Texto: Glauco Lucena
Fotos: Oswaldo Palermo
Exatamente há um ano a Mercedes apresentava, no Salão de Genebra (Suíça), a nova geração da Classe C, colocando o carro nos trilhos, já que seu visual estava extremamente defasado em relação aos modelos maiores (Classes E e S) e, o que é pior, em relação aos concorrentes (BMW Série 3, Audi A4, Alfa 156 e Volvo S40). Na virada do ano o novo modelo desembarcou no Brasil em quatro versões (180, 200, 240 e 320), com preços entre US$ 67 mil e US$ 84 mil.
Carsale escolheu a versão topo de linha (C320 Elegance), que custa US$ 84 mil, para mostrar o quanto ele evoluiu em relação ao modelo anterior, com medições em pista feitas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Acompanhe nossas impressões e veja os números do teste e as notas do Carsale.
Olhando para o carro, o que salta aos olhos é o conjunto ótico, com dois pares de faróis redondos (um maior e outro menor), só que parcialmente unidos, ao contrário do que ocorre no Classe E (em que eles são separados). O efeito impressiona e faz o carro chamar atenção nas ruas, como já não acontecia com o conservador antecessor.
Para preservar a identidade da marca, a grande grade dianteira e a estrela na ponta do capô continuam lá, com poucas mudanças. Outro detalhe que chama a atenção, sobretudo à noite, são os piscas embutidos nos retrovisores externos. As linhas do teto descrevem um arco, o que melhorou muito a aerodinâmica e reduziu o nível de ruído, além de conferir um aspecto mais jovial. A traseira tem amplas lanternas cortadas pela tampa do porta-malas, prolongando-se suavemente para as laterais do carro.
Embora seja apenas 1 cm mais comprido que o Classe C anterior (e com a mesma largura e altura), o novo modelo tem melhor aproveitamento do espaço interno, em função do desenho moderno. O entreeixos cresceu 2,5 cm, mas o maior ganho foi no porta-malas, que agora abriga 455 litros de bagagem, 25 l a mais que no modelo antigo.
O motor que equipa o C320 é o V6 3.2, com 18 válvulas (três por cilindro) e 218 cavalos de potência a 5.700 rpm. Trata-se de uma opção até então inédita na Classe C, e que caiu como uma luva para o perfil mais esportivo do reestilizado modelo. Com torque máximo de 31,6 kgfm em uma ampla faixa de giro (de 3.000 a 4.500 rpm), o C320 responde com força surpreendente aos comandos do acelerador.
Mesmo pesando mais de 1,5 tonelada, ele se movimenta com desenvoltura no trânsito urbano, passando segurança para ocupar pequenas brechas que se apresentam no tráfego carregado. Na estrada, passa a impressão de estar em velocidade menor que a real, tamanho o nível de isolamento acústico e, sobretudo, qualidade da suspensão, que tem eletrônica de última geração a serviço da estabilidade (ESP) e controle de tração (ASR). Além disso, o eixo dianteiro passa a ter três braços e o traseiro foi totalmente redesenhado.
Na pista de testes, o C320 acelerou de 0 a 100 km/h em 8,11 segundos, fazendo o sexto melhor tempo entre todos os carros testados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (perdeu apenas para modelos mais esportivos da BMW, Volvo, Audi e da própria Mercedes). Mas foi nas retomadas de velocidade que ele mais impressionou, comprovando sua grande agilidade. A retomada de 60 a 120 km/h, por exemplo, ele fez em 7,48 segundos, só perdendo para Mercedes S500 e BMW 540 no ranking da Mauá.
Contribui para essa "esperteza" o câmbio seqüencial de cinco marchas, que faz as trocas automaticamente sem os lapsos de tempo comuns a certas transmissões automáticas. O motorista pode optar por trocar as marchas manualmente (sem pedal de embreagem) ou deixar a central eletrônica cuidar de tudo.
A velocidade máxima, segundo o fabricante, é de 245 km/h. O carro também foi bem nas frenagens, com (ABS) nas quatro rodas e sistema BAS, que "percebe" freadas de emergência e mantém a operação mesmo que o assustado motorista alivie o pé do pedal. Já o consumo, obviamente, não é o forte deste Mercedes, que faz médias de 7,18 km/l na cidade e 10,58 na estrada.
Além do desenho e do desempenho, o que mais seduz no C320 é o nível de equipamentos de comodidade. Na hora de manobrar, ele tem sensores que avisam se o carro vai encostar em algum obstáculo. Se escurece, os faróis acendem automaticamente. Se chove, há sensores que regulam a velocidade dos limpadores (duplos) de pára-brisa. Se o barulho interno aumenta, o volume do som acompanha.
Ao abrir a porta, o banco do motorista corre para trás e o volante para cima, facilitando o acesso. Basta girar a chave no contato que eles retornam à posição original. Os bancos dianteiros têm inúmeras regulagens elétricas, com três memórias de posição (que incluem o volante e os retrovisores). Até o porta-objetos central tem regulagem de altura, e o teto solar conta com memória da última posição escolhida.
É impossível citar tudo que ele oferece, mas vale mencionar memória climática do ar-condicionado digital, volante com teclas de som (entre outras), revestimento de couro, limpadores de faróis, limitador de velocidade e som com dez alto-falantes, amplificador e CD Player no porta-luvas. Isso sem falar no festival de air bags: frontais de duplo estágio (inflam de acordo com a força do impacto), laterais nas quatro portas e windowbags (laterais superiores, que protegem a cabeça em impactos laterais).
Notas do Carsale
Números do teste
Veja ficha técnica, atualizações de preço e ofertas especiais nas tabelas do Carsale.
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