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 Veja como os vícios de direção podem prejudicar seu carro30/11/2005 

Texto: Rafaela Borges
Fotos: Divulgação

As aulas práticas de direção são obrigatórias para o condutor que pretende tirar sua primeira habilitação. Nelas, aprendemos como segurar o volante, posicionar bancos, espelhos e pés; respeitar os limites de velocidade e fazer algumas manobras. Porém, esses cursos não parecem ser suficientes para formar motoristas sem vícios de direção. É raro o cidadão que não tenha adquirido algumas práticas errôneas ao volante.

O principal problema dos vícios de direção é que, na maior parte das vezes, eles podem danificar partes da estrutura do veículo. Por isso, selecionamos alguns erros mais comuns ao volante e chamamos dois especialistas para falar sobre eles. Paulo Lozanno, diretor-técnico da AEA (Associação de Engenharia Automotiva), listou os danos que o motorista pode causar ao veículo quando o conduz de maneira errada. Já Roberto Manzini, proprietário da escola de pilotagem que leva seu nome, dá algumas dicas de como dirigir um veículo da maneira correta. “O principal conselho é pensar em como as práticas errôneas podem pesar no bolso”, diz.

Segurar o carro na ladeira, pisando nos pedais da embreagem e do acelerador: a prática acelera o desgaste da embreagem, podendo superaquecê-la. Além disso, pode provocar dor na perna e aumento da tensão. A maneira correta de fazer a manobra é utilizando os freios normais ou de estacionamento.

Descansar a mão na alavanca do câmbio: embora não seja uma prática que danifica o veículo, não é recomendada, pois leva ao cansaço do braço, facilitando a queda de atenção e podendo, portanto, ocasionar acidentes. A dica é manter as duas mãos no volante, na posição 9h15 do relógio de ponteiros.

Usar o pedal da embreagem como apoio para o pé: a AEA não recomenda a prática, já que esta pode gerar risco de acionamento inicial da embreagem, causando deslizamento da mesma e aquecimento indevido.

Acelerar o carro antes de desligá-lo: prática não recomendada, principalmente nos veículos a diesel. O procedimento pode gerar excesso de combustível não queimado e danificar o catalisador numa próxima partida. A dica de Roberto Manzini é lembrar que este vício de direção também aumenta o consumo de combustível e, portanto, o gasto do motorista com o carro.

Rodar com o tanque de combustível na reserva: segundo a AEA, na maioria das vezes a prática não gera problemas. Entretanto, quando se usa combustível adulterado, o procedimento pode provocar acúmulo de resíduos e água no fundo do tanque, ocasionando problemas no funcionamento do motor. A associação aconselha limpar o tanque, independente de andar com ele na reserva ou não.

Trocar as marchas fora da velocidade indicada pelo fabricante: quando a prática é feita de maneira sistemática, pode danificar ou acelerar o desgaste das peças móveis do motor. Forçar o propulsor em rotações mais baixas não é problema, principalmente nos carros modernos, que contam com sistema de injeção eletrônica. Nesse segundo caso, pode acontecer trancos e solavancos e até falha na lubrificação do motor. Para Roberto Manzini, a prática dificulta ultrapassagens. “Para aprender a domesticar o carro na melhor faixa de rotação, o motorista deve sempre ler o manual de instruções do mesmo”, ensina.

Passar sobre buraco ou lombadas pisando no freio: o impacto da roda com a borda de um buraco é ainda mais severa se esta estiver travada pelo freio. Em lombadas, a frente do veículo mergulha assim que o motorista aciona o freio, o que diminui o vão livre entre o solo e o obstáculo. A dica é acionar o freio antes do buraco ou lombada. Depois que transpor o obstáculo, se houver necessidade, o motorista pode frear o automóvel novamente.

Acelerar e frear o carro com freqüência: reduz a vida útil dos componentes do freio e dos pneus. Além disso, acelera o consumo de combustível e aumenta a emissão de poluentes no meio ambiente. Para perder este hábito, Roberto Manzini dá novamente a dica que pode mudar a cabeça do motorista: “lembre-se que esta prática errônea dói no bolso”.

Encostar o pneu na guia: se o impacto for leve, resulta apenas em riscos nas rodas ou calotas. Os mais fortes podem amassar rodas e até mesmo componentes dos sistemas de suspensão e direção. O motorista que pratica freqüentemente a manobra de maneira errada pode optar por colocar um sensor de estacionamento no carro.

Engatar marcha-ré em movimento: sacrifica a embreagem do veículo. O correto é parar o carro, para depois engatar a marcha-ré.

Esterçar o volante com o carro parado: não prejudica o veículo, mas pode desgastar os pneus. Entretanto, boa parte dos automóveis é projetada para atuar nesta condição.

Passar sobre lombadas com uma roda por vez: em baixas velocidades, não há problema. Mas em altas, não é recomendado, já que pode ocorrer interferência entre a suspensão e a lombada. “Repare como é comum se ver riscos na extremidade direita das lombadas. Cada risco pode corresponder a uma suspensão comprometida”.


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