A Renault iniciou em novembro as vendas do Clio equipado com motor 1.0 Hi-Flex, disponível nas configurações hatchback e sedã. Trata-se do segundo propulsor bicombustível da montadora, depois do 1.6. Além disso, entre as motorizações com até 1.000 cilindradas, é a primeira de 16 válvulas. Com a introdução do novo modelo, a Renault se tornou a quarta montadora a contar com a tecnologia 1.0 “flex” no Brasil, depois da Volkswagen, Fiat e Chevrolet.
A marca francesa aproveitou o lançamento do motor 1.0 Hi-Flex para efetuar leves mudanças estéticas no Clio. Mas nada que se compare a reestilização radical pela qual passou a versão européia do carro, que ganhou nova plataforma. Por aqui, as atualizações podem nem mesmo ser notadas pelos observadores menos atentos. Na pista, o modelo hatch avaliado por Carsale, com medições feitas pelo Instituto Mauá de Tecnologia, tem desempenho satisfatório.
ESTILO
As mudanças estéticas do Clio começam pela dianteira, onde a grade do radiador perdeu o formato de colméia. Outro destaque é o pára-choque redesenhado e pintado na cor do carro. Segundo a Renault, o detalhe aumentou as dimensões externas do modelo. A tampa do porta-malas agora conta com vinco em forma de “V” na parte central. Além disso, a alavanca de abertura do compartimento é contornada pelo logo da Renault, recurso que deixou a aparência do Clio mais moderna.
Por conta das alterações na tampa do porta-malas, a placa de identificação mudou de posição, e agora está situada no pára-choque traseiro. Vale destacar também a mudança de grafismo na inscrição “Renault”, também na parte de trás. A lateral não ganhou nenhuma modificação. No interior, o destaque fica por conta do deslocamento dos botões de acionamento do vidro elétrico do console central para as portas. Detalhes do painel de instrumentos e materiais de acabamento também ganharam atualizações.
DESEMPENHO
Levamos para a pista a versão hatchback do Clio, equipada com propulsor 1.0 Hi-Flex, abastecido exclusivamente com álcool. Segundo a Renault, nessas condições o modelo rende 77 cavalos e 10,2 kgfm a 4.250 rpm. O propulsor anterior, que utilizava somente gasolina, gerava 76 cv e 9,7 kgfm de torque. Entre as alterações efetuadas para transformar o motor Hi-Power em bicombustível, estão introdução de bocal de abastecimento do recipiente de armazenamento da gasolina e de sistema de partida a frio.
Além disso, a Renault efetuou também alterações nos componentes do motor; entre elas está a introdução de novos assentos de válvulas. Mesmo com todas as mudanças, a taxa de compressão foi mantida em 10:1. Segundo o Instituto Mauá de Tecnologia, o carro acelera de 0 a 100 km/h em 14,58 segundos. De acordo com o fabricante, a velocidade máxima é de 167 km/h, 1 km/h a mais do que a do motor Hi-Power predecessor, que bebia apenas gasolina.
Ainda segundo o IMT, a retomada de 40 km/h a 80 km/h, em 3ª marcha, leva 9,22 minutos. Em 4ª marcha, o carro precisa de 13,72 para chegar aos 100 km/h, partindo de 60 km/h. Na comparação com o modelo anterior, a gasolina, o Clio continua demonstrando desempenho satisfatório e superior ao de seus principais concorrentes. Na cidade, por exemplo, o veículo não pede constantes reduções de marchas, ao contrário do que acontece com boa parte dos modelos do segmento.
Outro ponto positivo fica por conta da alteração de posição dos botões de acionamento dos vidros. O recurso melhorou a ergonomia do modelo, evitando distrações desnecessárias no trânsito. Quanto ao consumo, as medições do IMT apontaram 9 km/l em circuito urbano e 11,5 km/l na estrada, números considerados bons para carros a álcool. Quando o modelo está abastecido apenas com gasolina, condição não avaliada por nossa reportagem, a potência fica em 76 cavalos, a mesma do antigo propulsor. O torque aumentou de 9,7 kgfm para 10 kgfm a 4.250 rpm.
MERCADO
Segundo a Renault, a expectativa com o lançamento da versão 1.0 bicombustível para o Clio é aumentar as vendas do modelo em 10% em 2006. Atualmente, o carro, nas configurações hatch e sedã, registra licenciamentos de cerca de 3 mil unidades por mês. O modelo com propulsor 1.0 Hi-Flex está disponível nas versões de acabamento Authentique, Expression e Privilège.
O preço sugerido é a partir de R$ 27,8 mil para o Authentique, de R$ 31,7 mil para a Expression e de R$ 41,6 mil Privilège. Os principais concorrentes do Clio 1.0 são VW Gol, Fiat Palio, Chevrolet Corsa e Volkswagen Fox. Todos os carros citados contam com tecnologia flexível em seus motores 1.0. Ford Fiesta e Peugeot 206 também fazem parte do segmento, mas só têm propulsor bicombustível nas versões mais fortes.