Em uma entrevista concedida em novembro do ano passado, o diretor superintendente da Fiat América Latina, Cledorvino Belini, afirmou que até o fim de 2005, 80% da produção da montadora sairia da fábrica de Betim com tecnologia bicombustível. Pouco mais de um mês atrás foi a vez do médio Stilo ganhar o logotipo "flex" na carroceria. O modelo, que andava meio apagado no mercado, ganhou um pouco de fôlego tanto nas vendas quanto no desempenho. Segundo dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), em dezembro foram emplacadas 1.050 unidades do modelo, 292 a mais que no mês anterior.
Com a adoção do motor 1.8 8V do Idea, o Stilo ficou mais potente, passando de 103 cavalos, na versão oito válvulas a gasolina, para 114 cv, no propulsor bicombustível (102 cv com gasolina). Para se ter uma idéia, o mesmo motor 1.8 Flex rende 110 cv, no Palio, e 115 cv, no Palio 1.8R. A sensação é de que as mudanças proporcionaram certa agilidade ao médio, tanto na cidade quanto em trechos rodoviários, mesmo com o peso (1.230 quilos, sem os itens opcionais da versão testada) proporcionado pela grande quantidade de equipamentos embarcados.
De acordo com dados do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), o médio da Fiat precisou de 12,64 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, quando abastecido com álcool. Com gasolina no tanque, o intervalo de deslocamento sobe para 13,30 segundos. Nos ensaios de retomada de velocidade, com o combustível vegetal, o modelo leva 8,32 segundos para ir de 40 a 80 km/h, na terceira marcha. De 60 a 100 km/h, são 11,73 segundos, e de 80 a 100 km/h, 6,93 segundos.
No quesito frenagem, o Stilo precisou de 56,4 metros para parar totalmente à velocidade de 100 km/h. Além de freios com discos ventilados e ABS, o pacote de opcionais do modelo testado inclui assistência de frenagem.
A montadora divulga que o hatchback roda 12 quilômetros com 1 litro de gasolina, em ciclo urbano, e 16,3 quilômetros, na estrada. As medições feitas pelo IMT apontaram níveis de consumo maiores: 11,5 quilômetros, na cidade, e 13,4 quilômetros, em ciclo rodoviário. Quando abastecido exclusivamente com álcool, o consumo sobe para 7,3 quilômetros em perímetro urbano, e 10,4 quilômetros, fora dele.
A calibragem da suspensão ficou mais macia favorecendo o conforto. E foi esse aspecto que a Fiat priorizou no modelo. Apesar de o Stilo Flex estar posicionado como versão de entrada, com preço inicial a partir de R$ 48,8 mil, a unidade testada veio recheada de acessórios, incluindo sensores de estacionamento, controle de tração e dispositivo Bluetooth para telefonia móvel. Com esses equipamentos, o preço final do carro salta para cerca de R$ 80 mil.
Entre os itens da vasta lista de opcionais, os destaques vão para o controladores de velocidade, da direção elétrica e de tração. O primeiro está localizado em uma alavanca atrás do volante. Por meio desse dispositivo é possível regular uma velocidade constante para o veículo sem a necessidade de pisar no pedal do acelerador. Já os botões City e TC permitem, respectivamente, que a direção elétrica fique ainda mais leve e que as rodas evitem a patinação em casos de falta de aderência.
O motorista e o passageiro também têm à disposição regulagem elétrica dos bancos (distância e encosto), sendo que o ajuste lombar, as três opções de memória e o aquecimento são exclusivos de que está ao volante. Os bancos também contam com mesinha tipo avião e porta copos no descanso de braço central. A versão avaliada tinha ainda teto solar panorâmico elétrico Sky Window e acionamento automático dos faróis e dos limpadores de pára-brisa.
Os pontos que pesaram contra o novo Stilo foram as graduações do painel de instrumentos, cujo grafismo confunde o motorista, e o isolamento acústico da cabine. A Fiat disponibilizou para a avaliação, uma unidade com pouco mais de 3 mil quilômetros rodados e foi possível notar pequenos ruídos na forração do teto e quando o teto solar era acionado. E, apesar do acabamento caprichado, a reportagem também notou falhas de fixação no console central e no revestimento das portas.
Segundo a montadora, antes do lançamento do Stilo Flex, os modelos bicombustíveis ocupavam cerca de 70% da produção de Betim. Agora, eles ocupam 95%. Faltam apenas o utilitário Doblò e a família Marea vestirem a camisa.