto preto, prata e cinza que mesmo modelos recém-lançados passam despercebidos.

Não era assim no passado, quando a variedade de cores predominava. Carros verdes, amarelos, laranjas, azuis, roxos… Não faltavam opções e criatividade dos fabricantes na hora de batizar essa gama de cores.

Mas parece que voltamos à Era de Henry Ford, que dizia que o consumidor poderia escolher qualquer cor para o “Ford Model T”, desde que fosse preta.

A relação das cores com o tema desta coluna, os carros de locadoras, é muito simples. Nos últimos anos, cresceu muito o número de lojas de carros das locadoras. Se antes elas repassavam para lojistas independentes, hoje as locadoras perceberam que podem lucrar – e muito – vendendo direto para o consumidor final.

E quando você entra numa dessas lojas, geralmente se depara com o quê? Carros pretos, pratas e cinzas. Enfim, vale a pena comprá-los? O preconceito é grande, mas é claro que vale a pena!

Já disse outras vezes, aqui no Carsale, que cada carro é um carro, e, portanto, deve ser avaliado individualmente.

Não é diferente com esse tipo de automóvel. Há veículos de locadora que não valem nada, de tão surrados que estão. Entretanto, há uns “filezinhos” escondidos por aí.

A primeira coisa que deve ser considerada numa eventual aquisição do gênero é a quilometragem. Tem que ser baixa para valer a pena.

Por ser um instrumento de lucro para locadoras, as manutenções mais pesadas nem sempre são feitas. Por isso, opte por quilometragens de no máximo 20 mil, em que básica e teoricamente foram feitas apenas trocas de óleos e filtros. Mas tome cuidado com as adulterações, ok? Aliás, falamos sobre isso em outra coluna – relembre aqui.

A segunda análise a ser feita diz respeito ao preço do carro. Ele deve estar abaixo da média do mercado. Lembre-se que esse tipo de veículo vai carregar o histórico de ter pertencido a uma locadora. Portanto, quando você for revendê-lo, também terá que praticar um preço mais baixo.

Faça, ainda, uma avaliação detalhada do interior do automóvel, que sofre muito com “donos” sem cuidado algum. Peças frágeis, como botões e difusores de ar, podem estar quebrados. Teste tudo!

Sobre o volante do carro, dizem que ele é uma das coisas mais sujas do mundo. Agora imagine um que passou por várias mãos diferentes. Se realmente fechar o negócio, recomendo que faça uma boa higienização interna.

A parte externa do veículo também requer cuidados, uma vez que é quase impossível comprar um seminovo ou usado sem raladas ou amassados. Aqui, é preciso avaliar o grau dessas avarias e descartar os carros em que elas forem mais graves.

Por fim, uma dica um tanto óbvia, mas da qual nem todos se lembram: jamais feche negócio sem antes fazer um test drive. Mesmo o carro tendo baixa quilometragem, embreagem, suspensão e freios podem estar ruins – também já ensinei, aqui no Carsale, como fazer o test drive perfeito. Vale relembrar!

Como Caçador de Carros, confesso que dou total prioridade para veículos sem histórico de locadora. Inclusive, costumo deixá-los de lado nas pesquisas que faço. Mesmo assim, admito que já fechei negócio com alguns modelos do tipo por não ter encontrado algo melhor disponível.

Lembro-me de um Celta completo com preço de “pelado” e de um Logan automático com preço de manual. Foram ótimos negócios, com ciência dos clientes que os compraram, naturalmente.

Aliás, é muito simples saber se o carro foi de locadora. Basta levantar o histórico dos proprietários anteriores em sites especializados, que cobram pelo serviço.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.