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 Perigo: carros em mal estado rodam livremente em SP14/03/2005 

Texto e fotos: Jairo Morelli

O dia-a-dia de um morador de cidade grande realmente não é fácil. Tentar fugir do trânsito em São Paulo, por exemplo, é tarefa praticamente impossível. Além disso, problemas como a poluição do ar agravam ainda mais a situação. Para minimizar os efeitos nocivos do ar poluído, a prefeitura da capital paulista vai implementar a inspeção veicular na cidade a partir de maio do ano que vem, mas apenas o nível de emissões será verificado. Apesar de não ser o ideal, já é um começo.

De acordo com estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), dos mais de cinco milhões de veículos que compõem a frota de veículos de São Paulo, cerca de 50% possuem mais de 11 anos de idade. Números preocupantes, levando-se em conta que grande parte destes automóveis, além de não contribuírem com as arrecadações, circulam em péssimas condições.

Como fazer para solucionar essa situação? Alguns pontos já foram e continuam sendo debatidos pelos órgãos competentes. Um deles é o de renovação de frota, que chegou a dar indícios de que sairia do papel, mas não saiu. O governo chegou a cogitar a hipótese de reduzir alguns impostos para facilitar a aquisição do tão sonhado carro zero, mas não deu andamento ao projeto.

Nossa reportagem acompanhou um turno de trabalho de uma das equipes da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET), em trecho da Radial Leste (uma das mais famosas e importantes avenidas de São Paulo), para verificar o grau de incidência dos veículos com idade avançada nas ocorrências diárias.

E para se ter uma idéia da gravidade do problema, durante o turno de seis horas e quarenta minutos, todas as remoções feitas pela viatura que acompanhamos foram ocasionadas com automóveis com más condições, correndo o risco de causar acidentes. "Um carro quebrado bloqueando apenas uma das pistas já contribui para a formação de quilômetros de congestionamento", afirma Laércio dos Santos Guarezinim, técnico de trânsito da CET há quatro anos, segundo quem, mesmo com o trabalho ágil, fica difícil escoar o trânsito com rapidez devido ao grande volume de veículos que transita pela via todos os dias.

"Muitas pessoas que passam por um trecho com trânsito não sabem o trabalho que a CET já realizou para solucionar o problema. É preciso que entendam que a CET não é uma indústria de multas, mas sim uma empresa preocupada em melhorar as condições do trânsito em todas as frentes", informa Eduardo Gonçalves Rebelo, gestor de trânsito da CET e responsável pelas equipes do Departamento de Engenharia de Campo (DEC) Móoca. E deu para perceber que o trabalho não é fácil.

Segundo estatísticas, as equipes de campo da CET realizam aproximadamente 800 remoções/dia em São Paulo. Todo este trabalho é feito por apenas cerca de 1.700 funcionários espalhados pela cidade, que contam com meras 700 viaturas entre Kombi, Gol, motos, guinchos e as picapes F-250, C-20 e S10. Volume insuficiente para solucionar os problemas de uma cidade como São Paulo. E como se isso não bastasse, a qualidade destes veículos também não é das melhores. Basta uma simples examinada para ver que a frota da CET também precisa ser renovada.

Junte-se a tudo isso a precariedade do transporte público da cidade, insuficiente para a imensa população paulistana para encontrar a razão pela qual o trânsito paulistano beira o caos. Segundo Gilson Grilli, gerente geral de operações da CET, o trecho de cerca de 45 km cobertos pelo metrô são insuficientes para escoar parte dos motoristas. "Seria necessário pelo menos triplicar o perímetro do metrô. Isso sem contar uma melhora de qualidade". Além disso, segundo Grilli, seria necessário um novo planejamento para a cidade, que, diferentemente de outros tempos, hoje conta com diversos centros comerciais.

"Antes os centros comerciais ficavam restritos a determinadas regiões. Atualmente, bairros como os Jardins, por exemplo, onde antigamente encontravam-se apenas residências, se tornaram pontos com grande quantidade de empresas e, conseqüentemente, de grande fluxo de veículos. É preciso que um novo planejamento seja elaborado e colocado em prática para que a situação não venha a piorar ainda mais nos próximos anos, " completa Grilli. Mesmo assim, algumas medidas para minimizar o problema já vem sendo tomadas pela CET.

"Só com a implantação do rodízio já conseguimos reduzir a lentidão de 242 km, em 1997, para cerca de 110 km, este ano. Além do rodízio, realizamos também um aumento das reversivas, que atualmente já cobrem trecho de 40 km na cidade", finaliza Grilli. Apesar de todo o esforço da CET, o gerente afirma que é preciso um trabalho conjunto de todos os órgãos envolvidos com a questão trânsito para que aos poucos o cenário se modifique.


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