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 Ford Focus GLX x Renault Mégane Expression14/06/2006 

 Veja o duelo entre as versões mais simples dos sedãs médios
Texto e Notas: Rafaela Borges
Fotos: Marcelo Goto
Medições: Instituto Mauá de Tecnologia - IMT

FICHA TÉCNICA
NÚMEROS DO TESTE
FÓRUM







Para a indústria automobilística, 2006 é o ano dos sedãs médios. Boa parte dos fabricantes conta com lançamentos neste segmento. Logo nos primeiros meses, chegou às concessionárias Renault o aguardado Mégane, cujo estilo já era conhecido desde 2004, quando a montadora promoveu sua apresentação no Salão do Automóvel. Em princípio, a empresa optou apenas por comercializar a versão 1.6 do carro, – a 2.0 chegou este mês – com motor bicombustível.

Agora, o Mégane Expression chama para a briga um de seus rivais, o Ford Focus 1.6 GLX. Solicitamos também, para este comparativo, o Toyota Corolla com motor 1.6. Entretanto, até o fechamento desta avaliação, a montadora não havia disponibilizado o carro. Eles são as opções de entrada dentro do segmento dos sedãs médios. Têm motores mais fracos e nível de acabamento menos refinado que os topos da linha. Ainda assim, atraem o consumidor pelo espaço, estilo e boa lista de itens de série.

O Mégane chega ao mercado trazendo como grande trunfo o motor bicombustível. O álcool já não é tão barato como no ano passado, mas mesmo assim a flexibilidade de combustível é uma vantagem. Para quem gosta de desempenho, o Renault, com álcool, registra melhores números do que o Focus, que bebe apenas gasolina. O acabamento de ambos é razoável, mas o estilo externo do Mégane está mais contemporâneo que o do rival. O espaço interno é semelhante, mas o Renault conta com porta-malas maior.

ESTILO
As linhas do sedã médio da Renault chamam a atenção pela atualidade e passam impressão jovial. Elas são praticamente as mesmas do modelo comercializado na Europa. Entretanto, a versão do Velho Continente passou por pequena reestilização no final do ano passado. O Focus já é um antigo conhecido dos brasileiros, mas ainda consegue manter certa modernidade. Suas linhas são mais sóbrias que as do concorrente. O acabamento dos dois modelos não é nada além de razoável.

No Mégane, a impressão é a de estar a bordo da versão topo de linha do Clio. Por isso mesmo, não é de se estranhar um certo capricho na escolha dos materiais de acabamento. O argentino Focus deixa a desejar em alguns pontos, como um buraco no console central, que dá lugar ao computador de bordo na versão topo de linha, a Ghia. Como o GLX não conta com o recurso, fica uma sensação de improviso na cabine do modelo. Por outro lado, também há detalhes cuidadosos, como a presença de acabamento prata no câmbio.

Focus
 
Mégane

No Renault, a chave de ignição, substituída por cartão, forja modernidade. Na prática, não há grande vantagem no sistema de ignição, exceto na sensação de tecnologia que ele inspira. Ainda assim, ela fica mais confortável em um bolso de calça jeans e paletó do que a chave convencional. Um dos pecados da versão Expression do Mégane é a ausência de ajuste elétrico do banco do motorista; dependendo de sua estatura, ele pode ter a visibilidade prejudicada no carro. Por isso, no quesito dirigibilidade, o Focus sai na frente. O Renault se redime graças ao controle das funções do som no volante, item opcional, que vem no pacote "Pack", do qual falaremos adiante.

As dimensões do Mégane também superam as do Focus, mas a diferença é pequena. O Renault tem 4,49 metros de comprimento, ante 4,36 m do concorrente. A distância entreeixos do sedã brasileiro é 2,68 m, enquanto a do argentino fica em 2,62 m. Por isso, o espaço interno dos dois é bem semelhante, e dois adultos ficam confortavelmente acomodados no banco de trás. O porta-malas do Mégane, com capacidade para 520 litros de bagagem, supera em 30 litros o do rival.

DESEMPENHO
Outra vantagem do Mégane na comparação com o Focus é o fato do carro contar com motor 1.6 bicombustível. Assim, além da flexibilidade no abastecimento, o sedã da Renault apresenta desempenho melhor quando abastecido com álcool. Nestas condições, seu propulsor de 1.598 cilindradas rende 115 cavalos e 16 kgfm a 3.750 rpm. Segundo medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o carro acelera de 0 a 100 km/h em 12,7 segundos.

Focus
 
Mégane

Enquanto isso, o Focus Sedan, com propulsor de 1.598 cilindradas, 102,5 cavalos e 14,6 kgfm a 2.750 rpm precisa de 12,9 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h. Mesmo em rotações mais baixas, quando o Ford atua melhor, o maior torque do concorrente faz a diferença: ele vai da imobilidade a 100 km/h em 5,1 segundos, ante 5,3 segundos do Focus. Mas, quando o Renault utiliza gasolina, ele fica mais lento do que o sedã argentino, acelerando de 0 a 60 km/h em 5,6 segundos e de 0 a 100 km/h em 13,6 segundos.

Com 100% de gasolina, o motor do Mégane rende 110 cv e 15,2 kgfm a 3.750 rpm. Tanto estes números quanto os do Focus são pequenos para o peso dos sedãs médios, 1.285 kg para o Renault e 1.260 kg para o Ford. Por isso, quem espera um desempenho empolgante deve optar por versões com propulsores mais fortes. Entretanto, em conforto, os dois são semelhantes, com suspensões que promovem boas absorções das irregularidades do piso. A estabilidade é outro ponto alto de Focus e Mégane.

O nível de ruído interno do Renault é menor que o do concorrente. A 80 km/h, com os vidros fechados, ele registra 59 decibéis, - independente do combustível, ante 65 dB do Focus. Os dois carros mostram também bom comportamento dinâmico nas frenagens, mas com ampla vantagem para o modelo brasileiro. Ele traz de série freios com sistema antitravamento (ABS), que é opcional no Focus. Airbags dianteiros também estão na lista de itens de fábrica do Mégane, mas não na do Ford.

Focus
 
Mégane

MERCADO
Se o Mégane tem como vantagens a tecnologia bicombustível, o estilo e o desempenho, o Focus sai na frente quando o assunto é preço. Ele é oferecido por R$ 48.230, o que inclui ajuste de altura do banco do motorista e da coluna de direção, ar-condicionado, CD Player, direção hidráulica, relógio digital, travas e vidros dianteiros e traseiros elétricos, entre outros. O Mégane é cerca de R$ 6 mil mais caro, com preço sugerido de R$ 54.990.

O valor inclui praticamente os mesmos itens do Focus, mas não há CD Player e vidros traseiros elétricos. Estes equipamentos podem ser adquiridos no pacote "Pack", oferecido a R$ 2 mil, que traz ainda faróis de neblina, retrovisores elétricos e comando das funções do som no volante. Em contrapartida, o Renault vem de série com airbags e freios ABS, não disponíveis no Focus, no qual o pacote com os dois itens sai por cerca de R$ 4 mil.

A carreira do Focus no mercado é longa; ele foi lançado em 2000, e seu estilo passou por pequenas modificações ao longo destes anos. Atualmente, a versão sedã registra vendas de cerca de 550 unidades mensais, o que inclui também a opção de motor 2.0 Duratec. Por isso, o Mégane vai melhor: em média, ele alcança também 550 unidades por mês, apenas com o 1.6, já que a comercialização do 2.0 começou este mês. O líder entre as versões de entrada dos sedãs médios é o carro que ficou fora do comparativo, o Toyota Corolla.

Focus
 
Mégane


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