A concorrência continua forte no segmento de sedãs médios nacional, mas muitos fabricantes insistem em lançar novos modelos. É o caso da Kia Motors, que inicia as vendas da nova geração do Cerato no País a partir deste sábado (22). Entre os principais atributos do veículo estão o preço e o design renovado e atraente. Ele será oferecido em três versões de acabamento, sendo duas com câmbio manual e uma com transmissão automática seqüencial. Todas equipadas com motor 1.6 litro de 126 cv, o mesmo bloco usado no crossover Soul.
O modelo de entrada do Cerato, que não vem com freios assistidos por ABS, chega com preço inicial de R$ 49,9 mil. Acima dele está a versão avaliada pelo Carsale, que traz alavanca manual e freios com ABS e distribuição eletrônica de frenagem (EBD), e custa R$ 52,9 mil. O topo de linha não sai por menos de R$ 57,9 mil e vem com câmbio automático. O test-drive do Cerato foi realizado entre as cidades de Mogi das Cruzes e Bertioga, no litoral Paulista.
ESTILO
A Kia deu uma boa sacudida no visual do Cerato. Ele conta com uma nova plataforma e design totalmente desvinculado da versão anterior, com destaque para as linhas bem definidas. O projeto leva a assinatura do designer Peter Schreyer, que criou a nova identidade estética da Kia: a grade frontal é inspirada na boca de um tigre. Com exceção da versão de entrada do sedã, que vem com rodas de 15 polegadas, as outras trazem rodas de liga leve de 16 polegadas (inclusive o estepe). Futuramente, a Kia vai oferecer rodas de 17”, como opcional.
Olhando com atenção para a parte frontal do carro, é possível notar algumas semelhanças entre o Cerato e outros rivais de olhos puxados, com o Honda Civic, entre elas os faróis estreitos e as tomadas de ar dianteiras. A traseira também contribui, graças ao desenho horizontal das lanternas e nos contornos do pára-choque, margeando o porta-malas.
Mas as coincidências ficam do lado de fora. Ao entrar no veículo, a realidade é outra. O acabamento do Kia é simples, com plástico em duas tonalidades dominando a paisagem, desde a lateral das portas até o painel. Contudo, a pintura metálica no console central, na alavanca de câmbio e no volante multifuncional, dá um toque mais refinado ao sedã. O painel conta com três mostradores arredondados, característica comum em veículos de origem oriental. Porém, quando os faróis estão acesos, a iluminação dos instrumentos enfraquece, prejudicando a leitura.
Em qualquer uma das três versões, os bancos são forrados com tecido, sem opção do revestimento em couro. A versão topo de linha também avaliada pelo Carsale traz, de série, retrovisores com comando elétrico e luzes indicadoras de direção integradas. O computador de bordo, com sete funções, ar-condicionado automático digital e rádio CD/MP3, com entrada auxiliar e conexão para Apple iPod, completam a lista de equipamentos.
DESEMPENHO
A posição de dirigir do novo Cerato agrada, mas leva um certo tempo para encontrá-la. Isto porque o volante dispõe apenas ajuste de altura. Os bancos oferecem ergonomia, mas apenas o do motorista tem regulagem de altura, enquanto os ajustes do encosto são feitos com a ajuda de uma alavanca.
O motor 1.6, a gasolina, entrega 126 cv de potência a 6.300 rpm, com o torque máximo de 15,9 kgfm, disponíveis a 4.200 giros. A Kia afirma que o Cerato, assim como o Soul, terá um propulsor flex. No entanto, ele chega só em 2010, após e estréia no crossover. O câmbio manual de cinco marchas tem engates bastante precisos, deixando a condução mais agradável. Segundo o fabricante, o consumo médio do Cerato é de 12,9 km/l na cidade e 19,9 km/l na estrada.
Mantendo os 100 km/h na estrada, o motor trabalha bem na faixa dos 3.000 giros. Contudo, acima desse patamar, o ruído do conjunto invade a cabine. Em tocadas mais esportivas, o Cerato é um pouco mais arredio em curvas feitas em alta velocidade. E quando isso acontece quem o conduz precisa de mais firmeza ao volante, tarefa que é dificultada pela direção, mais leve que o de costume.
O Cerato pode transportar confortavelmente cinco pessoas. O entre-eixos de 2,65 metros garante bom espaço para as pernas dos passageiros do banco de trás e a altura de 1,46 m faz com que ninguém bata a cabeça no teto. O porta-malas tem capacidade de 415 litros, 70 litros a mais do que o seu antecessor. O detalhe negativo fica por conta da tampa que cobre o bagageiro, feita em plástico, e que gerou um incômodo ruído logo nos primeiros quilômetros do test-drive. A segurança é garantida pelo airbag duplo, freios com ABS e EBD, freios traseiros a disco e encostos de cabeça dianteiros ativos.
MERCADO
O Cerato é mais um instrumento dentro dos planos da Kia Motors do Brasil de atingir 2% de participação no mercado nacional. A marca pretende comercializar, até o fim deste ano, três mil unidades do sedã. No entanto, a previsão depende do volume de importação viável no momento, uma vez que a fábrica da Kia de Hwasung, na Coréia do Sul, tem sofrido com greves dos funcionários nos últimos meses.
“A nossa fábrica da Coréia tem, atualmente, paralisações de quatro horas por dia”, explica o presidente da Kia Motors do Brasil, José Luiz Gandini. O executivo ainda ressaltou que se não fosse por este problema, o número de vendas do sedã poderia ser maior. “Esse carro pode vender mais. Só não venderemos por causa desta queda na produção, disse Gandini.
Contra o Cerato, a Kia espera ter pela frente modelos como os campeões de venda do segmento, Honda Civic e Toyota Corolla. Nos sete primeiros meses deste ano, ambos já emplacaram 32.647 unidades e 28.956 unidades, respectivamente, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Além desses, outro modelo da Honda tido pela Kia como um concorrente direto é o recém-lançado City, que em sua versão de entrada tem preço sugerido de R$ 56.210. Ford Focus, Volkswagen Polo Sedã e Bora, Fiat Linea, Renault Mégane e Peugeot 307 Sedã são outros modelos que o Cerato terá de encarar.
A chegada de uma versão do Cerato equipada com motor 2.0 l é uma possibilidade não descartada pela Kia, porém, segundo Gandini, é pouco provável. “O motor 2.0 l está homologado, mas acho que não vamos precisar. Antes queremos sentir o mercado com nosso (motor) 1.6 l, tanto no Cerato quanto no Soul”, finalizou.