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 Avaliação

 Fiat 50001/10/2009 

 Hatch retrô chega da Polônia repleto de estilo e equipamentos
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Divulgação

Carros europeus são raríssimos no leque de modelos da Fiat comercializados no Brasil. O último foi o hatch Tipo, vendido entre 1993 e 1995 e que se tornou grande sucesso de vendas na época – o que motivou sua produção nacional, entre 1996 e 1997. A procura pelo modelo foi tamanha, que o Tipo chegou a ultrapassar o Volkswagen Gol nas vendas por um mês, em 1995. Com o pequenino 500, a história é outra. O hatch subcompacto produzido em Tychy, na Polônia, tem proposta muito específica. Releitura do Nuova 500, carrinho popular lançado em meados de 1957 e que se tornou febre de vendas na Itália, o Cinquecento atual é um modelo de nicho. O desenho retrô e as dimensões pequenas o colocam em uma briga restrita com modelos como Volkswagen New Beetle, Smart Fortwo e Mini Cooper, os chamados ‘funs cars’.

Tanto que a Fiat está comedida em relação ao volume de emplacamentos do ‘Tchinqüe Tchento’ – como se pronuncia o nome do simpático hatch polonês. A marca espera vender por aqui 200 unidades mensais do modelo, que começa em R$ 62.870 e é oferecido em duas versões de acabamento: Sport e a topo de linha Lounge, ambas equipadas com o bloco 1.4 litro 16V a gasolina de 100 cv de potência. Pelo preço inicial, a quantidade é até compreensível. O valor é equivalente ao pedido em automóveis nacionais médios, com espaço interno mais amplo e lista de série bem recheada desde as versões básicas. Mais que isso, o 500 do século XXI é um veículo caro principalmente se comparado ao original de 1957. A ideia na época era fabricar um carro que o cidadão comum pudesse adquirir. Por isso, o preço inicial era de 465 mil Liras, moeda da Itália em uso até 2002, ano em que o país adotou oficialmente o Euro. O custo seria algo próximo de R$ 1,5 mil.

   

Mudança de proposta

Os tempos, porém, são outros. No fim dos anos 1950, a Europa ainda juntava os cacos do período pós-Segunda Guerra Mundial. Com cidades e populações devastadas pelo conflito, um carro extremamente básico e com preço acessível foi a receita de muitas montadoras para se reerguer. Um conceito que é a antítese do que propõe o novo Fiat 500. Muito bem servido de equipamentos, o subcompacto está longe de ser um carro de entrada. Desde a versão básica Sport, o pacote de série é farto. Nos quesitos conforto e conveniência, o carrinho oferece ar-condicionado, direção elétrica Dual Drive com a função Sport, volante multifuncional revestido em couro com ajuste de altura, trio, computador de bordo, sensor de obstáculos, chave Keyless do tipo canivete e o sistema Blue&Me com rádio e tocador de CD e MP3, conexão Bluetooth, comando de voz e entradas USB e iPod – o mesmo oferecido no Brasil.

Já entre os itens de segurança, o Cinquecento é ainda mais completo. Estão instalados freios a disco nas quatro rodas com ABS e distribuidor de frenagem (EBD), controles eletrônicos de estabilidade e de tração, além de sete airbags – duplos frontais, laterais, do tipo cortina para cabeças e um para os joelhos para o motorista. Entre os aparatos tecnológicos, há ainda o Hill Holder, recurso que aciona automaticamente o sistema de freios em ladeiras íngremes e evita que o veículo desça no momento em que o condutor tira o pé do pedal do freio para pressionar o acelerador. Por se tratar de um carrinho de estilo, a Fiat também oferece diversas opções de cores para carroceria e de revestimento para o interior. As rodas de liga leve têm aro 15 calçadas por pneus 185/55.

A versão Lounge é ainda mais recheada. São oferecidos de fábrica ar-condicionado automático digital e teto solar de vidro fixo. O interior ganha um porta-objeto sob o assento do passageiro e os bancos são forrados com tecido em duas cores. São elas: preto e marfim ou azul e marfim, quando a carroceria for pintada em azul. Já por fora, há molduras cromadas nos para-choques, nos espelhos retrovisores laterais e nas portas, contornando as janelas. A Fiat oferece ainda os pacotes opcionais Pack Sport Full e Pack Lounge Full. Nos dois casos, são adicionados revestimento em couro nos bancos, teto solar Sky Wind, retrovisor interno eletrocrômico e rodas de liga leve aro 16 cobertas por pneus de perfil baixo 195/45.

   

Motor e dimensões voltados ao uso urbano

Lançado na Europa em outubro de 2007, durante o Salão de Paris, o Cinquecento atual tem apenas no desenho e nas dimensões reduzidas uma ligação mais íntima com o Nuova 500 de 1957. Após 50 anos, o carrinho da Fiat mantém o porte subcompacto estritamente voltado ao uso urbano. Com a carroceria de duas portas e lugar para apenas quatro pessoas, o 500 é bem pequenino. Mede 3,54 metros de comprimento, por 1,63 m de largura e 1,49 m de altura e tem 2,30 m de distância entre-eixos. O porta-malas acomoda módicos 185 litros, volume que salta para interessantes 550 litros com o banco traseiro rebatido.

Para vender o hatch no Brasil, a Fiat promoveu algumas modificações na engenharia. O sistema de injeção teve alguns componentes trocados e foi recalibrado para o uso a gasolina brasileira, que tem entre 20% e 25% de álcool na composição. O mesmo aconteceu com a suspensão, que ganhou molas mais flexíveis e amortecedores mais rígidos para enfrentar as ruas brasileiras normalmente esburacadas.

Já na parte mecânica, o modelo deu um salto tecnológico gigante. No fim dos anos 50, o Cinquecento era empurrado por um motorzinho traseiro de 479 cm³, refrigerado a ar, com dois cilindros e 13 cv de potência – a cilindrada, inclusive, deu origem ao nome '500'. Agora dianteiro, o propulsor instalado sob o capô é um 1.4 litro a gasolina de quatro cilindros em linha e 16 válvulas. A unidade de força gera 100 cv aos 6.000 rpm e um torque de 13,4 kgfm liberados aos 4.250 giros. Segundo a Fiat, este motor empurra o Cinquecento de 0 (zero) a 100 km/h em 10,5 segundos e leva o carrinho de 930 quilos à máxima de 182 km/h. Tanto na versão Sport quanto na Lounge, é possível escolher entre um manual com seis marchas ou o automatizado Dualogic de cinco marchas, com paddle-shifs no volante para trocas manuais – como no hatch médio Stilo.

   

Design como o principal atrativo frente aos rivais

Mais que o motor ou o conteúdo de série sofisticado, é no design que o 500 impressiona. As linhas inspiradas no modelo de 1957 estão mais encorpadas, mas mantém o estilo clássico que fez do hatch subcompacto um fenômeno de vendas no passado. Na dianteira curta, chama a atenção os faróis duplos ovalados e o para-choques inteiriço, que integra a grade frontal. Uma tomada de ar horizontal e afilada indica a nova posição do motor, agora guardado sob o capô. Um vinco sutil nas laterais bojudas desenha a linha da cintura, exatamente como no Cinquecento original. Já na traseira, as lanternas estão maiores e são embutidas na carroceria. O para-choques tem uma moldura na base que faz de saída de ar. A tampa do porta-malas também é nova e integra o vidro do vigia.

Por dentro, não há parâmetros em relação ao modelo antigo. O painel moderno utiliza o mesmo conceito do Fiat Panda, o carro de entrada atual da montadora italiana na Europa. Os comandos do som ficam no topo do console central, com os botões do sistema de ar-condicionado centralizados. A manopla do câmbio, antes posicionada no assoalho, está incorporada ao console e fica próxima do volante multifunção, para favorecer a ergonomia. Na mesma peça ficam os comandos de acionamento dos vidros elétricos. Mas o grande destaque no interior é o quadro de instrumentos. Um único relógio concentra o velocímetro no raio maior, o conta-giros em um aro menor e o computador de bordo, ao centro, num pequeno visor redondo. A disposição faz os ponteiros se cruzarem constantemente, resultando num estilo incomum.

A Fiat conseguiu também ajustar os preços do Cinquecento de forma competitiva. São pedidos R$ 62.870 pela versão de entrada Sport, R$ 66.930 na versão Sport Dualogic, R$ 64.900 na configuração topo de linha Lounge e o valor máximo de R$ 68.970, da Lounge equipada com o câmbio automatizado. Embora os valores sejam elevados para um carrinho do seu porte, o 500 fica posicionado entre os três rivais diretos. O mais em conta é o Volks New Beetle importado do México e isento de taxa de importação, que custa R$ 57.290. Logo depois vem o Smart Fortwo, vendido por R$ 57.900 na versão Coupé e por R$ 64.900, na versão Cabrio. E acima do modelo Fiat está o inglês MINI Cooper 1.6, o mais caro dos modelos do nicho, oferecido por R$ 86.900. O Cinquecento ainda guarda uma vantagem frente aos concorrentes: é o mais contemporâneo deles. E tem o desenho e a fama herdados do Nuova 500. Uma pitada de nostalgia que pode fazer a diferença a seu favor.

   

Primeiras impressões

Como um típico carro de ‘butique’ que é, o Cinquecento exala estilo. Por essa razão, a bordo do hatch retrô o visual é inevitavelmente o primeiro aspecto marcante. O painel moderninho, com o aplique central na mesma cor da carroceria, transmite sofisticação, apesar de as peças de plástico rígido não ostentarem refinamento. O espaço interno é bem compacto e ligeiramente claustrofóbico. Pernas e cabeça não encontram sobras nos 2,30 metros de entre-eixos por 1,49 m de altura.

Por outro lado, o ambiente interno do Fiat 500 agrada pelo design e a arrumação. Os comandos em geral ficam bem posicionados. O destaque é a alavanca do câmbio integrada ao painel, com manuseio prático. Já o quadro de instrumentos otimizado faz o carrinho parecer um brinquedo. O visor redondo do computador de bordo ao centro é rodeado pelos relógios do conta-giros e do velocímetro. Os ponteiros se cruzam a todo o momento e tornam a experiência ainda mais envolvente.

Em movimento, o ‘Tchinqüe Tchento’ também agrada. As dimensões subcompactas facilitam nas manobras e deixam o modelo bastante ágil e equilibrado no trânsito urbano. No percurso de 16 quilômetros, por vias expressas e congestionadas da Zona Sul carioca, o motor 1.4 litro 16V a gasolina se mostrou suficiente e até arrojado, com a tecla Sport acionada. Os 13,4 kgfm de torque demoram um pouco a entrar, uma vez que a energia é despejada por inteiro só aos 4.250 rpm. Com isso, arrancadas e retomadas não impressionam.

   

Durante o test-drive também foi possível notar o comportamento do câmbio automatizado Dualogic de cinco marchas. No trânsito intenso, a caixa agrada pelo conforto. Já com pista livre, surgem os inconvenientes engasgos nas trocas de relação – típicos dessas transmissões de embreagem simples. As borboletas atrás do volante para mudanças manuais suavizam os trancos e aumentam a interatividade ao volante. Aliás, no Cinquecento a intenção é essa. Um carrinho urbano de estilo, com uma pitada generosa de diversão.

(O repórter Diogo de Oliveira viajou para o Rio de Janeiro a convite da Fiat do Brasil)


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