Sinônimo de status, os hatchbacks médios são objeto de desejo dos jovens, especialmente daqueles que não precisam de porta-malas grande. Entretanto, nos últimos anos, a indústria automobilística voltou seus olhos para os sedãs médios, deixando seus irmãos menores meio “largados”. As novidades do segmento ficam por conta da introdução de motores bicombustíveis para os modelos já existentes. O mais novo integrante dessa turma é o Golf 1.6 Total Flex, que a Volkswagen começou a vender em abril último. Neste comparativo, ele chama para a briga o Fiat Stilo 1.8 8V Flex, lançado em novembro do ano passado. O VW avaliado é da versão Flash, disponível até dezembro de 2006.
Como a maioria dos consumidores do segmento gosta de direção esportiva, levamos em consideração, primeiramente, o desempenho. Neste quesito, o motor mais forte do Stilo faz a diferença, e ele sai na frente, apesar da vitória apertada. Entretanto, ambos os modelos trazem as versões de entrada dos propulsores e, por serem flexíveis, pretendem atender o público que prioriza economia de combustível. Nesta avaliação, deu Golf. O pacote de equipamentos e o nível de conforto dos rivais são semelhantes, assim como o desenho de ambos está um pouco ultrapassado. Foi uma disputa bem equilibrada, decidida por pequena diferença de pontos.
DESEMPENHO
O motor do Stilo é mais forte que o do concorrente. A unidade 1.8, de 1.796 cilindradas, rende 114 cavalos e 18,5 kgfm a 2.800 rpm, com álcool. Segundo o Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), que realizou as medições, os números são suficientes para levar o carro da imobilidade a 100 km/h em 12,64 segundos, pouco menos que o Golf, que precisa de 12,87 s para realizar a operação. No Volkswagen, o propulsor 1.6, de 1.599 cilindradas, quando abastecido exclusivamente com o combustível vegetal, gera 103 cv e 14,5 kgfm a 3.250 rpm.
As retomadas do Fiat também são mais rápidas; o modelo leva 8,32 segundos para acelerar de 40 a 80 km/h, em terceira marcha. Nas mesmas circunstâncias, o Golf precisa de 12,93 s. Em quarta marcha, o Volkswagen acelera de 60 a 100 km/h em 12,93 segundos, pouco mais lento do que o Stilo, que faz o mesmo percurso em 11,73 s. Entretanto, o melhor desempenho do modelo produzido em Betim (MG) sacrifica seu consumo. Em ciclo urbano, ele faz 7,3 km/l, ante 8,4 km/h do VW.
Já nas rodovias, o Stilo registra consumo de 10,4 km/l, enquanto o Golf faz 11,2 km/l. E, mesmo com desempenho mais eficiente do rival, é preciso também ressaltar que o Golf tem uma “pegada” mais esportiva. A posição de dirigir convida o motorista a acelerar, enquanto o câmbio com trocas suaves e precisas – e relações mais curtas - é um convite a ousar, principalmente em rodovias com curvas. No Fiat, a direção elétrica permite dirigibilidade mais confortável. Com gasolina, o VW, apesar de seus 101 cv, é mais rápido do que o Stilo, com 112 cv. O modelo precisa de 13,21 segundos para ir de 0 a 100 km/h, enquanto o rival registra 13,3 segundos.
Em ciclo urbano, o consumo do Fiat com gasolina é melhor que o do Golf: 11,5 km/l ante 10,2 km/l. Nas estradas, a situação se inverte: o Stilo registra 13,4 km/l, enquanto o Volkswagen faz 14,6 km/l. No quesito estabilidade, os dois modelos ficaram quase empatados. Eles se comportam bem em curvas, com leve tendência a sair de frente, mas nada que ocasione grandes sustos ao motorista.
ESTILO
O desenho externo dos dois carros está ultrapassado. O Golf é o mesmo desde que foi lançado, há quase sete anos. No ano retrasado, o carro ficou ainda mais desatualizado diante do lançamento da quinta geração na Europa. O Stilo é mais recente, presente no mercado nacional desde 2002. Entretanto, no ano passado, o hatch da Fiat também perdeu pouco de sua atualidade, já que a montadora efetuou mudanças leves no modelo do Velho Continente, que deverá ganhar nova geração em 2007. Por aqui, não há previsão de mudanças para o veículo.
Entretanto, apesar dos desenhos obsoletos, tanto o VW como o Fiat trazem ótimo acabamento e boa lista de itens de série. Banco de couro é opcional no Stilo, oferecido por R$ 3.227; no Golf, o equipamento está na lista de itens de série. A posição de dirigir dos hatchbacks prioriza a esportividade, com assentos baixos. Mas ambos trazem de série ajuste de altura dos bancos. Considerando as dimensões, o Fiat supera o rival: são 4,25 metros de comprimento, 10 centímetros a mais que o do Volkswagen.
A distância entreeixos do Stilo é de 2,6 metros, ante 2,52 do hatchback da Volkswagen, produzido em São José dos Pinhais (PR). O porta-malas do modelo mineiro também é maior, totalizando 350 litros. O do Golf tem capacidade para transportar 20 l a menos de bagagem. O Volkswagen vem com rodas de liga leve de 16 polegadas, enquanto o Stilo é oferecido com calotas e aro 15. Se o consumidor quiser rodas de alumínio aro 16, terá de recorrer à lista de opcionais do Fiat e pagar R$ 1.330. Outro ponto de destaque nos rivais deste comparativo é a ergonomia. Para melhorar, ambos poderiam trazer controle das funções do rádio no volante. Os dois também vêm, de série, com ar-condicionado.
MERCADO
Em uma primeira análise, pode-se dizer que o Fiat é mais barato. Ele tem preço sugerido de R$ 49.220 e traz, entre os principais itens de série, retrovisores externos, vidros dianteiros e travas elétricas, direção elétrica, pára-choques na cor do veículo, volante e bancos com regulagem de altura. O Golf Flash, oferecido por R$ 52.262, vem com todos esses equipamentos e mais vidros traseiros com ajuste elétrico. Para incluir este equipamento no Stilo, o consumidor pagaria R$ 1.058.
Bancos de couro e rodas de liga leve também são de série no Golf, mas não no Fiat. Por outro lado, o Stilo vem com lista maior de opcionais, incluindo bancos dianteiros com ajustes elétricos, a R$ 5.129, e teto solar panorâmico SkyWindow, por R$ 6.875. No Golf, o teto solar está disponível, tem preço sugerido de R$ 3.296, mas não é panorâmico. Sensores de estacionamento e ar-condicionado digital, freios ABS com EBD e airbags engrossam a lista de opcionais dos dois veículos. Pelos dois últimos itens, a Fiat cobra R$ 5.851, valor que inclui cinto traseiro com tensionador. A Volkswagen pede R$ 4.739 pelos equipamentos.
Golf e Stilo representam duas boas opções para o segmento, já que reúnem esportividade e motor bicombustível, item indispensável para muitos consumidores brasileiros. Entretanto, eles não são os únicos “flex” do segmento, já que a Chevrolet também oferece o Astra 2.0 com a tecnologia. Peugeot 307 e Ford Focus, ambos a gasolina, completam a lista de concorrentes. Apesar de avaliarmos a versão Flash, disponibilizada pela Volkswagen para o teste, o motor bicombustível também está disponível para a opção de entrada do Golf, a Total Flex, oferecida por R$ 48.521, porém menos equipada.