O mês de férias acabou, mas os finais de semana sempre estão aí para uma viagem em família. E nada melhor do que pegar a estrada em um carro espaçoso e econômico. A perua Palio Weekend ELX Flex e o monovolume Fit LX-L são duas boas opções. Apesar de fazerem parte de segmentos diferentes, ambos acabam concorrendo pelo amplo espaço para bagagem e pelos motores de cilindradas semelhantes. Nessa briga, os principais trunfos são propulsor bicombustível - por parte do Fiat - e o prático sistema de bancos dobráveis em conjunto com assoalho plano - no caso do Honda.
Mesmo sem poder beber álcool, o Fit ficou sempre na frente nas provas de desempenho, conforme os números de teste do Instituto Mauá de Tecnologia. A estabilidade nas curvas foi outro ponto positivo do modelo da marca japonesa durante os testes na pista. Por sua vez, a Palio Weekend mostrou ser mais silenciosa, o que contribui com o conforto em viagens longas. No quesito consumo, o Honda fica praticamente empatado com o Fiat na estrada, mas perde por pouco na cidade.
ESTILO
São duas formas diferentes de carro familiar. A Palio Weekend é uma perua tradicional, considerada um modelo dois volumes. A recente reestilização, que completa um ano em março, acabou agradando mais pela dianteira do que pela traseira, alvo de críticas principalmente pelas lanternas exageradas, cujo estilo divide opiniões. Apesar disso, a tampa do porta-malas facilita o acesso de bagagens por levar uma parte do pára-choque quando aberta. Na versão básica (ELX), carcaças dos espelhos retrovisores e maçanetas não são pintadas na cor do carro e as rodas de liga-leve são opcionais.
No Fit, o desenho de formas arrojadas dá um aspecto mais moderno, inclusive o conjunto ótico, do qual faz parte faróis de formato cônico com piscas integrados. Ao contrário da perua da Fiat, mesmo na versão básica, detalhes da carroceria são pintados. Mas em ambos faltam frisos laterais, úteis para não danificar a pintura ao estacionar em vagas apertadas de condomínios e shoppings. Mas há que se elogiar a área envidraçada dos dois, o que facilita as manobras. Nesse aspecto a Palio Weekend ainda pode vir com sensores no pára-choque traseiro para ajudar a detectar obstáculos.
CONFORTO
Na reforma visual da perua da Fiat, o interior acabou sendo a parte que mais agradou. Além dos comandos bem posicionados, ainda há equipamentos de série interessantes, como computador de bordo e sistema "My Car", que permite ajustes personalizados de funções como o modo de funcionamento do sensor que aciona os faróis ao escurecer, ou a velocidade máxima em que será acionado o sinal sonoro de advertência. Outro ponto positivo, e que é útil em uma perua, é o acionamento do limpador de pára-brisa traseiro quando o dianteiro está ligado e a marcha à ré é engatada. Mas o espaço no banco traseiro poderia ser mais generoso.
No porta-malas da Palio Weekend vão 460 litros, ante 380 l do Fit. Mas no Honda há mais versatilidade, já que os bancos são dobrados em várias posições e o assoalho plano ajuda a acomodar objetos altos. Na perua da Fiat, faltou o encosto traseiro bipartido. É possível abaixar apenas o encosto todo, o que impede levar uma ou duas pessoas no banco de trás com bagagem extra. O painel do Honda segue o estilo moderno da carroceria, mas há apenas o essencial. Detalhe interessante é o porta-luvas com duas prateleiras, o que facilita a acomodação dos objetos. Em contrapartida, a posição do controle dos espelhos é incômoda (abaixo da saída de ar esquerda).
DESEMPENHO
Na pista, o Fit mostrou que tem mais fôlego. O motor de 1.339 cc de cilindrada do Honda gera 80 cavalos, 10 cv a mais que o de 1.242 cc do Fiat, alimentado apenas com gasolina. Alinhados para a prova de aceleração de 0 a 100 km/h, o Honda parte e crava 13,3 segundos no cronômetro, ante 18,3 do Fiat. Com apenas álcool no tanque, esse tempo melhorou para 16,5 s, mas ainda fica atrás do rival. A resposta para a superioridade do Fit vem da relação peso/potência: 13,2 kg/cv contra 15,4 kg/cv da Palio Weekend levando em consideração o uso de gasolina pura. Nas retomadas, o cenário não mudou. De 60 a 100 km/h em quarta marcha, foram precisos 13,5 segundos a bordo do Honda e 16,4 s no Fiat, tempo que cai para 14,8 s com o combustível vegetal.
Apesar de não poder ser abastecido com álcool ou gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção, como o Fire da Fiat, o motor Honda é mais moderno. Além do bloco de alumínio fundido sob pressão, do coletor de plástico, há duas velas por cilindro, o que gera uma combustão mais rápida e permite adotar taxa de compressão mais elevada (10,4:1), o que também foi favorecido pela câmara de combustão compacta. Para a baixa cilindrada, o propulsor do Fit rende bem, mas falta torque nas manobras rápidas e subidas. São 11,8 kgfm a 2.800 rpm, ante 11,4 kgfm a 2.250 rpm do Fiat. Segundo a Fiat, a Palio Weekend 1.3 Flex atinge 157 km/h em gasolina e 159 km/h com álcool. A Honda não divulga dados de desempenho e consumo.
Carregada, a pequena perua da Fiat pede mais fôlego e poderia ser mais equilibrada. Mas apesar precisar ser exigido a fundo para dar certa agilidade ao carro, o propulsor da marca italiana sobe de giro com rapidez e mostra suavidade de funcionamento. Entretanto, durante os testes, os engates do câmbio do Honda, mostraram ser mais precisos. Além disso, o Fit transmitiu mais segurança nas curvas. A boa rigidez torcional e o projeto moderno da suspensão contribuem com a segurança que o carro transmite ao rodar, mesmo com as rodas de aro 14 com estreitos pneus 175/65R 14. O emprego de molas que compensam a aceleração lateral, além de buchas elásticas e barras de torção deu resultado.
MERCADO
Com preço sugerido de R$ 34.570, a Palio Weekend 1.3 Flex vem com direção hidráulica, computador de bordo, sistema My Car, calotas integrais, pára-choques e carcaças dos espelhos pintados na cor do carro, entre outros itens. Para ter ar-condicionado é preciso optar pelo pacote de equipamentos que custa mais R$ 3.298 e inclui pára-brisa degradé. Se ainda for incluído um jogo de rodas de liga leve o preço final sobe para R$ 38.771. Completo, o carro chega a custar R$ 51.174, preço que dá direito a itens sofisticados, como sensores para auxiliar nas manobras de estacionamento e sistema de som com disqueteira de seis discos.
O Honda Fit LX-L (topo de linha) custa a partir de R$ 45.065 na tabela de preços da marca japonesa. Essa versão já vem equipada com ar-condicionado, freios ABS com distribuição da força de frenagem (EBD), rodas de liga-leve, direção hidráulica, trio elétrico, CD player, bancos e volante com regulagem de altura e encostos de cabeça traseiros. Paga-se à parte apenas pelo câmbio automático CVT, que custa R$ 4.115, o que faz o preço chegar a R$ 49.180. A versão básica (LX), com câmbio manual, vale R$ 41.435 e vem com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas e air bag para o motorista.