Texto e Notas: Carlos Guimarães
Fotos: Oswaldo Palermo
Medições: Instituto Mauá de Tecnologia - IMT

Estilo
Conforto
Desempenho
Mercado
Modernos e com estilo arrojado, Citroën C3 e Mercedes Classe A são dois exemplos de modelos bem equipados para quem procura por um compacto espaçoso, mas não abre mão da sofisticação. O primeiro é marcado pelo desenho de cantos arredondados e pelo bom rendimento do motor 1.6 16V. No caso do concorrente da marca alemã, o desempenho é parecido, mas os principais destaques ficam por conta dos dispositivos eletrônicos ligados à segurança e da versatilidade.
No confronto entre os dois na pista, ambos atingiram praticamente o mesmo rendimento nas acelerações, mas o Mercedes foi um pouco melhor nas retomadas, conforme as medições do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Em contrapartida, no quesito conforto ao rodar, o C3 se saiu melhor, absorvendo com mais eficiência as irregularidades do piso.
ESTILO
Além dos novos piscas e faróis, o visual do Classe A 2004 chama a atenção pelos repetidores de direção nas carcaças dos retrovisores externos e pelas linhas que se mantêm atuais. O amplo pára-brisa e o pequeno capô inclinado favorecem a visibilidade dianteira. Na traseira, a leve tampa do porta-malas facilita a manuseio. No C3, o desenho de formas arredondadas chega para inovar e inclui detalhes sofisticados, como a fina lâmina metálica entre duas camadas de vidro do pára-brisa (o que evita o aquecimento excessivo do painel) e os sensores no pára-choque, que auxiliam na manobras de estacionamento.
A instrumentação dos dois tem estilo arrojado, mas no C3 a visualização do ponteiro do contagiros não é das mais fáceis. Além disso, se por um lado a opção da Citroën por velocímetro digital e barras de luz que indicam o nível de combustível e a temperatura do motor mostra ousadia, por outro prejudica a precisão. Em compensação, para o bem estar dos ocupantes, o C3 tem pequenas bandejas embutidas nos encostos dos bancos dianteiros. Interessante também é o cinzeiro removível. Quando retirado, seu encaixe pode ser usado como porta-copos.
No Mercedes, a instrumentação tem ponteiros convencionais, mas que desaparecem com a retirada da chave no contato. Falta marcador de temperatura, o que é compensado pela série de luzes-espia para checar os diversos dispositivos eletrônicos do carro. O ponto negativo fica para o aparelho de som, que além de estar em posição baixa (o que dificulta o manuseio e a visualização) ainda vem apenas com toca-fitas original. Quem quiser ouvir CD terá que se contentar com a disqueteira no porta-malas, oferecida como opcional. O ideal seria o fabricante disponibilizar um CD player de painel.
CONFORTO
Com 3,85 metros de comprimento, 1,53 m de altura e 1,67 m de largura, o Citroën tem espaço suficiente para cinco ocupantes, mas não tem a mesma versatilidade do rival do Mercedes ( 3,57 m de comprimento por 1,79 de largura). Isso porque o banco traseiro do Classe A pode ser retirado, ou totalmente dobrado com a ajuda de duas molas a gás. Além disso, se for considerado o volume do porta-malas sem rebater os encostos dos bancos traseiros, o Mercedes ainda leva vantagem (350 litros ante 305 litros). A posição de dirigir elevada é uma das características em comum em ambos. Outra é o ponto incômodo onde foram instalados os botões de acionamento dos vidros (console no C3 e entre os bancos dianteiros no Classe A).
No caso de acidentes, há como instalar até seis air bags de proteção no C3, inclusive nas janelas. A lista de itens ligados ao conforto continua com o sistema de som com os principais comandos próximos ao volante. Entre os itens de série do Classe A estão incluídos duplo air bag e cintos de segurança com pré-tensionador. O problema é que os bancos poderiam ser mais macios, já que chegam a cansar, principalmente em viagens. Atrás, há espaço para dois ocupantes se acomodarem com conforto, mesmo os mais altos. Nas manobras, a direção do C3 é mais leve, mas a alavanca de câmbio fica um pouco mais baixa que o ideal.
DESEMPENHO
O motor 1.6 do Classe A gera 102 cavalos e 15,3 kgfm de torque a 4.000 rpm, regime de rotação bem próximo do que é atingido a potência máxima. Isso torna as respostas mais ágeis com o contagiros mais próximo da marca vermelha. Apesar disso, o propulsor rende bem, contanto que o acelerador seja usado sem muita cerimônia. O motor 1.6 16V do Citroën rende 110 cv e 15,5 kgfm de torque a 4.000 rpm e tem comportamento parecido com o do rival. Na aceleração de 0 a 100 km/h, os dois chegaram juntos, com 10,8 segundos cravados no cronômetro.
Por causa do cabeçote de quatro válvulas por cilindro, o C3 ficou um pouco atrás nas provas de retomada. Isso porque apesar de "encher" melhor o motor em alta rotação, esse componente prejudica o rendimento em baixa rotação. Com isso, o 1.6 8V da Mercedes garantiu ligeira vantagem para o Classe A nas ultrapassagens. Segundo os números do IMT, o A160 precisou de 10,8 segundos para ir de 60 a 100 km/h em quarta, ante 11,4 do C3 1.6. Apenas quando o motor funciona o tempo todo em alta é que o Citroën tem ligeira recuperação. Fez um quilômetro em 32,5 segundos, cruzando a chegada a 158,3 km/h, ante os 32,7 s do Classe A, que passou a 156,4 km/h. Segundo os dados dos fabricantes, o C3 1.6 atinge 196 km/h e o Classe A 160, 180 km/h.
Nas curvas, o Mercedes tem aderência irrepreensível, graças ao controle eletrônico de estabilidade (ESP) e ao conjunto de pneus 195/55R 15, de perfil baixo. O Citroën vem com rodas de aro 15 com pneus 185/60R e o ajuste da suspensão chega a um "meio termo", absorvendo bem as irregularidades do piso, mas sem dar sustos nas curvas. O equilíbrio do C3 também foi atingido graças ao aumento da rigidez da carroceria, cuja estrutura é mais rígida que a do modelo europeu. Os dois vêm com freios ABS com distribuidor da força de frenagem (EBD) de série, mas os do Classe A transmitiram mais segurança, além de ter acionamento mais agradável. No C3, nota-se que é preciso regular a pressão aplicada no pedal para não correr o risco de ser lançado contra o pára-brisa.
MERCADO
Desde a versão mais em conta (Classic), o Classe A vem um vários equipamentos de série, entre os quais ABS, ar-condicionado, direção hidráulica, banco do motorista com regulagem de altura, duplo air bag, luz de neblina integrada à lanterna traseira, entre outros itens. Sem opcionais, tem preço sugerido de R$ 36.718. Como opcional, a Mercedes oferece equipamentos como embreagem de acionamento automático (AKS), alarme antifurto, banco traseiro bipartido, dobrável e removível, apoio de braço e frisos laterais nas portas. Apenas com a inclusão do AKS, o preço sobe para R$ 42.551.
O Citroën é encontrado nas lojas com o preço variando entre R$ 31.540 (GLX) e R$ 39.785, o Exclusive (topo de linha). O carro tem como itens de série faróis com regulagem de altura, painel digital, freios ABS (antitravamento), bancos do motorista com regulagem de altura, trava elétrica e cintos traseiros de três pontos. A versão Exclusive ainda vem equipada com ar-condicionado, mesas de conveniência nos bancos traseiros, trava automática das portas e do porta-malas acima de 10km/h, acabamento interno de veludo, entre outros itens.
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