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 Perdeu as chaves do carro? Saiba o que fazer09/08/2005 

Texto: Jairo Morelli
Fotos: Divulgação e do autor

A correria do dia-a-dia é realmente implacável. Quem nunca chegou a perder, ou esquecer a chave do carro? Pois saiba que essa situação é mais comum do que muitos imaginam, conforme apuramos nessa reportagem. E não pense que o problema é simples de ser resolvido. Existem muitos detalhes e entraves que são desconhecidos pela maioria das pessoas. Para traçar um panorama esclarecedor sobre o assunto, consultamos os quatro principais fabricantes de veículos do País, além de seguradoras e chaveiros independentes.

Em meados da década de 90, os principais fabricantes nacionais passaram a equipar seus modelos com sistemas codificados para dificultar a partida sem a chave original. Apesar de cada marca batizar o sistema com nome específico, o principio de funcionamento deles é praticamente o mesmo. Uns são mais complicados, outros menos, mas, em resumo, têm a mesma finalidade. O primeiro fabricante a contar com tal equipamento foi a General Motors - com o Corsa, em 1994 -, seguida por Fiat (com o Palio) e Ford (no Fiesta), ambos em 1996. Em seguida, foi a vez da Volkswagen, em 1998, com Santana e Quantum.

Desde então, estes fabricantes foram estendendo o sistema para os demais veículos, sendo que, atualmente, praticamente todos eles saem de fábrica com o equipamento. Mas muitas pessoas desconhecem os procedimentos para resolver o problema da chave perdida. Se você for proprietário de um modelo Fiat vai se deparar com o sistema chamado Fiat Code, que, desde 2003, faz parte de todos os carros da marca. Atualmente, existem duas gerações do sistema, sendo que os modelos produzidos a partir de 2000 já vêm com o de 2ª geração.

Em ambos os casos, a montadora disponibiliza para o cliente, na hora da compra, um cartão, no qual são colocados todos os códigos do veículo. A partir dele é possível realizar procedimento de emergência, por meio do pedal do acelerador, que permite a ligação do carro. Caso o proprietário não tenha mais em mãos este cartão é necessário levar o carro para uma revenda da marca, que providenciará a confecção da chave nova. Nos modelos de 1ª geração, a central do Fiat Code tem de ser trocada e o serviço demora cerca de 1 dia para ser efetuado. O gasto fica em torno de R$ 1.000.

Nos modelos de 2ª geração, o cliente também tem de levar o carro para uma concessionária, que entra em contato com a fábrica - onde em uma central estão armazenados todos os códigos, de todos os clientes. A partir disso, existe um prazo máximo de cinco dias para o recebimento do novo cartão com o código do veículo. Nessa situação, o custo fica bem mais baixo: cerca de R$ 300, incluindo mão-de-obra. Nos modelos que não contam com nenhum dos dois sistemas, o procedimento para fazer a nova chave é o tradicional e o serviço fica muito mais em conta.

Já nos modelos General Motors, o sistema é chamado de Imobilizer. Como na Fiat, os clientes da marca também recebem, na hora da compra, um cartão contendo todas as informações eletrônicas do carro. Caso o proprietário não tenha mais este cartão, a única maneira de conseguir fazer a chave é por meio da numeração do chassi. Por meio destes números, a fábrica envia novo cartão, que demora cerca de dois dias para chegar É a partir daí que é feita a nova chave. A confecção da chave de um Novo Corsa, por exemplo, fica em torno de R$ 150 e, de um Astra, R$ 350. Em alguns modelos específicos, como Vectra e Omega, que contam com chaves mais informatizadas, o serviço pode demorar algo entre 5 e 10 dias e entre 15 e 30 dias, respectivamente.

Na Ford, os carros trazem de fábrica o sistema Pats, Sistema Passivo Anti-Furto, que fica armazenado no interior da chave de contato e é único. Quando o motorista introduz a chave com o segredo na ignição, uma antena instalada na coluna da direção reconhece o código eletrônico e libera a ligação do veículo. Nos modelos da empresa, a perda da chave obriga o concessionário a trocar todas as fechaduras do carro e reprogramar o código no módulo central. O trabalho demora aproximadamente 3 horas e o custo fica em torno de R$ 400, nos modelos mais simples.

Já os donos de carros Volkswagen que perderem as chaves têm de entrar em contato com o VW Service, que indicará a concessionária mais próxima para levar o veículo. Para fazer a nova chave, a revenda entra em contato com a fábrica que, em prazo de um dia e meio, envia o código do veículo. A demora se explica pelo fato dos códigos ficarem armazenados na matriz da empresa, na Alemanha. O gasto pode ficar entre R$ 200, nos modelos mais simples, e R$ 800, nos carros de segmentos superiores.

Em resumo, deu para perceber que uma simples chave pode dar muita dor de cabeça. Mas é bom lembrar de outro ponto também muitas vezes esquecido pelo proprietário: o seguro. Atualmente, as principais seguradoras do país já oferecem em seus planos mais básicos o serviço de chaveiro. Basta entrar em contato com a central de atendimento destas empresas, que, em pouco menos de uma hora, um especialista é enviado ao local. E vale lembrar que o serviço não entra como sinistro, portanto, o cliente não perderá o bônus na hora da renovação e não gastará nenhum centavo para realização do trabalho. Entretanto, o serviço é limitado.

Segundo as principais seguradoras, a confecção de chaves para modelos codificados é praticamente impossível. Seus funcionários não contam com tecnologia capaz de realizar o serviço. Sendo assim, os clientes acabam, no final das contas, tendo que levar o carro, por meio de guincho, para uma concessionária. Já para veículos convencionais, a nova chave é feita em pouco mais de uma hora e no próprio local. Para aqueles que não possuem seguro existe ainda outra opção: os chaveiros independentes. Estes profissionais afirmam conseguir produzir nova chave para praticamente todos os veículos nacionais.

Apesar disso, alguns deles informaram que existem algumas exceções como, por exemplo, os modelos Fire da Fiat e alguns veículos Ford, além dos importados. Para estes modelos, o trabalho é mais complexo e exige maior conhecimento técnico. Mesmo assim, alguns deles garantem conseguir driblar as dificuldades. Mas vale destacar que ao acionar um serviço paralelo, o cliente está sujeito a perder a garantia de seu veículo, o que, muitas vezes, não compensa a diferença entre o preço mais baixo do serviço destes profissionais para os das concessionárias.


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