
Segurança é coisa séria - 03/01/2008

Os índices de violência vêm aumentando consideravelmente a cada dia nos grandes centros urbanos. A preocupação em encontrar soluções que contribuam com a segurança dos moradores dessas regiões já virou necessidade. E é nessa esteira que as empresas de blindagem filiadas a Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem) vêm trabalhando nos últimos anos. Entretanto, devido ao vasto número de blindadoras (cerca de 70%) que atuam sem respeitar as legislações do setor, o consumidor final acaba ficando perdido em um mar de incertezas.
Para tentar esclarecer as principais dúvidas sobre carros à prova de bala, Gerson Branco, diretor-presidente da Gepco, líder do mercado brasileiro de vidros laminados com policarbonato para proteção balística, e Franco Giaffone, presidente da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), alertam sobre os pontos a serem verificados ao comprar um carro blindado e esclarecem que existem projetos e tipos de blindagem diferentes, o que não significa que uma determinada empresa seja melhor que outra.
"Não se pode generalizar o tipo de análise de blindagem, salienta Branco. Cada caso é um caso. Cada empresa blindadora tem um projeto e uma tecnologia diferente da outra. Soluções encontradas por uma determinada empresa, muitas vezes não serve para a outra. Isso não significa que uma seja melhor do que a outra. Em engenharia não existe verdade absoluta. E se existisse, não haveria progresso técnico", completa o executivo.
Branco também faz questão de destacar as peculiaridades que envolvem um teste de qualidade de blindagem. "Para avaliar uma determinada blindagem é necessário identificar para qual finalidade ela será utilizada. No caso de um carro para utilização na cidade, por exemplo, não é necessário blindar o piso. Já em um veículo que será utilizado na guerra, a necessidade existe."
De acordo com Branco, existem os erros e os pontos fracos da blindagem que são assumidos. "O fato de algumas determinadas regiões do carro não apresentar blindagem não representa omissão do blindador, mas sim a não necessidade de blindagem deste determinado local e também a consciência sobre qual o tipo de utilização do veículo por parte do cliente."
Segundo o presidente da Abrablin, Associação Brasileira de Blindagem, além de todas as dificuldades enfrentadas pelo segmento, onde apenas 30% das empresas de blindagem atuam de acordo com as regulamentações oficiais do setor, empresas que tentam desqualificar os concorrentes acabam confundindo ainda mais o cliente, que já é por natureza bastante desconfiado.
"Gostaria de saber qual o tipo de avaliação que pode classificar um determinado tipo de blindagem sem a realização de testes balísticos", questionou Giaffone, referindo-se aos métodos que permitem aferir a qualidade de uma blindagem sem a necessidade de desmontagem de seus componentes.
Analisando o setor, Giaffone reconhece que as condições de mercado são complicadas. "O objetivo da Abralin é trazer clareza ao consumidor final", explica. Quanto ao alto índice de blindadoras que não atendem à legislação do setor, Giaffone disse que esforços estão sendo tomados junto ao exército para diminuir o volume de empresas que não seguem os padrões ideais de qualidade.
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