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 Mercedes-Benz C200 Kompressor Classic09/04/2008 

 Sedã de entrada da Mercedes Benz fica mais acessível
Texto, Fotos e Notas: Rodrigo Leite
Medições: Instituto Mauá de Tecnologia - IMT

FICHA TÉCNICA
NÚMEROS DO TESTE
FÓRUM







Ao ponto. Se fosse necessário buscar uma definição que acentuasse as qualidades do Mercedes-Benz Classe C, em sua versão 200 Kompressor, seria essa. Um sedã de porte, luxuoso e completo, que se comporta igual a um carro pequeno, principalmente na hora de demonstrar agilidade no trânsito. Você só lembra do tamanho do Classe C – que cresceu 5,5 cm no comprimento, 4,2 cm na largura e 4,5 cm no entre eixos em relação a geração anterior – na hora de estacionar. Ao volante, mesmo na versão mais “básica”, o sedã da Mercedes é só diversão.

E não é exagero. O Classe C não é feito para quem senta no banco de trás – não que ele não seja confortável, pelo contrário –, mas sim para quem está ao volante. Bancos, volante e instrumentos “vestem” o motorista, com inúmeras regulagens, buscando uma posição ideal de pilotagem. E ainda oferece uma ótima estabilidade e um amplo pacote de segurança passiva e ativa. E, com o dólar mais fraco, o modelo baixou de preço, partindo dos R$ 149.500. Chegou a hora de ter uma?

ESTILO
A estrela sobre o capô – pelo menos na versão Classic, a avaliada – está lá. As lanternas com luzes dispostas horizontalmente também. Mas o Classe C está diferente. E essa nova geração do sedã conseguiu inclusive gerar polêmica entre alguns puristas da marca, que enxergaram traços de carros franceses – como o capô que fecha sobre o pára-lama, semelhante ao visto em algumas gerações do Renault Laguna. Exageros amorosos ou não, é um carro belo, visto de todos os ângulos.

Na dianteira, destaque para a grade frontal “mutável”, já que na versão de entrada a Classic, ela conta com filetes cromados e com a estrela sobre o capô. Já nas versões Elegance e Avantgarde, esse logotipo cresce de tamanho e ocupa a grade. Os faróis perderam os contornos redondos e ganharam mais destaque, com linhas retas e recortadas, e luzes de posição na parte superior, gerando um belo efeito estético, principalmente à noite.

   

A linha de cintura foi elevada e a lateral perdeu o friso, justamente para reforçar essa nova característica. Fica bonito, mas causa uma certa apreensão, principalmente aqui no Brasil: nem todo mundo abre a porta com cuidado em shoppings ou estacionamentos... A traseira mudou bastante, com lanternas maiores, e que incorporam o sistema "Flashing Brake Lights", que pisca as luzes de freio intermitentemente nas frenagens de emergência, acima dos 50 km/h.

Ao abrir a porta, esqueça a idéia de sedã de entrada, a começar pela chave: usa um sensor no lugar do miolo tradicional. Bancos revestidos de couro, teto solar, regulagens elétricas do banco – exceto para frente e para trás, na versão avaliada. A ausência do freio de estacionamento por alavanca no túnel central – Mercedes-Benz que se preze tem esse equipamento do lado esquerdo, acionado pelo pé, como em caminhonetes – permite um amplo console central.

Neste console encontramos um controle giratório, praticamente o mouse copiado da BMW X5, para regulagens de parâmetros do rádio e outras funções. Quem olha o painel pela primeira vez pergunta: onde está o display do rádio? Aqui, a elegância e a discrição da estrela de três pontas revela uma pequena tampa que camufla a tela colorida do sistema, ótima para não chamar a atenção.

Motorista e ocupantes “encaixados”, fique tranqüilo: a Mercedes-Benz destruiu mais de 100 Classe C em testes, para aprimorar o funcionamento dos seis airbags espalhados pelo interior, bem como o sistema oriundo do Classe S, o NECK PRO, que em caso de colisão traseira, empurra os encostos para a frente, em milésimos de segundos, para reduzir o risco de ferimentos no chamado “efeito chicote”.

   

DESEMPENHO
O motor 1.8 16V sobrealimentado por compressor, que entrega 184 cavalos de potência, faz você esquecer de que se trata de um bloco de quatro cilindros. Suave no funcionamento, ele não transmite vibrações ao interior, apenas um leve sopro, do compressor atuando – perceptível principalmente em locais fechados. Com bom torque de 24,4 kgfm, disponíveis logo a partir dos 2.800 rpm até os 5.000 rpm, o sedã acelera de 0 (zero) a 100 km/h em 9,58 segundos, de acordo com os testes feitos pelo Instituto Mauá de Tecnologia - IMT (8,6 segundos de acordo com a fábrica, que também informa a velocidade máxima de 235 km/h).

Esta aceleração, em conjunto com a direção direta e ágil, 6% mais rápida que o sistema anterior, garante ótimos momentos de diversão. E torna o sedã ágil, apto para escapar de situações comuns do trânsito. É como se ele ficasse menor e não mostrasse os 1.490 quilos durante as manobras. A visibilidade é boa, auxiliada pelos largos espelhos laterais (com pisca alerta integrados).

A suspensão dianteira, de braços triangulares sobrepostos, com sistema anti-mergulho, oferece ótimo conforto, sem comprometimento da performance. A traseira acompanha o bom acerto, em um sistema de multi-braços. O conjunto têm auxilio de controle de estabilidade e barras estabilizadoras, dianteira e traseira, em um sistema denominado Agility Control.

Na hora de parar, ABS, ESP, além do Adaptive Brake, mantém os freios sempre aptos a garantir a melhor situação de frenagem. Em chuvas, por exemplo, a pastilha toca por milésimos de segundo o disco, para limpar a superfície mantendo o disco seco, e em subidas, ele auxilia na saída, evitando que o carro ande para trás. Isso se reflete nos 38,2 metros necessários para parar o carro quando se está a 80 km/h. A versão Avantgarde conseguiu números ainda melhores, com as rodas 17": precisou de apenas 35,8 metros para a mesma situação.

   

Para o motorista, a tradução de tudo isso é segurança. Que é sentida inclusive na sensação ao volante: parece que estamos em uma “bola de borracha” sem vibrações, barulhos, ruídos ou trancos, mesmo ao passar em valetas mais profundas. Os pneus de perfil alto (205/55) que vestem as rodas de 16” na versão Classic, também favorecem essa sensação.

Outra grande vantagem desta versão é o consumo. Na cidade, conseguimos a interessante marca de consumo de 8,7 km/l e, na estrada, "estonteantes" 14,3 km/l, segundo os testes feitos pelo IMT, uma ótima marca para esse segmento. Nas medições feitas na Europa, com gasolina de verdade, a Mercedes informa 9,3 km/l, na cidade, e 16,6 km/l, na estrada. No Brasil, temos um consumo maior, mas bem distante das Mercedes da década de 90, ou 80...

   

MERCADO
Com esse reposicionamento de preços, o Classe C fica bem interessante. Na versão avaliada por Carsale, a Classic, o sedã chega com o bom preço de R$ 149.500, podendo ir até os R$ 169.900, na versão Avantgarde. A marca informa uma redução de até 9,11% nos preços. Essas mudanças são significativas, inclusive por se tratar do modelo mais vendido da marca no País. Em 2007, foram vendidos 1.148 Classe C, sendo destas, 1.000 do novo modelo, lançado em junho do ano passado. Considerando que o volume de vendas da marca no ano passado foi de 2.636 unidades, pode se dizer que o C é a base fundamental da marca no País.

A concorrência é acirrada. Começa pelo A4 1.8T (quatro cilindros e 163 cv) que parte dos R$ 149.900, passando para o BMW 320 16V (com motor 2.0 quatro cilindros de 150 cv) que é o principal concorrente, e mais caro, com R$ 161 mil. Há ainda o Volvo S40 2.4i (motor de cinco cilindros de 170 cv) que parte de R$ 143.400. Todos contam com pacotes semelhantes de equipamentos de conforto e marcas confiáveis. Mas que dá gosto ver a estrelinha lá na frente, isso dá...

   


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