Não é novidade para ninguém a falta de segurança no nosso País. Aposto que você conhece alguém que já sofreu um assalto – isso se você mesmo já não tiver passado por esse infortúnio.

Diante desse quadro, o mercado de carros blindados tem crescido muito nos últimos anos. Até alguns donos de veículos pequenos têm optado por esse tipo de proteção.

E se você é uma dessas pessoas que considera adquirir um blindado usado, siga as dicas abaixo para fazer um bom negócio:

ESCOLHA DO MODELO
Já dizia o lendário Colin Chapman, fundador da Lotus Cars, que, para ganhar potência, bastava adicionar leveza.

Levando em conta que a blindagem acrescenta algumas centenas de quilos ao carro, ela pode ser considerada uma grande vilã da performance. É inevitável que seu carro renderá menos – ou seja, vai ser mais lento e consumir mais combustível. Por isso, seja prudente e escolha um veículo que tenha um bom motor, capaz de aguentar o peso extra da blindagem sem que isso interfira (tanto) na performance do carro.

EMPRESA QUE BLINDOU
É muito importante saber qual foi a empresa que blindou o carro que você avalia. Procure informações sobre tempo de atuação no mercado, colha depoimento de clientes e confira se ela possui autorização do Exército para blindar veículos.

NÍVEL DA BLINDAGEM
Há alguns níveis de blindagem, e cada um deles suporta um tipo de arma de fogo. Na prática, a maioria das blindadoras usa o nível IIIA, que suporta até tiros de pistolas 9mm e revólveres .44 Magnum. Não recomendo níveis inferiores a este, pois a revenda do veículo será mais difícil.

DOCUMENTAÇÃO
A blindagem não é um simples acessório, mas sim uma mudança extrema na estrutura do carro. Isso exige que o documento contenha essa observação. Fique atento a essa questão, pois nem todos os proprietários pagam por essa alteração no documento – alteração esta que deve ser feita pelo Detran.

Também é preciso que você tenha autorização do Exército para possuir um carro blindado. O Exército emitirá um documento avulso, de porte obrigatório quando o motorista estiver guiando o veículo, denominado Licença de Propriedade para Veículo Blindado.

VIDROS
O vidro blindado é composto por várias camadas, de vários materiais diferentes. Com o passar dos anos, é normal que essas camadas se descolem, formando o que chamamos de delaminações. Avalie bem e descarte o carro que apresente esse problema, pois o conserto é caro e nunca ficará como novo.

Quanto ao funcionamento da parte elétrica, geralmente apenas os dianteiros continuam funcionais, já que os traseiros são fixos. Teste os motores dos vidros, que tendem a ficar lentos por conta do peso extra.

PARTE OPACA
Esta não tem como avaliar visualmente, já que você não vai desmontar o carro para saber o quê e como foram instaladas as mantas balísticas e as chapas de aço. Mas vale pedir algum certificado que informe como foi feito o serviço. Há blindadoras, inclusive, que registram em CD as imagens que ilustram a execução do processo de blindagem.

Hoje em dia, as blindadoras têm usado manta em boa parte do carro, deixando as chapas apenas para as colunas. Evite o carro no qual tenham usado chapas para tudo, pois o peso da blindagem será bem maior.

ACABAMENTO
Quem já teve a oportunidade de conhecer a linha de montagem de uma blindadora certamente se deparou com carros depenados. Eles desmontam todo o interior: painel, portas, bancos, tetos, assoalho… Não sobra nada! Diante disso, é preciso um alto padrão de qualidade para depois montar tudo de forma correta, respeitando o encaixe original das peças. Verifique se existem falhas no acabamento e descarte serviços mal feitos.

TEST DRIVE
Muito importante fazer este teste final, para confirmar se o carro se comporta bem em movimento.

Fique atento a barulhos que indiquem peças de acabamento mal encaixadas e também se a suspensão ainda absorve bem as irregularidades. É normal ela ter um desgaste prematuro em função do peso. Portanto, fique atento a isso.

Se possível, guie o carro em um trecho de rodovia no qual possa testá-lo em altas velocidades, para ter uma ideia do balanceamento das rodas. Como muitas blindadoras ainda usam cintas internas, é bom saber se o conjunto foi bem balanceado.

Isto posto, podemos concluir que a blindagem é mais um daqueles produtos que classificamos com o “mal necessário”. O investimento é alto, mas vale para quem se preocupa com segurança.

Até a próxima!

Felipe Carvalho é o primeiro caçador profissional de carros do Brasil. Acesse o site www.cacadordecarros.com.br e saiba mais. Inscreva-se no canal do Caçador de Carros no YouTube e curta a página de Felipe no Facebook.