Texto e Notas: Glauco Lucena
Fotos: Oswaldo Palermo
Medições: Instituto Mauá de Tecnologia - IMT
Estilo
Desempenho
Conforto e Segurança
Dica do Carsale
Notas do Carsale
Ficha Técnica
Números do Teste
Debata sobre o teste com outros internautas
Sedãs japoneses como Toyota Camry, Honda Accord e Nissan Maxima estão sempre na lista dos mais vendidos no mercado norte-americano, acima até de modelos menores e mais baratos. Mas no Brasil eles não conseguem repetir a boa aceitação, nem mesmo uma sombra dela. O Camry deixou de ser vendido aqui na virada do ano e os outros dois se esforçam para ganhar espaço no concorrido segmento de sedãs importados.
Levamos os dois sobreviventes para a pista para verificar o que eles têm que tanto agrada aos norte-americanos. O segredo parece ser o preço honesto por um carro espaçoso, confortável e de mecânica confiável, sem exageros de tecnologia como os concorrentes alemães. Confira o desempenho do Accord e do Maxima nos números do teste do IMT e nas notas do Carsale.
Antes que alguém nos acuse de covardia por comparar um modelo com motor V6 (o Nissan Maxima) a outro com motor de quatro cilindros (o Honda Accord), ressaltamos que a idéia é colocar dois carros com o mesmo conceito lado a lado e entender por que fazem tanto sucesso nos Estados Unidos.
ESTILO
Nesse quesito o Nissan leva larga vantagem. Reestilizado em 2000, tem linhas mais insinuantes que o rival, com amplos faróis que englobam as lanternas e grade do radiador grande e cromada. A próxima alteração estética está prevista para o ano que vem, já como linha 2004, quando o carro passa a ser montado nos Estados Unidos (hoje é feito no Japão). O Honda, de linhas mais retas e sisudas, está com o mesmo visual desde 1997 e vai passar por uma radical mudança na virada do ano. O modelo atual está vindo do México.
A principal característica desses dois modelos é a discrição. Roda-se na rua sem chamar muita atenção, o que nesses tempos de violência e seqüestros é um grande apelo de vendas. O interior dos dois carros também não tem a parafernália eletrônica dos importados mais luxuosos, mas oferece o essencial para garantir o conforto do motorista e dos passageiros. O estilo é bem ao gosto do consumidor norte-americano, com muitos porta-trecos/copos. O ambiente no Maxima é um pouco mais requintado, apesar do exagero no acabamento que imita madeira.
DESEMPENHO
O Accord testado foi o EX-R automático, com motor quatro cilindros 2.3 de 16 válvulas e comando de válvulas variável (VTEC), que rende 150 cavalos de potência e 21 kgfm de torque (força) a 4.900 rpm. Já o Maxima 30 GV Limited automático tem propulsor V6 3.0 de 24 válvulas, com duplo comando de válvulas, 218 cv e 29,7 kgfm de torque a 4.000 rpm.
Cravando o pé no acelerador, é possível sentir a grande distância entre os dois motores. No Maxima, em 5 segundos o carro atinge 67,9 km/h, chega a 100 km/h em 9,1 segundos, em 400 metros chega a 138,3 km/h e crava 176,3 km/h após rodar 1 quilômetro. Já no Accord, as medições foram de 60,7 km/h em 5s, 0 a 100 km/h em 11,03s, 127 km/h em 400m e 162,2 km/h em 1 km rodado. Em ambos, esses números foram obtidos com o ar-condicionado desligado.
Nas retomadas de velocidade (que definem a agilidade do carro nas situações mais corriqueiras de trânsito), o Nissan levou vantagem de dois segundos, em média, sobre o concorrente da Honda. Com freios (ABS), a dupla mostrou eficiência nas frenagens, com números bem próximos entre si. O mesmo vale para o nível de ruído. Os dois são bem silenciosos em marcha lenta.
CONFORTO E SEGURANÇA
Tanto o Maxima quanto o Accord oferecem o básico para a comodidade do motorista e dos passageiros, com muito espaço na habitáculo. O sedã da Nissan é um pouco maior e leva grande vantagem no porta-malas, que abriga até 520 litros, ante 399 l do concorrente. O tanque do Maxima tem capacidade para 70 litros de gasolina, 5 l a mais que o do Accord.
Acomodar-se nesses carros é muito fácil. O banco do Accord tem ajuste lombar e regulagem elétrica em oito posições. O Maxima idem, e ainda regulagem elétrica para o passageiro da frente em quatro posições. Ambos têm teto solar elétrico, revestimento de couro (nos bancos, portas e volante), trio elétrico, rádio/toca-fitas com CD changer para seis discos, seis alto-falantes (sete no Maxima), controlador de cruzeiro e outros.
O Maxima, por ser mais caro, oferece alguns itens a mais, principalmente em matéria de segurança. Enquanto o Accord tem apenas air bag duplo frontal, o rival tem esses e mais air bags duplos laterais (para cabeça e tórax). Ele tem ainda faróis de xenônio (que iluminam melhor que os halógenos do Accord) e rodas de aro 16 (de 15 no rival), que garantem mais estabilidade.
DICA DO CARSALE
No caso desses dois modelos, as unidades que estão nas lojas ainda são da linha 2001, o que dá margem a bons descontos. O Nissan Maxima 30 GV Limited, por exemplo, vale na tabela R$ 113.500 mas pode ser encontrado com preços próximos a R$ 100 mil. Existe a opção da versão 30 GV, bem menos equipada, mas com a mesma mecânica, por cerca de R$ 87 mil.
O Honda Accord EX-R tem preço promocional da importadora e é encontrado na faixa de R$ 82.500. A maior promoção é para a versão EX, vendida por R$ 69 mil, mas com a desvantagem do motor menos potente (de apenas 135 cv), um tanto fraco para o peso do carro. O preço mais baixo em relação ao Maxima compensa o desempenho mais acanhado.
Se o objetivo é comprar um carro espaçoso, confortável, bem equipado e com desempenho satisfatório, esses dois sedãs japoneses são uma boa pedida, principalmente para quem não quer atrair muitos olhares no trânsito. As desvantagens são a rápida desvalorização e o fato de que em breve estarão defasados, sobretudo o Accord.
Notas do Carsale
Números do teste
Debata sobre o teste com outros internautas.
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