A 100ª edição do Salão de Detroit, a principal mostra automotiva dos Estados Unidos, terminou ontem (21). Tradicional reduto de apresentação de protótipos, o evento não fugiu da cartilha este ano: mostrou modelos conceituais que não só antecipam o estilo de futuros veículos de produção, mas também as novas diretrizes de cada fabricante. Além disso, a responsabilidade ambiental foi tratada como prioridade pelas montadoras, que mostraram protótipos equipados com motores que prometem poluir menos.
O destaque entre estes modelos “amigos do meio ambiente” foi o Chevrolet Volt, híbrido que utiliza motor elétrico, cuja bateria pode ser carregada em uma tomada convencional de 110 Volts. Ele é combinado com propulsor multicombustível, que pode utilizar gasolina, álcool ou gás natural veicular. Segundo a General Motors, com carga completa (precisa de seis horas para recarregar a bateria) e a motorização convencional, tem autonomia para 1.029 quilômetros, com velocidade média de 80 km/h.
O conceito apresentado no protótipo Volt, que apresenta diversas vantagens para o meio-ambiente, deve ser tornar realidade até o final da década. Além das três grandes montadoras norte-americanas (GM, Chrysler e Ford), a japonesa Toyota também surpreendeu revelando o protótipo FT-HS, um esportivo futurista com motorização híbrida. Ele usa unidade 3.5 V6, a gasolina, combinada com propulsor elétrico. Juntos, entregam 400 cavalos de potência.
Mas nem só de motores limpos foi feita a mostra automotiva; outro protótipo que chamou a atenção foi o Mazda Ryuga, com visual futurista e portas com abertura para cima, no estilo "asa de gaivota". O modelo foi preparado para receber motor que funciona com etanol E85 (85% de álcool com 15% de gasolina). A Honda apresentou o Accord Coupe Concept, que antecipa as linhas da nova geração do modelo. Sua marca de luxo, Acura, também revelou o protótipo que dará origem ao novo NSX.
Os três grandes destaques da mostra foram protótipos que antecipam linhas de futuros modelos de produção. Eleito pelos editores da revista norte-americana Autoweek, “O Carro do Salão de Detroit”, o C-XF mostra como ficará o futuro XF, sedã de luxo que substituirá o Jaguar S-Type. Outra estrela do evento também veio do PAG (divisão de marcas de luxo da Ford: Land Rover, Volvo e Jaguar); trata-se do Volvo XC60, um modelo conceitual que revela as linhas do futuro utilitário esportivo compacto da marca.
Assim como na edição 2006 do salão, a GM chamou a atenção com o protótipo Camaro, mas desta vez na versão conversível. O modelo estará disponível no mercado norte-americano em 2009, alguns meses depois do cupê. Mas como nem todo evento automotivo é feito só de protótipos, as montadoras reservaram a estréia mundial de alguns modelos definitivos para Detroit. A Ford apresentou o Focus reestilizado, mas o novo visual não deve ser usado no sucessor do carro vendido no Brasil – e produzido na Argentina. A tendência é de que nossa versão siga o padrão do Focus europeu.
A alemã BMW levou duas atrações para os Estados Unidos, a versão perua o M5 e o Série 3 conversível. Em uma mostra na qual os modelos têm pouca ligação com o Brasil, estes - principalmente o esportivo - são carros com reais chances de comercialização em nosso mercado.
Outra estrela entre os lançamentos foi a versão conversível do luxuoso Phantom, da Rolls-Royce. Além disso, o Cadillac CTS ganhou nova geração e a Dodge mostrou a uma versão mais potente do Viper, a SRT-10. Já a Lexus, marca de luxo da Toyota, aproveitou para lançar sua nova divisão esportiva, a F, que começa com o sedã IS-F, presente no salão.