O que acontece quando dois sedãs argentinos se encontram na pista? Briga, e de esquentar o asfalto. De um lado o Focus e do outro o recém-lançado Mégane com câmbio automático. Esse último vai ser substituído pela nova geração do modelo da Renault, que será fabricado em São José dos Pinhais (PR), em 2005. Enquanto isso, a marca francesa aposta no sedã vindo da Argentina para entrar na disputa com os concorrentes. No segmento, os dois são os únicos com motor 2.0 de 16 válvulas e câmbio automático.
No caso do Mégane, o sistema de transmissão é mais moderno, já que conta com monitoramento eletrônico, que reduz as marchas em situações como curvas de esquina e descidas. No quesito potência, o modelo da marca francesa também leva ligeira vantagem, que foi comprovada na pista durante as provas de aceleração. Mas, nas retomadas, o Focus manteve-se na frente na maioria das medições e ainda mostrou menor nível de ruído. Outro ponto a favor do Ford fica por conta das linhas mais modernas.
ESTILO
O Focus já recebeu novas linhas na Europa e Estados Unidos, mas ainda se mantém atual como está no Brasil. A discreta reforma visual que recebeu no ano passado ajudou a mantê-lo atraente. Detalhes como faróis que invadem parte da área do capô, grade dianteira do tipo "colméia" e lanternas traseiras de estilo arrojado continuam chamando a atenção. No Mégane, o desenho é mais sóbrio, com itens cromados para dar um toque de sofisticação ao carro. Além disso, apenas as rodas de liga-leve de aro 15 podem ser consideradas novidade no sedã da marca francesa.
Por dentro, o Mégane tem apenas a lista de itens de série da versão Privilège como novidade. Há ar-condicionado, alarme, painel de instrumentos com fundo branco, computador de bordo, rádio com CD e comando satélite na coluna de direção, banco traseiro com apoio de braço central, além de vidros, espelhos e travas de acionamento elétrico. Mas todos esses itens são de série na versão Ghia do Focus, cujo som vem com tecla para o viva-voz do celular, ao contrário do Mégane. Além disso, o sedã da Ford pode vir com teto-solar, item indisponível no Renault.
O que também pesa a favor do Focus é o desenho do painel mais moderno, além dos comandos bem localizados, ponto fraco no Mégane. A marca francesa insiste em dificultar o acesso ao comando dos vidros. Os dianteiros estão bem localizados, na porta do motorista, mas quem quiser abrir as janelas traseiras terá que fazer uma pequena ginástica, já que os botões estão quase no chão, atrás da alavanca de freio. Mas no quesito porta-malas, o Renault leva vantagem. São 510 litros ante 490 litros do Ford.
DESEMPENHO
Apesar dos dois virem com a mesma configuração de motor (2.0 16V), o do Mégane é mais moderno, já que vem com acelerador eletrônico, coletor de admissão de plástico e comandos de válvulas tubulares, que são mais leves que os convencionais. Tudo isso acaba gerando mais potência. São 138 cavalos, ante 130 cv do Zetec da Ford. Em conjunto com a melhor relação peso/potência do Renault (8,8 kg/cv contra 9,7 kg/cv), essa vantagem pesou nas provas de aceleração a favor do Mégane, que precisou de 10,4 segundos para ir de 0 a 100 km/h partindo da imobilidade, ante 11,7 s do Focus.
Quando o assunto é torque, o motor da Ford também fica um pouco atrás do rival: 19,2 kgfm a 3.750 rpm, contra 18,2 kgfm a 4.500 rpm. Apesar disso, conforme o IMT, o Renault ficou atrás na maioria das passagens durante os testes de retomada. Para ir de 40 a 120 km/h, em Drive, o Mégane precisou de 14,7 segundos, ante 13,9 s do Focus. O Mégane ficou ligeiramente na frente apenas nas medições que envolvem nível de rotação mais alto, como de 80 a 140 km/h, quando o Renault cravou 15 segundos e o rival 15,4 s. Segundo dados dos fabricantes, o Mégane atinge 197 km/h e o Focus, 189 km/h.
O câmbio automático do Mégane é o mesmo usado na Scénic, conhecido como Proactive, de quatro marchas e com sistema de monitoramento eletrônico. Ele comanda as trocas de marcha baseando-se em informações como rotação do motor, peso do carro e posição e velocidade de acionamento do acelerador. Além disso, há também botão para desligar a sobremarcha (overdrive) e comando para rodar em pisos escorregadios. Esse último recurso não existe no Focus. Em contrapartida, o modelo da Ford vem com controle de tração, item ausente no Renault.
Ambos vêm com freios ABS, mas o Ford freou em espaços mais curtos. Pisando com força no pedal vindo a 80 km/h, Focus percorreu 37 metros até parar, ante 41,5 m do Mégane. Outro ponto em que o modelo da Ford ficou na frente do adversário foi no nível de ruído. A 100 km/h com os vidros fechados, o interior do Focus fica com 78 db, segundo o IMT, contra 83 do Mégane. Nas curvas, os dois mostraram inclinação da carroceria, mas o acerto do Ford é um pouco mais rígido. Apesar disso, ambos absorvem bem as irregularidades do piso.
MERCADO
O Mégane Sedan Privilège tem preço sugerido de R$ 55.090, preço que inclui vários equipamentos, o único opcional é a pintura metálica. Entre os itens de série destacam-se ar-condicionado, direção hidráulica, bancos de couro, conjunto elétrico, rodas de liga-leve de aro 15, sistema de com CD player e comandos no volante, travamento automático das portas assim que o carro atinge 6 km/h, freios ABS, duplo air bag, entre outros itens. Apesar da boa relação custo/benefício, é bom lembrar que esse Mégane deve ter índice de desvalorização considerável assim que a nova geração do sedã começar a ser vendida no mercado brasileiro, em 2006.
Com preço sugerido de R$ 63.870, o Focus Sedan automático vem com vários itens de série, entre os quais ar-condicionado, direção hidráulica, conjunto elétrico, volante com regulagem de altura e profundidade, sistema de som com CD Player e viva-voz, travamento automático das portas a 7km/h, vidros verdes, entre outros. No caso da versão Ghia automática, o preço parte de R$ 67.170, com mais alguns itens, como controles do sistema de som no volante e piloto automático. Completo, com teto solar e bancos de couro, o carro chega a R$ 72.335.