Uma das últimas novidades do mercado brasileiro de automóveis foi o surgimento de um novo segmento de picapes, situado entre o das compactas derivadas de automóveis e o das médias com carroceria montada sobre chassi. A categoria foi inaugurada no final do ano passado pela Renault Duster Oroch, que ganhou em abril a concorrência da Fiat Toro – ambas já protagonizaram um comparativo no Carsale.

RAIO-X: TORO FREEDOM 1.8 FLEX

É praticamente impossível classificar um carro apenas por uma característica. Mas a Fiat Toro Freedom 1.8 E.TorQ Flex (a partir de R$ 79.240) poderia ser definida pela sua ambiguidade. A primeira razão que justifica isso é o seu visual, marcado pela dianteira de visual polêmico. Já a traseira, com linhas mais tradicionais, não provoca o mesmo impacto em quem olha para a picape – porém, mostra praticidade com a tampa bipartida que se abre lateralmente.

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O segundo motivo que retrata esse sentimento dúbio é o seu espaço interno. Ao observar a Toro pelo lado de fora, o bom tamanho da caçamba em relação aos 4,91 metros de comprimento total da picape passa a impressão de que não há espaço suficiente para cinco ocupantes. A Toro acomoda três adultos no banco traseiro com certa facilidade. O acabamento da cabine também agrada. A qualidade dos materiais e da montagem das peças são as melhores já vistas nos carros fabricados pela Fiat no Brasil. O volante e os bancos revestidos de couro, oferecidos como opcional por R$ 2.186, melhoram esse refinamento quando adicionados ao interior da picape.

Além disso, em termos de segurança, a Toro conta com os obrigatórios airbags frontais e freios com ABS (antitravamento), além de encostos de cabeça e cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes do banco traseiro, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas e direção elétrica. A unidade testada, equipada com outros opcionais, como como ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia com Bluetooth, GPS e comandos por voz, sensor de chuva, faróis com acendimento automático, rodas de liga leve de 16 polegadas, faróis de neblina, capota marítima, retrovisores com rebatimento elétrico, rack de teto, além de pintura metálica e airbags laterais, de cortina e para o joelho do motorista elevam consideravelmente o nível de acabamento e, consequentemente, elevam o preço da picape a R$ 95.845.

MOTOR E DESEMPENHO

Ao contrário da versão 2.0 turbodiesel de 170 cv, a Toro flex decepciona em desempenho. O motor e.TorQ de 1.8 litro e 16 válvulas (presente no Renegade e em outros modelos da Fiat) foi recalibrado para gerar 135/139 cv e 18,8 e 19,3 kgfm (gasolina/etanol) e está disponível apenas com a transmissão automática de seis marchas. O conjunto confere conforto no uso urbano, mas mostra as suas limitações na hora de empurrar os 1.619 quilos da picape mais cinco passageiros.

Por outro lado, por contar com estrutura monobloco e suspensões independentes (McPherson na dianteira e multilink na traseira) nas quatro rodas, a Toro tem dirigibilidade de carro de passeio. O rodar da picape é confortável dinamicamente superior ao das picapes médias. Além de tratar melhor os ocupantes em pisos irregulares, a Toro transmite maior confiança em curvas e mudanças rápidas de direção. A estabilidade a velocidades de cruzeiro também se assemelha à de um automóvel.

O desempenho acanhado do motor combinado ao elevado peso da picape refletem a idas mais frequentes ao posto de abastecimento. Segundo os dados de consumo divulgados pelo Inmetro, com etanol, a Toro é capaz de rodar 5,8 km/l na cidade e 7,1 km/l na estrada. Com gasolina, ela registrou 8,3 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada. Ainda assim, o modelo é nota A na categoria.

A Toro é um veículo bem construído e oferece um bom nível de equipamentos. É uma opção a ser considerada diante das picapes pequenas, cujo espaço da cabine é apertado para mais de dois ocupantes, e dos modelos médios, desajeitados para o uso cotidiano. Mas o seu preço contrasta com o desempenho de carro popular

Fotos: Renan Rodrigues e Divulgação