Se você tivesse de construir um carrinho artesanal bem maluco para disputar uma competição, o que você faria? Peraí, não vale copiar a “Máquina do Mal”, do Dick Vigarista, nem o meigo possante da Penélope Charmosa, personagens do desenho “Corrida Maluca”, dos estúdios Hanna Barbera. Para vencer a prova, lembre-se de que, além de ser muito criativo, seu carro deverá descer uma ladeira de 500 metros de extensão, o mais rápido possível. Só que, detalhe: sem motor, apenas com sistema de freio e direção.
Pegadinha? Pois saiba que mais de 200 “malucos” – e divertidos competidores toparam o desafio e desceram ladeira abaixo com suas criações inusitadas sobre rodas, em Fortaleza, Ceará, no dia 8 de junho, durante a 1ª Red Bull Soapbox. Realizada desde 2000 em países da Europa, Austrália e África do Sul, a prova chegou este ano ao Brasil. Mais de 25 mil pessoas foram até a Praia do Futuro conferir a maluquice de perto, e o Carsale também esteve por lá.
Veja Galeria de fotos
De louco, todo mundo tem um pouco. Não é à toa que, logo na primeira edição da prova, cerca de mil equipes inscreveram seus trabalhos, dos quais 40 foram selecionados para a competição. E teve de tudo: um carro em forma de caldeirão de feijoada, outro inspirado em Elvis Presley, um sapo cururu, uma rapadura veloz, um côco verde e até um carro espermatozóide!
O DESAFIO
Segundo o regulamento da prova, os carros deveriam pesar no máximo 100 quilos e se limitar às dimensões de 2 metros de altura, 3 m de largura e 6 m de comprimento, além da distância mínima de 15 cm entre o chão e o assoalho. As equipes, formadas por cinco pessoas cada, podiam utilizar qualquer material na construção dos protótipos, como madeira, ferro, aço, espuma e até papelão.
Muitos participantes adaptaram estruturas de bicicletas, outros preferiram carrinhos de rolemã; e alguns ainda criaram seus próprios “chassis”. Mas não bastava apenas pensar numa estratégia para ser veloz: as equipes tinham o desafio de encenar uma performance antes da descida, com direito à fantasia, trilha sonora, dança e interpretação teatral.
Na descida, apenas piloto e co-piloto poderiam estar dentro de seus carrinhos, ambos devidamente equipados com capacetes. Se nesta prova o "motor" é a gravidade, o propulsor de arranque ficava por conta dos outros colegas de equipe, responsáveis em empurrar o carro para impulsioná-lo – e não faltou gente rolando rampa abaixo!
EQUIPES
O único requisito para participar da prova é ser maior de 18 anos. E não pense que só os estudantes de engenharia toparam construir carros - eles eram, aliás, minoria entre as equipes. A competição reuniu jovens de diversas áreas, como Publicidade, Design, Enfermagem e até Odontologia; além de famílias, que saíram até de seus estados para participar da competição.
Foi o caso da equipe Cururu Têi-Têi, de Natal (RN), que colocou um sapo gigante na pista para homenagear os sapinhos e rãs que normalmente aparecem no quintal da família. O design do sapo ficou por conta do pai e artista plástico, Jônatas da Silva, enquanto a mecânica coube a seu sobrinho Bruno César, que é engenheiro mecânico e que, além de co-piloto, foi o "amortecedor inteligente" do carro. "Utilizamos o recurso homem-sapo", brincou Bruno, que, no momento da descida, ficava de pé em cima da "suspensão traseira", impulsionando o veículo com o movimento dos joelhos.
OS VENCEDORES
O time de jurados era formado por celebridades, como Cacá Bueno, piloto da Stock Car, o pentacampeão mundial de skate Sandro Dias, o cantor Falcão, o ator André Ramiro ("Tropa de Elite") e a ex-BBB Natália Cassassola. A equipe cearense “Elvis não morreu, bebeu”, que levou um "Elvis Presley" como co-piloto de um carro feito de espuma e metal, que lembrava uma nuvem, foi a grande campeã da prova. O prêmio pela façanha foi uma viagem com tudo pago para assistir ao Grande Prêmio de Fórmula 1, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, em novembro.
A segunda colocada foi a equipe “Feijoada da Vó Tereza”, também de Fortaleza, formada por divertidos estudantes de Publicidade, que projetaram uma cumbuca de feijoada sobre rodas, e disputaram a corrida fantasiados de feijão. Já em terceiro lugar ficou a Amazon Bull, de Belém (PA), que retratou a fauna e a flora da Amazônia.
O carro mais rápido da prova foi o “Parapiranha”, construído por uma equipe de Olinda, Pernambuco, que cruzou a linha de chegada num tempo de 50 segundos e 42 milésimos. O segundo mais veloz, que atingiu a marca de 55s45, foi o curioso “Jeggs”, uma caixa de ovos sobre rodas, feita de fibra de carbono e vidro, projetada por um grupo de engenheiros de Lauro de Freitas, na Bahia.
A próxima etapa da Red Bull Soapbox acontece em 21 de setembro, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. As inscrições estão abertas até julho. Mais informações pelo site: www.redbullsoapbox.com.br
Agradecimentos Fiat Automóveis do Brasil