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 Avaliação

 Mercedes-Benz Classe E Coupé09/10/2009 

 Cupê médio-grande chega recheado de eletrônica
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Divulgação / Malagrine Estúdio

O Classe E Coupé, lançado nesta quinta-feira (8) pela Mercedes-Benz no Brasil, tem um significado mais especial para a fabricante alemã do que propriamente para o mercado brasileiro. Importado da Alemanha pouco mais de três meses após estrear na Europa, a exemplo da configuração sedã Classe E, o cupê esportivo médio-grande chega para brigar em um nicho em que há apenas um concorrente de luxo: o conterrâneo Audi A5. E o teor otimista da marca da estrela está explícito nas projeções de vendas: 50 unidades emplacadas até o fim do ano, ou nada menos que cerca de 16 vendas mensais. Se levar em conta os R$ 285 mil pedidos no modelo, o volume é audacioso.

Por outro lado, a chegada rápida do Classe E Coupé reforça o caráter ‘up-to-date’ da Mercedes-Benz, um aspecto extremamente valorizado pelos brasileiros endinheirados que consomem carros de luxo. A favor do cupê há ainda um terceiro fator que pode favorecer suas vendas. No leque de modelos da arqui-rival BMW, o Série 5 seria o adversário direto do Classe E. Só que o modelo concorrente não oferece uma configuração cupê de duas portas – o Série 5 só possui opções sedã e a superesportiva M, da preparadora Motorsport, da BMW. Não por acaso, a Mercedes está confiante no sucesso de seu lançamento.

   

Sofisticação como principal ingrediente

Independente da concorrência, porém, é na modernidade do Classe E Coupé que a montadora alemã aposta. E com razão. Muito além do luxo inerente aos carros da Mercedes-Benz, o cupê médio-grande oferece um conteúdo de série extremamente sofisticado. Só na parte de itens de segurança, o número de equipamentos e funções impressiona. Além dos ‘normais’ sete airbags de fábrica – duplos frontais, laterais, do tipo cortina e para os joelhos do motorista –, freios com ABS, EBD (distribuidor eletrônico de frenagem) e assistente de emergência e controles eletrônicos de estabilidade e de tração, são de série faróis bi-xenon autoadaptativos e uma parafernália eletrônica operada por sensores e câmeras.

Dos recursos, o Attention Assist é o que mais chama a atenção. O sistema integrado ao computador de bordo monitora o comportamento do motorista e avalia se o mesmo está bem disposto para seguir guiando o veículo, por exemplo, em viagens mais longas. Se um dos mais de 170 parâmetros de análise do sistema detectar cansaço no condutor, uma simpática xícara de café é exibida no visor ao centro do quadro de instrumentos, sinalizando que é hora de parar o carro para um breve descanso.

   

Outro sistema hi-tech interessante é o Pre-Safe, que tem princípio similar a outros sistemas – como o da Volvo. Ao perceber uma situação de risco iminente, o recurso prepara os equipamentos de segurança, como airbags, e aciona os freios automaticamente. Para quem costuma rodar muito na cidade, porém, é o sistema Parktronic que mais deverá agradar. Sensores embutidos medem o tamanho da vaga onde se deseja estacionar o veículo, o recurso emite os sinais sonoros de proximidade dos obstáculos e, para completar, o assistente exibe no visor do quadro de instrumentos a indicação precisa do esterçamento necessário do volante na manobra.

Design e desempenho em sintonia agressiva

Muito além da fartura em eletrônica embarcada, impressionam as linhas e os números guardados sob o capô do Classe E Coupé. O desenho marcante mantém basicamente os mesmos traços já conhecidos da carroceria sedã, só que com uma pitada mais forte de esportividade. Na frente, faróis permanecem bipartidos, dentro da nova identidade visual dos carros da Mercedes-Benz. O para-choque é o único elemento frontal novo, com recortes mais agressivos e um filete de leds em formato de ‘L’ deitado, fixados dentro de duas tomadas de ar menores nas pontas – onde normalmente ficam os faróis de neblina. Mas o grande destaque estético no modelo é a ausência da coluna central. O caimento acentuado do teto – típico dos cupês – também chama a atenção, com a linha de cintura alta e uma área envidraçada reduzida.

   

Por dentro, o destaque do cupê 2 + 2 são os bancos esportivos que integram os encostos de cabeça. Nos assentos dianteiros, dotados de regulagens elétricas, é possível ajustar a altura dos encostos, que ainda oferecem o sistema que protege contra o efeito-chicote – em uma colisão, os apoios são deslocados para frente em frações de segundo para acompanhar o movimento do corpo e evitar lesões na coluna cervical. O esportivo também possui cintos de segurança dianteiros com pré-tensionadores automáticos. E para os passageiros de trás, uma solução para lá de interessante: o sistema de ajuste elétrico desloca os bancos longitudinalmente para facilitar o acesso e depois repõe os assentos nas posições originais.

Não bastasse o ambiente convidativo, o Classe E Coupé ainda oferece uma mecânica de primeira linha. Debaixo do capô fica alojado um poderoso motor 3.5 litros aspirado, com bloco de alumínio, seis cilindros em ‘V’ e 24 válvulas. O bloco é acoplado ao sofisticado câmbio automático 7G-Tronic de sete velocidades e hastes atrás do volante para trocas manuais. O conjunto produz vigorosos 272 cv de potência aos 6.000 rpm, além de 35,7 kgfm de torque máximo, disponíveis entre 2.400 rpm e 5.000 giros. Com um detalhe: há um botão Sport, no console central, que ajusta direção, suspensão e câmbio para oferecer respostas ainda mais esportivas.

   

Conforto e requinte em nível elevado

Apesar do lado agressivo intensamente valorizado, o cupê 2+2 da Mercedes – como não poderia deixar de ser – vem completíssimo de equipamentos para o conforto e entretenimento dos passageiros. Há regulagem elétrica dos assentos dianteiros e da coluna de direção, revestimento de couro nos bancos, volante e alavanca de câmbio, direção com assistência elétrica, computador de bordo repleto de funções, controle de cruzeiro, sensores de chuva, de luminosidade e de obstáculos e um sistema de som Premium. São oito alto-falantes, rádio/CD/DVD, conexão Bluetooth, entrada auxiliar escondida no porta-luvas, sistema viva-voz, teto solar panorâmico, disqueteira para seis discos e uma memória interna de quatro gigabytes – muito úteis para o armazenamento de músicas. O sistema é manipulado por um botão giratório próximo à manopla do câmbio e os dados são projetados em uma tela de sete polegadas embutida no alto do console central. Um ambiente interativo e refinado, bem ao estilo que o Classe E Coupé propõe.

Primeiras impressões

A bordo do cupê, a primeira característica que se nota é o elevado nível de refino dos materiais que revestem a cabine. Quase não há plástico rígido. As peças são emborrachadas, algumas forradas com couro, há detalhes de alumínio em diversas partes do painel e os encaixes são milimetricamente precisos. A combinação de cores mais sóbrias, com predominância de tons de cinza e preto, empresta ao veículo um ar ainda mais elegante.

   

Neste primeiro contato com o novo modelo da Mercedes-Benz, pouco se pôde avaliar. O test-drive realizado em um pequeno trecho ainda em obras do Rodoanel paulistano não permitiu, por exemplo, explorar os muitos recursos eletrônicos que o veículo oferece. No entanto, foi possível pisar bem fundo no pedal do acelerador e ver do que o motorzão 3.5 litros V6 é capaz. E o resultado foi entusiasmante.

O moderno bloco produz arrancadas e retomadas intensas, auxiliado principalmente pelo torque de 35,7 kgfm, despejado integralmente já desde os 2.400 rpm até os 5.000 giros. A sofisticada caixa automática de sete marchas 7G-Tronic também contribui para o comportamento apimentado, com trocas ágeis que se adaptam de acordo com o modo de condução – Conforto ou Sport.

O Classe E Coupé também exibiu grande estabilidade sobre o asfalto, sem pregar qualquer susto, mesmo com o asfalto completamente encharcado por uma forte chuva. O desempenho é fruto de outra característica marcante no modelo: o Classe E Coupé tem um dos menores coeficientes aerodinâmicos (Cx) já vistos em um carro de passeio: 0,24. Já o habitáculo estreito não é lá muito generoso em espaço. Por outro lado, com todo o ímpeto esportivo, a sensação ao volante é de se vestir o cupê. E com todo o luxo e conforto oferecidos a bordo, o que restou foi um gostinho de ‘quero mais’.

 


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